Bijou, South Lake Tahoe, CA
Levi tinha uma mente brilhante para investigações e montar operações. Seu plano era muito bom e tinha realmente chance de ter sucesso. Infelizmente, ele precisaria lidar com um ambiente que eu, se pudesse, evitaria que ele lidasse.
Precisaríamos esperar que lhe sinalizassem da ação do tal soldado. O contato dele contratou gente para ficar de olho e comunicá-lo — um bom trabalho.
Acabei nem ficando para pernoitar com ele.
Precisando falar com Walter, eu teria que seguir o protocolo de sempre. Encontrar com seu segurança para deixarmos tudo marcado e organizado.
O bar do Velho Joe era o destino e ele já esperava com duas cervejas. Esse era mais velho e equilibrado que o nervosinho que acompanhava Walter.
Branco com o perfil de velho policial corrupto, não era um homem tão feio, tampouco muito bonito. Apenas se destacava pela saúde que ostentava.
Thompson era o nome desse segurança e eu só conseguia me lembrar porque realmente era um sobrenome de um homem forte.
Só sorri para Joe e me juntei à mesa. Peguei a cerveja e o observei enquanto dei o primeiro gole.
— Ele precisa vir. Quero apresentar alguém. — Fui eu quem quebrou o silêncio e ele só me observou. — Preciso de guarnição. Achei a menina.
— Não... — Ele arregalou os olhos.
— Sim... Está sob posse de gente perigosa e bem conectada, mas eu consegui alguém disposto a invadir o lugar para buscá-la. Só preciso de discrição.
— Se eu falar isso para ele... ele vem correndo! — Ainda pareceu impressionado. — Se precisa de discrição, por que fazê-lo vir? Sabe que não dá — riu.
— Tem que dar — dei de ombros. — Se ele fizer qualquer coisa errada, a menina e o meu homem morrerão! É bom vocês conversarem com seu patrão.
Ele engoliu seco, respirando fundo.
Finalmente se rendeu e pegou sua cerveja para beber. Ainda me olhava com descrença, mas eu apenas mantive a mesma tranquilidade de sempre.
— Algum suporte nosso? — Ele suspirou.
— Não. Só preciso de um pequeno investimento. Na prática, eu serei apenas o piloto da operação. O agente será a pessoa que quero apresentar.
Ele franziu o cenho, mas assentiu.
— Homem ou mulher?
— Homem. Policial. Vinte e um. Loiro.
— Novo! — riu. — Esperava que fosse mais adepta dos mais experientes — debochou e eu apenas ri. — Por que ele precisa vir? — arguiu desconfiado.
— Porque o novinho tem uma vida agitada na polícia. Não pode se mover numa viagem tão grande e ele é a chave para o nosso sucesso — dei de ombros.
— Quando?
— Pede para Walter ser breve. Estamos na espera de um evento. Infelizmente, não sei quando será. Pode ser amanhã, pode ser em um mês.
— Entro em contato! — Ele terminou a cerveja para levantar. — Você tem certeza disso? — perguntou.
— Não vou debochar dessa vez — ri. — Sim, tenho.
Ele assentiu, cumprimentou e saiu rápido.
— Mais uma, Joe! — Ergui a garrafa vazia.
— Brasil! — Ele brincou e eu apenas ri.
Tomei a segunda cerveja sem muita pressa. Ainda me sentia bem com a ideia de tirar aquela menina de lá — salvar pessoas era gostoso demais.
Estava terminando a minha garrafa quando Lucas entrou no bar. Parecia irritado e isso era algo que eu já não via há algum tempo.
Vestia um terno fino, parecia estar chegando.
— Brasil! — Joe brincou com Lucas.
Eu apenas o observei pedir sua dose de uísque. Não olhou em minha direção, mas ainda se aproximou para sentar na minha mesa, respirando fundo.
— Perdido? — perguntei.
— Um pouco. — Ele se recostou de olhos fechados.
— Cadê Sofia? A pequena?
— Em casa.
— Chegando de onde?
— Uma reunião horrível. — Meneou a cabeça. — Falei com Digo, ele disse que se encontraram há pouco — riu. — A parte boa disso tudo é a nostalgia...
— Ele ‘tá importante agora! — ri. — Desde quando voltou a se envolver com esse tipo de... negócio?
— Vou matar a loira. Eu não, ‘né!? — riu.
— Eita! — Preocupada, meu sorriso apagou. — Soube que ela deu um pé na bundä do alemão.
— Pois é. Matheus ligou, uma loira denunciava corrupção na polícia daqui. — Ele respirou fundo. — Um predador sexual... assassino de crianças.
Ergueu a mão para pedir outra dose.
— Cacetë. ‘Tô estressado. — Ele suspirou de novo.
— Putä merda! — Trinquei os dentes.
Nitidamente contrariado, ele silenciou. Joe se aproximou para servir outra dose que ele virou para depois se servir com outra que ele bebeu mais devagar.
Podia até imaginar a historinha e isso também me incomodou, mas foquei em manter o semblante tranquilo para não alimentar seu desequilíbrio.
— Você deveria beber tanto? — perguntei.
— Não — riu.
— Eu vou atrás, se quiser. Não precisa pagar ninguém para um serviço que eu faço muito bem...
— Tudo bem, anjo... O pessoal vai lidar.
— Sabe que eu sou melhor que qualquer pessoal — brinquei, rindo, ele acabou rindo também. — Ela está se aproximando da costa. Não tem chance nenhuma.
— Nem um pouco.
Terminei a minha cerveja e nem pedi outra para não o estimular a pedir a quarta dose. Lucas ainda levantou a mão para pedir, mas eu abaixei sua mão.
— Vamos para casa. Eu te levo — falei.
Ele bufou de raiva, mas assentiu e se levantou. Depois daquelas doses, já estava chapadinho — se tornou muito regrado desde o nascimento das crianças.
— Matheus está vindo... Que merda!
— Ela terminou a queixa? — Franzi o cenho.
— Não formalizou por não querer passar pelos exames. De qualquer forma, deixou o intuito de criar inferno bem claro... vou mostrar o inferno para ela!
Eu o apoiei para acompanhá-lo até sua casa — era tudo que eu não precisava: Lucas fora do sério.