Florela: Mais um dia na oficina. Graxa, barulho de motor, cheiro de óleo queimado e rádio chiando no fundo. O mesmo caos de sempre, mas com um detalhe diferente o clima no morro tinha mudado. Os menores não falavam de outra coisa. Chuteira nova colete de treino bolas zeradas, daquelas que ninguém tem coragem de chutar na parede. As crianças corriam pela quadra como se fosse final de Copa do Mundo. Os olhos brilhavam, os gritos subiam, e até os moleques mais marrentos tavam sorrindo sem vergonha. — Menor: Essa aqui é minha, hein! Não pisa, não! A gente ouvia daqui da oficina, entre uma batida de martelo e outra. Eu e meu pai trocamos um olhar a gente sabia não precisava perguntar foi ele. Do jeito dele silencioso sem bilhete, sem recado, sem nome colado só ação. E ninguém era bo

