Caneta: Tava na boca, resolvendo pendência. Sol ainda fraco, mas a quebrada já fervia. Menor correndo com rádio no cinto, cheiro de óleo de fritura no ar, barulho de moto descendo o beco. Mas minha cabeça...tava longe tava nela. Florela. No jeito que saiu ontem passo firme, alma ferida ela não gostou de ver a Paula ali. E eu já tinha dado um fora nela claro. Mas Paula finge que não escuta ou não entende ou finge que não entende, que é pior. Florela não falou nada, mais mas quem conhece silêncio como eu conhece... entende tudo. Foi aí que ouvi o salto batendo no concreto. Perfume doce demais pro lugar e uma voz que eu já tinha decorado e cansado. —Paula: E aí, chefe… sumido por quê? Paula chegou como quem se convida, rebolando mais do que andando, sorriso no canto da boca tenta

