3-Ícaro

1000 Words
Anos mais tarde... Não foi difícil me acostumar com o trabalho de segurança pessoal. Eu acreditava que esse trabalho era tranquilo, mas isso foi antes de eu ficar responsável por Aurora. Ela é filha mais velha de Thiago e Heloisa, e a mais traquina. Sou eu quem faço sua segurança pessoal desde que ela completou seus treze anos, e desde então ja consegui ir aos nervos algumas vezes. Sorrio ao pensar nisso. —Do que você está rindo, Ícaro? Ela me pergunta do banco de traz. —Nada não. Ela, com seus quinze anos revira os olhos e diz, como se estivesse indignada. —Não existe a possibilidade de você rir de nada. Olho pra ela pelo retrovisor. —E como a senhorita saberia? Pergunto divertido. A regra principal de um guarda-costas é "Não conversar com seu protegido, apenas quando lhe é perguntado" bom, depois que Aurora cresceu, difícilmente eu fico calado. —Por que ou você ri de algo que acabou de acontecer, ou você ri de algo que você lembrou. Franzo a testa. —É, talvez você tenha razão. Ela inclina seu nariz. —Eu sempre tenho razão. Balanço a cabeça, Deus me livre discordar de senhorita Aurora Nunes. —Você tem namorada, Ícaro? Sua pergunta me pega de surpresa. —Não, não tenho. Por que? Respondo e pergunto curioso. —Nada não. Ela diz, virando o rosto para a janela do carro. —Entendi. É tudo que falo e continuo dirigindo. Paro em frente a escola de artes, onde Aurora faz aulas de pintura, desço e abro a porta para ela. —Chegamos, senhorita. —Obrigada, Ícaro. Ela diz passando por mim e indo até a escola. Me encosto no carro e fico ali esperando que ela volte. Depois de alguns minutos ali encostado, ouço uma mulher me chamar. —Ícaro. Olho para o lado e vejo uma loira alta se aproximar. Tenho certeza que ja a vi em algum lugar, mas mesmo tentando muito, não consigo lembrar quem ela é. —Oi? Ela sorri, me olhando de cima a baixo. —Quanto tempo, achei que nunca mais iria conseguir te encontrar outra vez. Arqueio a sobrancelha. —Desculpe, eu te conheço de onde? Pergunto, não quero parecer grosseiro, mas não me lembro mesmo. Ela sorri, olha pro carro que estou encostado. —A gente se encontrou no barzinho a algumas semanas, não se lembra de mim? Sorrio amarelo. —Desculpe, não consigo lembrar. Ela balança a cabeça, concordando. —Está sozinho? Podemos tomar um café? Me ajeito no lugar. —Me desculpe, mas estou aqui a trabalho. Ela balança a cabeça. —Entendi. Bom, foi bom te ver de novo, Ícaro. —Digo o mesmo. Forço um sorriso. Não queria ser rude ou grosseiro com ela, mas a verdade é que eu não me lembro mesmo de seu nome, e mesmo se lembrasse, ela mesma falou que nos conhecemos no barzinho, e meus encontros do barzinho têm um único objetivo. Sexo sem compromisso. Não tenho um relacionamento com ninguém, nunca tive. Vou até o barzinho da cidade e ali, depois de algumas cervejas, acabo saindo com uma mulher que se aproximou ou me deu a******a pra me aproximar. Mas nunca saio com alguém sem deixar claro que o que eu quero é apenas por uma noite... Sou apreciador das mulheres, mas não quero um relacionamento com uma. —Terminou! Ouço a voz de Aurora me tirar dos meus desvandios. —Vamos então. Digo abrindo a porta do caro para que ela entre. Dou a volta, entrando no lugar do motorista —Me leve ao shopping? Ela pergunta assim que fecho a porta. —A senhorita não tem mais nenhum compromisso hoje? Ela revir os olhos. —Não, só vou lá comprar um sorvete e ja vamos para casa. Concordo com a cabeça e sigo para o shopping. Depois de estacionar, seguimos os dois até onde vende sorvete e ela pede dois cascões, me entregando um. —Pra você. Pego o meu, e digo. —Obrigada, mas não precisava. Ela balança as mãos. —Coma sem reclamar, Ícaro. —Certo. Digo sem contestar. Ela come seu sorvete em silêncio por um tempo. —Ícaro, posso te fazer uma pergunta? Passo a língua pelo sorvete que derreteu e respondo. —É claro, pergunte. Ela se ajeita no lugar. —Você nunca pensou em namorar? Franzo a testa. —Por que essa pergunta, Aurora? Ela fica vermelha. —Apenas curiosidade. Ela diz sem me olhar nos olhos. Deixo sua pergunta sem responder, por mais que sejamos próximos, sou seu segurança particular, não entendi o que minha vida particular diz respeito a ela. Terminamos nosso sorvete e vamos para casa sem falar mais nada. —Obrigada pela companhia hoje, Ícaro. —Não há de quê. Ela abre a boca pra falar mais alguma coisa, mas não fala nada. Volto para o carro e levo ele até a garagem, onde encontro Roger ja limpando o carro que ele usa. —Demorou hoje. Ele diz assim que desço. —Aurora queria tomar sorvete. Ele apenas balança a cabeça. —Vai ficar de boa hoje? Ele pergunta depois de mais um tempo. —Talvez eu vou ao mesmo barzinho. Respondo dando de ombros. —Não pensa em sossegar? Paro o que estou fazendo e o encaro. —Que foi? —Minhas noites sem compromisso estão atrapalhando alguém? Ele quem franze a testa. —Por quê? Balanço a cabeça. –Você é a segunda pessoa a me perguntar isso hoje. —Aé, quem foi o primeiro? Dou de ombro. —Aurora. —Ela te perguntou isso? Faço que sim com a cabeça. —Iiii, sei não hein. Olho pra ele de cara feia. —Não viaje, Roger. Nem comece. Ele ergue as duas mãos. —Foi m*l, irmão. Só achei estranho ela te perguntar isso. Me viro irritado. —Vamos fazer nosso serviço, ficar falando besteira não vai pagar nosso salario. Ele balança a cabeça concordando. Eu hein, era só o que me faltava.
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