4-Aurora.

1019 Words
Querido diário. Entre as lágrimas de surpresa e decepção, escrevo estas palavras. Nada me foi dito, mas é visivel e quase palpável o que sinto. Acabo de me dar conta de que estou apaixonada por Ícaro, agora me diga, de onde esse meu coração i****a tirou uma loucura dessas. Ele nunca, sequer ousaria olhar para mim. E tenho motivos de sobra para falar isso com certeza. 1-Pra ele eu sou apenas uma criança. De onde meu coração i****a tirou a idéia, de que um homem que me viu de fraldas, irá querer algo comigo. Sim, eu sei, é muita maluquice. 2-Enquanto eu ainda nunca beijei na boca, Ícaro ja deve ter doutorado no assunto. Por que seria pedir demais um homem lindo daquele nunca ter beijado. 3-Supostamente, eu sou sua patroa. Quem o contratou foi meu pai, eu sei, mas ele trabalha pra mim, e isso com toda certeza ja seria impedimento suficientes para ele. 4-Pra ele, eu não devo passar de uma pirralha mimada, sim imagino que é exatamente isso que ele pensa sobre mim. ............... —Aurora, vamos jantar. Meu pai bate na porta, me chamando. —Ja tô indo papai. Digo fechando o diário e guardando em minha caixa, depois de colocar tudo ali, digito a senha e levo a caixa até meu closet. Respiro fundo e vou até o banheiro lavar o rosto. No exato momento em que me dei conta nessa tarde que eu esfou apaixonada por Ícaro, eu comecei a chorar. Respiro fundo e me olho no espelho, tentando controlar o olho vermelho. Depois de me acalmar, desço para o jantar. —Está tudo bem, Aurora? Minha mãe pergunta assim que me olha. Dona Heloisa é muito observadora. —Está sim, apenas estava assistindo um dorama e acabei chorando. Briana, minha irmã gêmea revira os olhos. —Meu Deus, Aurora. Pra que ser tão dramática, chorar por um filme. Mostro a língua pra ela. —Meninas, por favor. Papai diz, e nos calamos, tendo uma refeição em absoluto silêncio por alguns minutos. —Bem, daqui a dois meses sairemos de férias, ja se adiantem em tudo que querem e precisam fazer, para não chegar no dia e querer ir comprar mil coisas. Todas nós, apenas balançamos a cabeça. —Apartir de agora, iremos levar apenas os seguranças, que aceitaram trabalhar durante as férias, o restante, serviço da casa e cozinha será por nossa conta, e pedimos que todas colaborem, ja avisamos, para não chegar na hora e uma ficar jogando a responsabilidade pra outra. Todos sujam, todos limpam. —Pode deixar. Nós três respondemos. Todos os anos meus pais dedicam a época das festividades de final do anos para nossa família, eles são donos das maiores empresas, do Brasil e do mundo. Quem as fundou foi meu pai, minha mãe veio de uma família simples e ralou muito até encontrar meu pai e eles ficarem juntos. Depois que nos tiveram, sempre passam as folgas o máximo possível conosco ou se não, tentam aproveitar os momentos a sós. Eu e Briana somos gêmeas, eu nasci apenas três minutos antes dela, mas isso é o suficiente para mim implicar com ela que sou a mais velha, e depois de nós, veio Cristal. Sempre ouvi e tenho ciência de que sou a mais espivitada das três, mas não veja isso como algo r**m, eu só gosto de aproveitar as oportunidades, o que preciso falar eu falo, o que preciso e quero fazer eu faço. Mas não levo isso como um defeito, mesmo sendo assim, ainda não faço isso para humilhar ou maltratar os outros. Senhor Thiago Nunes me esfolaria o couro se eu fizesse isso. Mas digo também essa parte de forma retórica, pois ele nunca encostou a mão em mim, pra me machucar. O máximo que ele faz, quando faço algo que ele discorda, e geralmente é quando nós três brigamos é deixar de castigo, ou sem celular, ou alguma coisa desse tipo. —Você ta muito calada hoje, Aurora. Ta doente? Ouço Briana me chamando a atenção. —Estou apenas pensando. Respondo remexendo a comida no meu prato. —Ah, sim... Por isso a fumacinha saindo das orelhas. É Cristal quem fala, mas ouço papai e mamãe segurarem a gargalhada. Respiro fundo. —Estou cansada, amanhã tenho prova. Posso ir descansar? Pergunto olhando para papai e mamãe. —Prova de quê? Briana pergunta e tenho vontade de socar a cara dela. —Prova surpresa. Respondo tentando controlar a voz. Meu pai ri. —Vá, Aurora. Mas não tranque a porta. Balanço a cabeça e dou um beijo em papai e mamãe, depois subo correndo. Vou até o banheiro e depois de escovar os dentes, me deito em minha cama, abraçando o travesseiro. Toc toc... Ouço as batidas na porta depois de um tempo. —Filha? Posso entrar? Minha mãe pergunta olhando pela porta entre aberta. —Claro, mamãe. Digo me sentando na cama. Ela se senta ao meu lado. —Vim até aqui saber se você quer compartilhar comigo o que está acontecendo. Engulo em seco. —Não está acontecendo nada, mãe. Respondo e a ouço rir. —Te conheço a muito tempo, filha. Sei que algo está acontecendo, mas se você não quer me contar, tudo bem, eu respeito. Balanço a cabeça. —Obrigada, mãe. Não quero falar sobre isso, não agora. Ela pega minha mão e da um beijo. —Se precisar conversar, sabe onde estou, não sabe? Balanço a cabeça e sorrio novamente para ela. Ela vem e me da um abraço apertado e depois se vai. Me deito novamente e abraço de novo o travesseiro. Não quero falar pra ninguém o que estou sentindo e principalmente o que descobri sentir por Ícaro. Não quero que isso caia nos ouvidos dele ou até mesmo que todos me achem uma adolescente iludida. Enquanto eu não souber como decifrar tudo isso, manterei esse segredo guardado. A sete chaves, em meu diário e meus desenhos, por que sim, enquanto eu decobri meu amor, eu o estava desenhando dirigindo o carro. Sim é melhor manter em segredo, Deus me livre de ele descobrir tudo isso.
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