Nós não podemos mudar as coisas que não podemos controlar, mas você não consegue nem me olhar nos olhos, se você tentar, nós podemos tentar.
Eu nos vejo dançando com nós mesmos.
Nós fazemos melhor com ninguém por perto, sim.
Imagination | Foster The People.
— Samantha, somos dois adultos e solteiros. — Willian gesticulou com os braços depois de ter entrado no meu quarto, insistindo para que a gente terminasse o que tinha começado a fazer lá na sala — Além do mais, eu sei que você quer, tanto quanto eu quero!
Proposta tentadora demais levando em conta que eu não tinha chegado no ápice do prazer, ainda.
— Não, eu não quero e você não é solteiro! — Respondi com a voz desconfigurada em uma tentativa de se esquivar dele.
Eu tinha conversado com a Lise que me relatou que o Willian enrola ela há exatamente dois anos e que eles até tentam manter um relacionamento saudável. Eu sei, eu deveria ter lembrado disso antes de o chamar pra f********o ontem e antes de instiga-lo na sala há pouco tempo. Agora eu não consigo pensar em outra coisa que não seja ele dentro de mim. Tinha sido uma escolha errada e já que posso evitar fazer de novo, eu evitarei. Para o bem da minha sanidade mental.
O Willian ria fazendo pouco caso.
— Não negue, eu vejo como fica nervosa com a minha presença, como fica excitada quando eu te toco e como seus m*****s apontam pra mim enquanto eu te como viva com o olhos. — ele mordeu os lábios meneando com a cabeça em direção ao meus s***s, fazendo com corasse por ser verídico, não sei se estou com vergonha ou p**a de raiva — tudo bem, eu já assumi que to afim, meu p*u já tá duro de novo, Samantha!
Eu quase soltei granadas com os meus olhos na sua direção, quando ergui minha cabeça. A p***a do desejo carnal é mais forte do que eu imaginava.
— Você é um cafajeste!
— E você gosta. — Completou.
Revirei os olhos.
— A Lise...
— Samantha, eu não namoro com ela! — Ele me cortou. — Afinal, o que vocês conversaram? Ela ta com muita raiva de mim nesse momento. Por que contou pra ela a nossa história?
Droga. Eu não lembro de ter contado nada sobre a gente. Mas também, como eu iria lembrar? Tinha bebido demais e me afirmo que nunca mais vou beber tanto na vida de novo. E agora meu estômago embrulha, talvez por lembrar do gosto da tequila ou de pensar que devo ter falado demais, como por exemplo, que eu rejeitei ele na adolescência.
Engoli a seco.
— Eu não lembro do que falei. — Comprimi os lábios — Desculpa se fiz vocês brigarem, não foi a intenção, eu juro! — Me justifiquei.
Talvez tenha sido minha intenção sim na hora, já que eu estava fora de mim depois de alguns shots, contudo, isso era r**m e eu deveria pedir desculpas, mesmo que as desculpas fosse pro Willian.
— Relaxa, foi um favor, acredite... — Ele disse desencontrando os olhos dos meus, com a boca curvada em um sorriso minúsculo, quase imperceptível. Mesmo com esse ar todo misterioso e insolente, não consegui me conter e não achá-lo irresistível. Me odeio por isso.
Balancei a cabeça negativamente. Como ele conseguia ser tão irritante assim e pior, como a Lise gostava dele?
— Meu Deus! — Falei analítica. — Ela gosta de você, sabia!?
— Quem não gosta? — Brincou convincente e algo me dizia que tinha um fundo de seriedade naquilo. Eu odeio também esse seu ego exaltado, sei rebaixa-lo num piscar de olhos, assim como fiz lá na sala, de um jeito que só eu consigo.
Estreitei meus olhos para ele antes de enxota-lo dali.
— Eu! Agora me deixa em paz e vaza do quarto!
— Eu também gosto dela. — Ele continuou sentado na minha frente, não dando ouvidos pro meu pedido dele sair dali e agora realmente parecia falar sério.
Tentei esconder minha cara de frustração indo direto pro guarda-roupa, procurando uma passagem direto pra Nárnia. Por que eu queria tanto que eles não se gostassem? É errado? Sim! Mas eu queria.
— E por que discutiram?
E lá estava eu, me fazendo de boa amiga. Escutando ele falar sobre seus problemas com as mulheres. Eu odiava ouvir aquilo! Odiava com todas as minhas forças! Porém eu não conseguia parar. A curiosidade em saber se iria existir alguém que fosse especial pra ele era maior. Por sorte, era sempre as mesmas coisas... Willian ficava entretido com alguém por duas ou três semanas e depois dava um fora. Só que com a Lise estava durando incrivelmente dois anos.
— Ela é muito ciumenta, insegura, surta por qualquer coisa. Gosta que eu tome o controle de tudo, sabe? Não curto isso, gosto do lance da independência. — Desabafou entrelaçando os dedos e encarando o teto branco do quarto, como se estivesse na p***a de uma psicóloga.
— Já experimentou dizer isso pra ela?
— Já, mas ela não muda.
— Talvez seja por que você não fode e nem sai de cima. — Dei de ombros, lembrando que ele é bem em cima do muro com ela.
— Samantha eu fodo muito, pode ter certeza disso. — Falou mais sério ainda não entendo que era só um modo de dizer.
— Eu não quero saber desses detalhes, me poupe disso, Carter. — Gesticulei com as mãos em negativo.
— Por que? Isso te incomoda? — Ele perguntou e tinha um brilho diferente no n***o dos seus olhos.
Fiquei sem palavras. Limpei a garganta, voltando ao assunto e deixando sua pergunta no ar.
— Você precisa pedi-la em namoro. — Dei o conselho torcendo para que ele não seguisse.
Oh céus, eu sou uma péssima pessoa, mas estou querendo ser uma boa amiga. O que vale é a intenção, Deus?!
— Não sei se quero me comprometer com ela. — Comprimiu os lábios pensativo.
— Ah Willian... — Sentei ao seu lado, soltando um ar pesado. — Você precisa saber o que quer.
— Eu sei o que quero. — Disse convincente.
— O que é então? — Perguntei esperando qualquer coisa sair da boca dele.
— Quer mesmo que eu fale? — Sua voz tinha tanta conotação s****l que quase desenhei meus cinco dedos em um lado da sua bochecha.
Mas ai eu percebi que o que ele queria era a mesma coisa que eu. Pisquei os olhos, nervosa, como sempre faço.
— Willian... — Pigarreei, desviando o olhar e trocando mais uma vez o rumo que aquela conversa tinha levado — Já teve uma amizade colorida com outra garota?
— Depende. — Ele riu descontraído. — É assim que define a gente?
— Tem outra definição? — Eu sabia que tinha, mas não sei se valia a pena dizer — Seja direto! — Ordenei.
— Tenho algumas amigas que me aliviam, mas não são tão amigas como você. — Zombou.
— Eu falo sério! Nunca tive uma amizade assim antes, você sabe... Namorei muito tempo com o Luca. — Pigarreei cabisbaixa mexendo os dedos inquietos em cima das pernas.
— Sam, a gente foi uma amizade colorida na infância ou se esqueceu das vezes que eu tive que te ensinar a beijar? Te ensinar a chu...
— Vai à merda Carter! — o cortei, antes que um sorriso malicioso brotasse no meu rosto, lembrando das cenas — Eu que te ensinei. — O alfinetei.
No caso nós dois ensinamos muitas coisas um pro outro.
— Bons tempos... — Suspirou, descontraído — Posso te ensinar a fazer outras coisas que o Luca não ensinou. Quer ser minha aluna? Me deixa e******o pra c*****o uma fantasia dessas. Você pode por até uma mini saia xadrez com essa mesma calcinha branca.— Disse rindo me fazendo rir também das suas idiotices.
— Não preciso de um professor, não sou mais uma principiante, esqueceu? — O fitei convincente.
Ele se apoiou com os cotovelos na cama, me olhando de frente.
— Você sabe mais do que eu queria que soubesse... — Sua voz saiu baixa com um sorriso pequeno na boca, e eu percebi uma sombra de tristeza ali.
— Ok. — Fechei os olhos tentando raciocinar direito. Eu realmente deveria propor aquilo? — E se... A gente tentar? Tentar ter uma amizade colorida de novo?
Quase me arrependi até ele alargar o sorriso que antes estava apagado e agora brilhava na sua boca, de uma forma muito maliciosa por trás.
— Você é muito ingênua, não se chama mais amizade colorida nos tempos de hoje. — Bagunçou o cabelos.
Suas mexas castanhas desgrenhadas no rosto o deixava ainda mais charmoso e aquilo me atraia mais do que eu estava querendo.
— Como chama então? — Franzi a testa, tentando prestar atenção apenas na fala dele.
— Sei lá, apenas "amigos que se satisfazem sexualmente e dão conselhos de vida um pro outro".
— Esse título me dá sono de tão grande que é. Resumindo: amizade colorida. — Ri — Fica até mais fofinho.
— Eu sei o que é fofinho... — Rosnou, escorregando a mão até minha b***a e cravando os dedos com força.
— Willian!? — Dei um tapa na sua mão.
Ele mordeu a boca dentro de um sorriso, depois passou a língua pelos lábios inferiores.
— Tem que ter regras! — Eu disse firme.
— Concordo. A primeira: sem compromissos.
Pendi a cabeça pro lado, o analisando melhor. O meu subconsciente gritava: Ele é um sem vergonha, sacana e filho da p**a!
Eu dei ouvidos? Lógico que não.
— Ah claro, você fica comigo e com outras milhares.
— Segunda: sem ciúmes. — Ele continuou tentando segurar uma risada.
— Ciúmes? Vou estar ocupada demais vendo qual dos seus amigos vou pegar primeiro. — Espremi os olhos, fingindo pensar. — Talvez o Alex? Humm.. Acho que sim. — Zombei vitoriosa e o sorriso dele sumiu revirando os olhos.
Amo quando dou uma nocauteada nele.
— Terceira e última: continuamos amigos acima de tudo.
Prendi a respiração depois da sua fala. Com toda a certeza essa era a regra mais importante.
— Se vermos que está atrapalhando, precisamos parar, ok? — Falei preocupada de verdade.
— Ok.
Não queria perder o Will mais uma vez, mesmo ele sendo um i****a, ele era o meu amigo, o meu melhor amigo. Assenti com a nossa ideia torta e me permiti agora sim, secar cada pedacinho do seu abdômen que estava totalmente exposto.
— Agora vamos terminar o que você fez o favor de começar, Samantha! — Ele voltou a falar abrindo o short, e eu diria quase que desesperado.
— Eu ou você?
— Preciso lembrar quem estava exibindo essa maldita calcinha branca em cima do sofá,que vai estar presente nos meus sonhos ou melhor, fantasias? —Perguntou ironicamente com as sobrancelhas levantadas. — É melhor eu me livrar delas, vem cá...
E lá estava eu, deixando ser ludibriada por todo o chame dele...
Essa proposta de uma amizade colorida me deixou animada. Eu fico feliz em ter o Will por perto e ainda poder desfrutar de algumas das suas habilidades, desfrutando do prazer que ele me proporciona. Só espero que isso não nos afaste ou destrua o que a gente tem de mais valioso: a amizade. Não quero cair dentro do joguinho perverso dele e acabar me apaixonando, ou pior, acabar o odiando.
Will me deitou na cama, quando eu o ajudei ele a se despir, ao mesmo tempo que eu escorregava minha blusa desesperada pela cabeça, mas claro que não deixei a oportunidade pra trás de ser sensual.
— Então tira logo. — Disse num tom provocante o suficiente, mexendo o quadril no meio das suas pernas.
Eu queria fazer tudo bem feito, queria ser marcante, não quero que ele pense que eu sou apenas mais uma. Eu era sua melhor amiga, a única que o conhecia de cabo a r**o. Literalmente.
— Ah Samantha... — Ele estalou com a língua, me olhando com tanta malícia que quase queimei a pele com o fogo que expelia nos olhos. — Essa calcinha é linda em você, mas diabos não vestem branco.
Suas mãos puxaram com tanta força o elástico delicado, que ele simplesmente torou. Rasgando toda a renda do tecido.
Que filho da p**a! Eu amava essa calcinha.
Depois que fiquei nua, ainda de boca aberta com aquele ato, mas não menos que excitada, peguei seus olhos escorregando por todo meu corpo me comendo viva, analisando minuciosamente cada curva minha.
Confesso que quando Luca fazia isso eu ficava constrangida, mesmo depois de tantos anos, por que eu sabia que sempre vinha um comentário m*****o depois, do tipo: você devia maneirar no chocolate.
Só que com o Willian era diferente, de uma forma boa e estranha, ele era diferente e eu me sentia desejada e não envergonhada. Por isso pegávamos fogos juntos, por que eu podia ser eu. Apenas eu, sem medo de julgamentos e restrições.
— Linda e gostosa pra c*****o — Falou com a voz rouca, enterrando o rosto na curva o meu pescoço. — E já ta molhada de novo, assim você acaba comigo, Samantha... — Seus dedos tinham encontrado minha i********e novamente, me estimulando em movimentos lentos e se ele parar...
— Ai Will... Que delicia... — Gemi quando ele penetrou com um dedo e depois outro, fazendo os movimentos de entra e sai.
— Quer que eu continue? — Perguntou com uma pitada de humor na voz e eu quase o matei só com um olhar, fazendo o rir.
— Se você fizer isso de novo...
— Vira de costas, linda. — Me cortou rapidamente — Quero te f***r assim como tava se exibindo pra mim lá no sofá. — Pediu mordendo minha orelha e me ajudando a virar de bruços.
Suas mãos alternavam entre apertos, caricias e palmadas em toda a minha b***a ao mesmo tempo que ele dizia coisas tão sujas que peguei viajando no universo dele.Ouvi suas mãos mexendo na gaveta procurando o preservativo, depois colocando apressado. Ele se apoiou com o um antebraço em cada lado meu, e foi depositando beijos molhados por toda a região da minha nuca e das costas. Aquilo me causava arrepios insanos...
Ele se posicionou na minha entrada, penetrando devagar e indo cada vez mais fundo. — Consegue ser ainda mais perfeita que ontem... — Sussurrou entre lufadas quentes nas minhas costas.
Aumentei o movimento com os quadris, subindo e descendo, querendo cada vez mais fundo. Ele continuou a com os beijos, alternando com lambidas e sugadas leves por toda a pele fina do meu ombro. Desse jeito, não ia demorar muito pra eu chegar lá.
Depois ele enrolou a extensão do meu cabelo em suas mãos, mesmo que forte, não doeu. Era tudo que eu precisava para arquear mais o pescoço e alcançar a sua boca. Nos beijamos sedentos e nossos olhares se encontraram.
— Vou gozar. — O avisei entre o beijo, sentindo uma forte pressão no meu colo.
Ele continuou com as estocadas, indo mais rápido entregando que ele também estava quase e não podia esperar mais por aquilo. Seu olhar castanho avermelhado me penetraram, dando calafrios de tão intensos. Minhas pálpebras quiseram se fechar sentindo o orgasmo chegar, mas ele impediu, pegando na lateral do meu rosto me aproximando mais ainda do seu, impedindo que eu desviasse a minha visão da dele.
Eu amo a forma que ele sabe exatamente me tocar, sua pegada é tão forte que desencadeia um lado meu que eu nunca conheci antes. Extasiante.
— Pra mim! — Ele mandou entre dentes, pausadamente com a respiração falha — Goza.olhando.pra.mim!
Soltei um gemido junto com ar o preso, chegando no ápice.
— Caralho... — Senti seu corpo estremecer nas minhas costas e os pelinhos do seu antebraço se ouriçar todos. Ele tombou pro lado puxando ar pros pulmões depois de ter ejaculado, nós dois havíamos gozado juntos. Ficou encarando o teto enquanto passava as mãos pela testa suada, me puxando para se aconchegar nos seus braços.
Eu sabia que, era naquele momento, naquele exato momento, que cada um deveria seguir para direções diferentes.
Era a hora de fugir.
Foge Samantha! Meu subconsciência avisou de novo.
Tínhamos que fingir que nada demais tinha acontecido.
Mas tinha.
Pelo menos comigo, tinha. Aquilo não era uma coisa banal. Era importante e me massacrava por dentro pensar na ideia de que pra ele podia ser tão comum e batido.
Will sorriu, me desmontando por inteira e foi nesse momento que fiquei presa e não consegui escapar. Ele me olhava cansado, enquanto tirava os meus fios de cabelos grudados no meu rosto, como se tentasse decifrar o que os meus olhos diziam. Impossível, ele nunca ia conseguir, uma das coisas que eu faço melhor na vida é esconder sentimentos.
Foi isso que eu fiz a vida toda, é uma forma de defesa pra blindar meu coração.
Nesse momento estou me blindando contra o efeito fodido que ele me causa.
Que só ele é capaz de causar.
É pedir muito? Ter um amigo assim God? :(
Só observando a Samantha dando conselhos amorosos pro boy que ela tá afim ? eu conto ou vocês contam?