Tão frequentemente eu me pergunto onde você está...
Você tem aquela cara que quase diz: "Amor, eu só sirvo para despedaçar seu coração"
Suck It And See | Arctic Monkeys
— Como é dormir no sofá todos os dias? — Alfinetei o Willian, depois de mais uma noite dentro da longa semana de 7 dias, por mim poderia ter mais, fazendo sexo loucamente em cada canto desse apartamento.
A verdade é que toda noite eu me esforçava para inventar algum assunto aleatório na tentativa de quebrar o clima amoroso demais que surgia estranhamente entre nós dois depois daquela transa fantástica que a gente vinha mantendo dentro do nosso trato de "amigos coloridos".
Tive que rir internamente pensando no quão tosco é isso. Me relembra bem a fase dos meus 15 anos, que não vivi por estar presa dentro de um relacionamento fracassado e abusivo com o Luca.
Willian me olhava com o mesmo olhar castanho travesso, levando uma mão para apoiar atrás da cabeça, com aquele típico ar displicente, depois quebrando o contato visual como quem lá no fundo sempre tem algo há esconder, sempre misterioso, respondendo perguntas com outras perguntas e lógico, sempre tentando ser mais esperto que eu. Minha dúvida é se o que ele esconde é algum sentimento ou alguma merda muito bem feita.
— É péssimo... Minhas costas estão doendo. — Franziu o rosto todo, em forma de dor. Notoriamente dramático. — Já que você quebrou aquela aposta ridículo dias atrás, eu poderia dormir aqui hoje.
Sínico.
— Nem morto, Carter. — Respondi prontamente, me lembrando do sinal mais importante: se afastar. E isso incluía não dormir na mesma cama que o seu inimigo Samantha! No caso amigo.
É... Talvez, tenho minhas dúvidas.
— Sam, venhamos e convenhamos, o intuito da sua aposta i****a era simplesmente evitar que a gente fizesse o que já fizemos, não concorda? — Ele deu de ombros, e por mais que eu não tivesse demonstrado na hora, eu tinha que concordar, era exatamente por isso. — Fizemos muito por sinal, e como fizemos... — Um sorriso malicioso brota vagarosamente nos seus lábios enquanto ele espremia os olhos, resgatando na memória todas insanidades feitas por nós na calada da noite.
Tive que pressionar as coxas na tentativa de cessar a inquietude que insistia em permanecer no meio das minhas pernas.
— Admita, é difícil me resistir. — O maldito sussurrou no pé do meu ouvido, notando meu estado.
— Pode me ensinar? — Eu ri.
— A resistir a mim? — Perguntou, alisando o queixo numa postura convencida.
— Não. A ter uma auto estima como a sua. — Eu ri mais alto, me soltando dos seus braços que estavam em volta da minha cintura e dando um soco na sua costela.
— Idiota... — Murmurou, mantendo os olhos faiscantes no meu corpo nu, enquanto eu subia os shorts do pijama — Eu não vou me levantar mais daqui. Então se quiser, durma do seu lado do colchão e eu durmo do meu.
Cruzei meus braços vendo ele pegar duas almofadas e botar no meio da cama como divisão, pelado, depois se aconchegou no "seu" lado. Repito: pelado.
— Você não vai roçar em mim enquanto eu estiver dormindo, Willian. Vai pra sala! — Mandei apontando com o dedo para a porta, mas ele deu de ombros, fingindo que já dormia.
Bufei.
Dentro desses dias, mesmo mantendo essa rotina s****l satisfatória entre nós dois, não havíamos avançado nenhum sinal para dormimos juntos depois do ato, mesmo que ambos tivéssemos capotado na primeira vez que transamos, contudo, aquilo tinha sido uma exceção depois de vários shots de tequila. No nosso acordo não tinha nenhuma cláusula que proibisse isso, mas... Dentro do medo de ser ludibriada por ele, prefiro garantir que fiquemos numa distância considerada segura.
Peguei seu pé e puxei pra fora da cama, depois seu braço, sua perna, mas não consegui, pesado demais.
— Gordo! Vai pra sala, não to brincando!
Ele riu, ainda de olhos fechados. Visivelmente eu tinha deixado ele acabado, num bom sentido, bom até demais. Já que não tinha mais forças nem para me parar de tentar tira-lo dali.
— Respeite as barreiras, fique do seu lado da cama.
— Filho da puta... — o xinguei baixo — Poderia dormir pelo menos de cueca?!
Me deitei também, do "meu" lado virada de costas pra ele, me dando por vencida e depois de alguns segundos em silêncio ele soltou:
— Vou dormir assim, na expectativa de você me acordar com um boquete, linda.
— Vai se f***r! — Falei, escondendo meu sorriso.
Vai se f***r era uma forma bonita de dizer boa noite no nosso dicionário.
— Sem conchinha, Samantha Becker! Não adianta ficar triste. — Brincou, sabendo que eu jamais pediria isso a ele.
— Só depois de morta, Willian.
— Faço das suas as minhas palavras.
Fiquei alguns longos minutos, viajando na minha mente e pensando no quanto eu me esforcei para manter forte todas as barreiras entre nós nesses últimos dias. Tarefa árdua e tentadora demais.
Antes de quase pegar no sono, fui despertada pela mão dele afastando todos os travesseiros e depois apertado minha cintura pro calor do seu corpo. Mesmo com o meu coração palpitando, notei um sentimento bom invadir meu peito. Sentimento esse que não dá para por em palavras, apenas sentir, sentir a paz que era poder dormir com ele assim.
Barreiras criadas? Em vão. Acho que já fui longe demais.
••••
Acordei na segunda de manha, atordoada com o sol queimando meu rosto, quando a cortina do quarto se abriu bruscamente pelas mãos de alguém.
Droga!
Cocei os olhos, tentando me afeiçoar com a claridade estrema, desisti sendo vencida pelo sono.
— Bom dia, Aurora! — Senti de longe a voz da Abby regada de ironia na tentativa de me irritar logo cedo, mas ai lembrei que ela tinha motivo pior do que o fato da minha pessoa dormir demais.
Eu havia dormido com o Will.
Tateei a cama na tentativa de achar o seu corpo. Nada!
— Procurando o príncipe encantado para te acordar com um beijo?
Bufei de raiva, em plena...? Não sei que horas são. Tateeio o outro lado da cama para achar a merda do meu celular, que incrivelmente não está por aqui.
— Exatamente oito e meia o que significa: atrasada! Me agradeça por te acordar e me odeie por que eu não vou poder te esperar para dar uma carona, estou mais do que atrasada também e preciso ir. — Minha amiga disse estalando um beijo irritante na minha testa e depois deixando o quarto.
— Dia pra você também! — Tentei gritar sendo vencida pela preguiça — Por que o bom ainda to com dúvidas...— Murmurei pra mim mesma.
Tive que abrir os olhos de vez para realmente me certificar que eram 8h30 da manhã, e que Willian não havia acordado na mesma cama que eu. O que me deixava curiosa demais, pra não dizer desapontada.
Não que eu esperasse mais do que isso, vindo dele. Longe de mim. Mas ter levantado, sem ao menos me dar um bom dia!?
Era só sexo, precisava ser só sexo.
Estranhei meu celular não ter despertado. Finalmente encontrei o aparelho "do lado dele na cama" e vi que na verdade ele tinha despertado sim, pelo menos umas três vezes repetidas, porém de uma maneira misteriosa, o despertador foi desativado e agora estou atrasada pra minha aula.
Maravilha! Bufei.
Meu dia ia ser corrido, eu tinha que assistir aula, fazer umas atividades atrasadas, ainda iria falar com alguns professores pedindo indicações de agências de moda para estagiar na área que mais me atraia, audio visual. Isso significa que eu preciso ter as melhores notas, que significa também que preciso estudar mais do que o considerado normal e de quebra ainda iria pro meu atual emprego a tarde.
De fato o dia ia ser longo. A rotina vinha sendo puxada. O que me relaxava era chegar a noite e sempre encontrar os cabelos pretos emaranhados, presos numa espécie de nerd/safado na frente de um notebook, me esperando no sofá com aquele sorriso pronto pra me irritar, e me aliviar.
Segui pra cozinha, rezando pra encontrar uma maçã na geladeira, me lembro que só havia refrigerante, água e cerveja da última vez que olhei.
Como eu previ, estava da mesma forma.
Maravilha! Sem café da manhã também.
A cozinha estava limpa, pelo menos. Exceto por uma frigideira usada na pia que entregava que o maldito do meu "amigo" tinha feito um café da manhã pra ele, poderia ter feito pra mim também.
Revirei os olhos.
Não dava pra esperar muita coisa do Will.
Só sexo, Samantha!
Sai do apartamento, descendo as escadas e seguindo pra faculdade.
Apressei os passos quando me deparei com ele, Willian, sentado perto da calçada do nosso prédio com um cigarro pendurado na boca. Com a típica jaqueta de couro em cima da camiseta básica e a calça surrada preta, compondo o look do bad boy esfarrapado, totalmente perdido nos seus pensamentos. Não pude deixar de notar o quão ele era lindo, sem fazer esforço algum.
— Boooom dia! — Ele rastejou as palavras animado ao notar meus passos apressados.
— Por que não me acordou, seu filho da p**a!? Ainda por cima desativou meu alarme. Agora estou atrasada... e com fome!
— Uou... — Ele riu sentindo forte o impacto do meu mau humor — Foi m*l, só tinha um ovo e eu não queria dividir.
— m*l? Péssimo seria a palavra certa! — Atirei, azeda.
Will sorriu, apertando os seus olhos, como sempre fazia quando achava algo engraçado ao mesmo tempo que soltava a fumaça.
— Admite, tá chateada por que eu me levantei primeiro sem te dar um beijinho de bom dia. Mas não se esqueça, na primeira vez quem fez isso foi você. — Arqueou uma das sobrancelhas, dando outra longa tragada.
Com toda a certeza fumar e me irritar eram as coisas que o Willian era viciado em fazer.
— Carter... Não viaja! — Falei firme, para que ele se convencesse que era só sexo. Assim como eu estava tentando me convencer também.
— Eu tive que levantar pra resolver umas coisas e sua coxa tava roçando no meu p*u. Imaginei que você fosse ficar p**a se eu te acordasse com um oral gostosinho de manhã cedo. — O maldito ria dizendo isso num ar ironia e a minha vontade era de espremer a sua cabeça em um suco e tomar de café da manhã. — Agora eu acho que devia ter o feito, já que a culpa é toda sua por me deixar e******o e de quebra eu ainda ia te deixar de bom humor, sua azeda!
— Eu teria cortado seu p*u fora, ai seria eu e você de mau humor o dia todo e de quebra você ia parar em um hospital! — Rosnei, usando sua mesma ironia, e me virando para seguir o meu caminho.
— Samantha, espera! — Ele me chamou e eu fiz questão de aprofundar meus passos cheio de ódio para bem longe.
Fome e atrasos são coisas que realmente me tiram do sério!
— É sério Sam, eu te levo até a faculdade! — Sua voz repercutiu mais alto, dentro do esforço dele em tentar me parar.
Me obriguei a me virar de volta o encarando de cima a baixo pra saber qual era realmente sua intenção.
— E se tiver tempo, te levo pra tomar um café da manhã e não ficar tão mau humorada o dia todo. Você é um porre de chata quando tá com fome... — Me alfinetou passando na minha frente, indo em direção ao estacionamento do prédio.
Havia um sorriso sincero no seu rosto, parecia de remorso por ter feito eu me atrasar. Admito que a forma como ele sorrir me quebranta inteira. Eu quase o correspondi sentindo meus lábios querendo se curvar também, mas logo parei.
Por que mesmo o Willian sendo gentil algo em mim gritava para manter uma distância? Ele tinha cara de quem ia despedaçar totalmente o meu coração.
— Não! — Saiu automático dos meus lábios recusando a carona, quando eu ainda tento lutar internamente com meu orgulho.
— Deixa de ser chata! Eu te levo de moto pra chegar mais rápido. — Disse mais alto, olhando pra trás e só agora eu noto que ele tem um capacete em mãos. — Também vou pra faculdade, apesar da minha aula ser só daqui uma hora.
Olhei pro relógio e vi que ainda daria pra assistir a terceira aula se eu aceitasse o convite do café da manhã, então o acompanhei. Não falei nenhuma palavra durante o curto trajeto até o estacionamento, evitando ter uma conversa amigável.
Chegamos lá onde eu me deparei com uma moto, suponho, coberta por um pano vermelho, que logo foi puxado por ele, fazendo minha boca se abrir em um "o" perfeito.
Era uma moto linda e descriminava exatamente o estilo dele, vermelha com detalhes em prata, brilhando mais que meus cabelos que eu hidratava religiosamente toda semana.
— Pensei que fosse uma estatueta do Oscar?!— Andei ao redor, passando a mão pelo banco de couro, ainda sim não deixando a oportunidade de irrita-lo escapar.
— É uma Harley Davidson V-Rood 2002. — Olhei para ele com a expressão de "entendi p***a nenhuma". — É como se fosse uma estatueta, em forma de moto. — Explicou calmamente, percebendo.
— Hummm... — Foi o que eu consegui dizer estreitando meus olhos pros dele, que curiosamente fugiam dos meus. — Não vai pensar que sou igual as suas peguetes todas derretidas de amor, andando nessa moto com você, Carter! — Seus lábios se curvaram, mas ele tentou se manter sério — E também não vai pensar que sou ingênua ao ponto de não saber que tem algo por trás disso. Onde conseguiu dinheiro pra comprar essa moto?
— Se eu dissesse você não subiria em cima dela. — Falou com a sobrancelha arqueada, mas sem expressar nada com o rosto, me deixando um rastro de dúvida c***l no tanto de veracidade que tinha aquela sua frase.
— Tá brincando, né? — Eu realmente estava torcendo que sim.
— Tirando o fato que vou te matar e vender seus órgãos na deep web, sim, estou só brincando. — Um sorriso malicioso corria nos seus lábios e se não fosse pelo meu medo verdadeiro, admitiria que estou até excitada com isso.
Devo ter algum problema sério quando se trata do Willian.
Eu sabia do seu amor por motos e o quanto sonhava com isso desde de criança, por que ele enchia a p***a do meu saco falando desses detalhes que ninguém entende. Sei também que o Will sempre foi esforçado. Mas a dúvida de como ele poderia ter tido dinheiro para isso se até agora eu nem o vi trabalhando? E me lembro bem do quanto o "pai" dele o odeia o fato de existir um filho bastardo, a ponto de não terem o sustentado desde da infância deixando esse trabalho pro avô e agora na fase adulta é que não iriam fazer isso mesmo.
Vi sua perna passa em volta da moto, depois meneou com a cabeça para eu subir também me entregando outro capacete e eu como uma boa mulher que tem sempre o pé atrás, imaginei exalar algum cheiro feminino acompanhando por alguns fios de cabelo dentro do objeto.
Mas não.
Tinha cheiro de novo e estava limpinho.
— É nova? — Perguntei curiosa vendo ele balançar que sim a cabeça confirmando, e depois em não, em reprovação para minha desconfiança excessiva.
O problema é que eu sabia que ele estava segurando as palavras, sabia que estava fugindo de todas as perguntas que eu queria fazer e eu sabia que tinha alguma coisa errada ali.
Muito errada.
OLHA OS SEGREDINHOS APARECENDO MEU POVO!
O que vocês acham que o Will ta escondendo? Diga seu palpite quem acertar eu invento algum prêmio ? eu que lute pra isso depois.
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