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2936 Words
Tudo o que tenho é dinheiro na minha mente. Então, só sinta minha falta com esses cinquenta milhões de problemas. Todos os dias eu acordo e tento resolvê-los, sonhando com um futuro, com alguma p***a de opção. Minhas mãos ociosas levam a pensamentos malignos. Options | Hippie Sabotage Depois da metade de uma manhã estudando que nem uma louca para um seminário em pleno início de semestre, e não ter tido sucesso na minha investida atrás de outro emprego dentro do ramo da moda, estava eu atrás do balcão do Burgues tentando ler um livro de 1500 páginas sobre o marketing de moda e me perguntando se eu não estava sendo c***l demais em desconfiar que o Willian estava escondendo algo por trás da história da moto. Difícil de se concentrar quando se tem um grupo de estudantes infernais te secando com os olhos em uma das mesas. O Jack que trabalhava comigo fritando os hambúrgueres, estava mastigando a mesma goma de mascar por quase 3 horas. Aquele barulho infernal vindo da sua boca junto com as risadas irritantes daqueles garotos estavam quase me fazendo beirar um surto. Ainda faltava mais de 3 horas pra eu me ver livre desse lugar e encontrar com a Abby em casa. Eu havia feito um drama básico para ela passar um tempo comigo assim colocando as fofocas em dias e ela tinha feito um auê insistindo que eu ajudasse ela a organizar uma festa surpresa no dia do aniversário do Willian. Confesso que dei pra trás, eu sei o quanto ele odeia aniversários e uma festa empurrada goela a baixo não ia ser de muito bom grado. Minha amiga brilhantemente decidiu por unir essas duas coisas ao mesmo tempo nos arrumávamos o seu guarda-roupa, fritando todos os neurônios para saber o que fazer para que o seu irmão,vulgo o cara que tenho dormido, vulgo meu ex melhor amigo, vulgo prefiro não dizer, não iria descobrir. Uma péssima ideia. O som estridente dos sinos em cima da porta, avisaram que alguém estava entrando na lanchonete. — Boa tar... — Minha voz parou no meio do caminho quando eu estava pensando no d***o e ele surgiu na minha frente, com a sua típica cara fechada, seu semblante sério o deixava mesmo que sem querer, mas sedutor. — Ah, é você. — Dei de ombros, fingindo não ter sido atingida pelo seu charme estonteante. — Sou um cliente também, exijo um boa tarde descente. — Levou a mão até o peito, mostrando ofensa — Ah, oi Jack. — Cumprimentou com a língua no meio dos dentes, ainda de cara fechada, o moreno estranho atrás de mim. — Se conhecem? — Perguntei curiosa, o Jack era calado até demais. Fazia alguns dias que eu havia o conhecido, no entanto ele só falava simplesmente o básico. Sua franja caia pela testa e seus olhos fundos devido a olheira em um tom cinza escuro, entregavam que ele tinha quase a feição de um maníaco. Considerando o fato que ele olhava bem estranho para todas as pessoas, principalmente as mulheres. Afastei esses pensamentos, tentando não julgar o livro pela capa. Mas logo uma luz vermelha de alerta se ascendeu na minha cabeça, da onde o Willian conhece ele? — Sou irmão do Danver. — Jack respondeu seco, e eu até estranhei ouvir sua voz. A minha consciência está pra lá do que pesada nesse momento. Desconfiando do Willian por causa da moto e depois da sua relação com o Jack. Estou enchendo a minha mente de paranóias e é inevitável não lembrar da Lise. Eu escutei todos os desabafos do Will nas madrugadas de cinema pós sexo e sei bem o quanto ela estava perseguindo ele por todos os lugares. Comprimi os lábios me lembrando que não tenho motivos pra ser assim, ainda mais quando se trata dele. Não temos nada. — Ah que legal Jack, podíamos marcar algo pra fazer juntos. — Tentei ser simpática, ao mesmo tempo retirando os preconceitos da minha cabeça e me enturmar, já que o Danver era namorado da Abby e poderíamos curtir todos juntos, eu acho. O Will me encarou estranho, levando os dedos até o queixo. — Ta chamando ele pra um encontro? Quase engasguei com a minha própria lerdeza. — Ah não! — Falei alto o bastante pro estranho escutar e depois tentei falar mais baixo. — Ele só é meio... — Estranho. — Will completou rapidamente. — Eu ainda estou aqui. — Jack disse, distendido e eu me surpreendi novamente ao ouvir sua voz, ele m*l fala, estranho é pouco. — Will quero falar com você. Podemos? — Ele se apoiou no balcão encarando de frente o Will. Uma ruga de duvida se formou no meu rosto quando eu fitei os dois bem no meio deles, meus olhos corriam do rosto maníaco do Jack e quase eu brinquei com a situação quando meus olhos foram pro Will, quase, se o ele não tivesse ficado tão tenso como ficou depois disso. — Depois a gente conversa, Jack. Não é o momento! O clima pesou dentro da lanchonete pequena. Sua postura se enrijeceu e seu maxilar travou na mesma hora. Semicerrei meus olhos pra ele, desconfiada. Novamente, desconfiada. Desejei que tudo fosse apenas a minha intuição falhando novamente nos palpites da minha vida. O problema é que ela nunca falha. — Sam, dá uma olhada nos hambúrgueres lá dentro. Pode deixar que fico por aqui... — O garoto estranho me lançou, me empurrando pra cozinha, insistindo em um ter um momento a sós com o Will. Não queria ser a chata e escutar a conversa deles, me repreendi mais uma vez tomando como exemplo a "Lise surtada", então eu fui, porém com um sinal de alerta ainda piscando na minha cabeça. Algo me dizia que eles não ia conversar sobre coisas banais, como falar de mulheres, ou sobre apostas de times. Algo me dizia que ia além disso... muito além. Amaldiçoei a Samantha mentalmente por ter me deixado sozinho com aquele filho da p**a do Jack. Eu tinha vindo aqui de forma despretensiosa comprar hambúrgueres pra mim, mas o plano era fazer ela pensar que seria pra Lise. Só queria ver aquela sua carinha fumaçando de raiva. Irritar ela diariamente tinha entrado na minha rotina desde de que ela havia chegado aqui, por mais que ela não percebesse e mesmo que dissesse não se importar, eu sabia que no fundo ela se mordia de raiva, ou pelo menos eu alimentava essa esperança dentro de mim me saciando com um sentimento ilusório. Agora meu plano foi por água a baixo e o cara com pinta de maníaco está me encarando com um sorriso matador no rosto. Ele passara a semana inteira na minha cola e eu tentei me esquivar de todas as formas, mas fui burro o suficiente para ter vindo parar bem no meio da teia de aranha dele. — Olha Jack, nem vem... Já sei o que você quer. — Tentei afastar qualquer possibilidade dele pensar que vou ajudar ele com isso. — p***a Willian — Falou frenético, mordendo os lábios— Só tenho você pra me ajudar com isso. — Seu corpo estava se aproximando cada vez mais, com raiva. Respirei fundo sentado no banco comprido ao lado do balcão do caixa, onde a Sam fica, aproveitando para passar os olhos pelo local, percebendo que não estávamos sozinhos. Precisamos falar com cautela. — Jack, escuta! — Me aproximei do seu rosto, quase cochichando — você sabe que aqui não é local pra isso. Não dá cara, não posso te ajudar e o assunto morre por aqui. Fim de papo! — Não, Willian! Qual a parte que você não entendeu? Eu preciso, preciso muito! — Cerrou os pulsos em cima da madeira escura, insistente, falando mais alto do que deveria. — Fala baixo, p***a! — Mandei, olhando de soslaio aqueles garotos que tinham até se calado a fim de ouvir o que se passava ali comigo e o Jack. — Se você não me ajudar, eu vou falar pra Abby! — Sua voz era cheia de intimidação e eu fui obrigado a o encarar firme. Meus pulsos cerraram também e eu rezei mentalmente que ele não continuasse com aquilo. — Vai em frente! — Dei de ombros tentando criar alguma estratégia para lidar com um louco — Você precisa entender que meu negócio é apenas online, com pessoas que eu não conheço. — Puxei a gola da sua farda polo, tentando soar o mais intimidador possíveL — Se eu fizer isso pra você, eu sei que cedo ou mais tarde quando a polícia te perseguir, você vai abrir o bico me ferrando — pausei e fitei suas íris pretas se moverem dentro da bola branca dos seus olhos nervosos — E se isso acontecer, meu anonimato acaba totalmente, sem contar que o Danver me odiaria pro resto da minha vida e eu preciso te lembrar que ele namora com a minha irmã? Que é a única pessoa da minha família que me apoia?! — Minha voz saiu entredentes e pela postura tensa nele causei o efeito de medo que queria. — Eu vou ficar na minha se você me ajudar, agora se não, eu posso denunciar seus negocinhos sujos da dark web, sabe disso né? — O filho da p**a disse ajeitando o tecido esticado da blusa, com um sorriso m*****o nos lábios e ai eu conclui que ele é louco mesmo — Sabe que suas chantagens não cola comigo não é? Você pode ser doido, mas sou pior que você, acredite! — Soltei, tentando ainda entender uma forma de lidar com isso e passando novamente o olhar pelo bar. Meus olhos congelaram naqueles garotos que estão olhando de volta pra mim. Tento parar de pensar que eles estão escutando minha conversa e imagino o quão louco isso parece ser. Será que loucura contagia? Só pode ser isso. O Jack é doido de pedra. Mas eu sabia que era algo além disso, algo bem mais sério, era interno algo meu, era mais um monstro que estava prestes a se mostrar dentro de mim. — Meu lance é apenas a grana e não divulgação, Jack! É sério, não vai rolar. — Tentei finalizar a conversa e correr dali, mas não deu, ele conseguiu chegar num ponto que prendia a minha atenção. — Willian, eu vou te pagar, vou te pagar muito bem se me ajudar. Dinheiro. Muito. Muito dinheiro. Engoli a seco, afastando qualquer tentação fodida de dentro da minha cabeça. Jack é um louco e egoísta que queria sumir com toda a grana da sua família. Seus pais haviam o deserdado e o excluído, desistindo dele depois de tantas tentativas de que ele agisse como um jovem normal. O único esforço que ele poderia fazer, era ir em algum centro psiquiátrico tratar a esquizofrenia e começar um tratamento. Mas não, ao contrario disso ele anda por ai botando em risco a vida de outras pessoas e pior de tudo, tem prazer nisso. Com isso o Danver havia se tornado o filho perfeito, por cursar administração e seguir os passos do pai milionário, já o Jack não passava de um alienado que se metia em problemas todo tempo. Seu plano era hackiar o sistema bancário do U.S Bank Tower onde seu pai era um dos CEO'S, tudo isso como tentativa de vingança e uma forma pra ele f***r com toda a família milionária. Só que ia muito além de um trauma de criança, ele ia f***r o pai, os acionistas, os clientes, o banco inteiro e eu, claro. Eu hackiava sistemas ilegalmente todos os dias, era normal na minha rotina de deep web. Mas nada de tão grandioso quanto o U.S Bank. Estou ponderando realmente tudo, desacredito que Danver mereça isso. Além de ser um dos meus melhores amigos ele é meu cunhado. Me acolhe em sua casa, me escuta sempre, me ajudou quando precisei de grana e encobre todas as minhas merdas da minha irmã, que é outra pessoa que sempre esteve do meu lado, independente de tudo, até mesmo quando eu pedi para ela esconder o meu paradeiro da sua melhor amiga. Serei um grande filho da p**a se aceitar entrar de cabeça no plano louco do Jack, posso me considerar tão i*****l quanto ele. Eu até me compadeço com a sua história, por que é bem parecida com a minha. Mesmo eu amando a minha irmã mais do que a minha própria vida, não posso negar que ela sempre foi a filha dos sonhos que meus pais sempre quiseram ter, enquanto eu sou só um fodido que tem ansiedade e não sei lidar com os problemas da vida. O porém é que o que Jack está me pedindo custaria não so a sua liberdade, como a minha também. Ia além de compaixão pelo seu desequilíbrio mental. Não era simplesmente hackiar um sistema bancário, era um roubo épico, que seria notícia na p***a do mundo todo. Sem sombra de dúvidas é a ideia mais maluca e sádica que eu já vi. Seu olhar vidrado permanecia em mim, esperando uma resposta, me incomodando pra c*****o por dentro. Dinheiro, era bem tentador pra mim. — Ok... Ok, preciso da um empurrãozinho pra você decidir? Que tal essa? — Ele sufocou uma risada como se fosse contar uma piada — E se eu disser pra Sam? Bufei, o Jack não ia parar com as chantagens até conseguir o que quer. — Jack, você tem que ficar calado, p***a! Esse assunto é sério e se você abrir o bico eu vou te ferrar também, entendeu? — Rosnei pra ele, depois me dando conta que os garotos olhavam pra mim e falavam bobagens entre si. Porra, será que alguém ouviu? A dúvida ficou mais forte quando eles me viram os encarando de volta, então pararam de cochicar no mesmo momento. Tornando o silêncio ensurdecedor. Meu sangue começou a ferver com a p***a da adrenalina e eu estava ficando ansioso, fora de mim. Não me contive. — Que p***a vocês estão falando? Em p***a?! — Gritei, indo na direção deles. — Nada cara, relaxa. — Um deles falou, espantando. — Relaxa o c*****o! — peguei o garoto pelo pescoço — Se você tiver escutado algo aqui e abrir a p***a da boca, vou descobrir onde mora e acabar com a tua vida, ouviu? O garoto não respondeu nada, ficou me olhando com medo faiscando nos olhos e quase lagrimas escorreram, foi ai que eu vi que não passava de um muleque de 14 ou 15 anos. Droga. O soltei e o grupo de amigos saíram do local praticamente correndo e eu pude notar os olhares na minha direção como se eu fosse um delinquente violento. Realmente eu estava me sentindo assim, sai completamente do controle. Minha respiração ficou totalmente descompassada, olhei para o Jack e ele agia com naturalidade, aquilo era normal pra ele e me odiei por concluir que eu e o ele temos mais coisas em comum do que eu imaginava. Não vendo outra saída e sem pensar direito, eu fui obrigado a fazer isso. — Não fale nada pra, Sam — Apontei um dedo na cara dele, ainda com a raiva me corroendo — Me encontra as 22h ao lado do meu prédio! Foi minha última frase até ela aparecer novamente por trás do balcão, abastecendo um refil na maquina de refrigerantes. Samantha é esperta e com certeza já tinha se tocado que tinha alguma coisa errada. Não me importava se meus amigos, até mesmo a Abby, ficassem sabendo do meu trabalho sujo na maldita deep web. Eu só não estava preparado para o que a Samantha acharia, preparado para forma que seu julgamento viria, e se ela me aceitaria depois de saber. Eu não queria nunca mais perde-la e é dolorido assumir isso pra mim mesmo. Sabia que pra ela seria difícil de entender que eu não sou mais o mesmo garoto que ela deixou a fodidos 7 anos atrás e que muita coisa mudou por aqui. Sou outra pessoa, com mais problemas que antes, que talvez, quase certeza, que ela não estivesse disposta a lidar. — Tá tudo bem ai? — Perguntou sorridente, mas tinha uma sombra de desconfiança no seu rosto. — Uhum. Que horas você sai? — Perguntei me desligando totalmente daquele momento desagradevel que eu tinha acabado de passar. — Ainda faltam longas 3 horas de trabalho. — Respondeu ainda com um sorriso fraco no rosto. Ela estava cansada, muito cansada. Sabia do seu esforço diário, reversando trabalho com estudos, ela merecia algo melhor, um emprego melhor. — Ok, vou nessa. — Me despedi, lhe devolvendo um sorriso fraco também, mas não por ver ela, e sim por que estou sentindo aflorar algo terrível dentro de mim, a ansiedade misturada com o cansaço mental. Ela baixou a cabeça e me lançou uma piscadela, "te vejo a noite" me soprou com seus lábios carnudos e vermelhos, adorável demais. Então decidi fazer uma surpresa quando ela entrou novamente pra cozinha da lanchonete. Escrevi um dos meus velhos bilhetinhos, como de costume e colei em baixo do balcão, bem no lugar onde ficava a maquina registradora. Deep web (Internet Profunda, em tradução livre segundo meu mano google) é uma área da Internet que fica "escondida" e tem pouca regulamentação, ou seja, lá você encontra de tudo. Que varia entre coisas ruins e coisas muito ruins, um exemplo disso, é que nosso amigo Willian hackeia sistemas ilegalmente. ?‍♀️ Não façam isso com o coleguinha, não deixa de ser um crime e dá cadeia. Alguém acertou nos palpitess DE UM dos segredos do Will? O que acharam?
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