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2541 Words
Todos aqueles maravilhosos momentos, querida, baby eu sinto muita falta. Bem lá no fundo, você precisa disso, eu vou te dar meu amor. Whole Lotta Love | Led Zeppelin Continuei com o meu trabalho, reversando em ficar no caixa e organizar algumas coisas lá dentro até dar a hora de sair. Mas meu pensamento insistia em ficar longe, não n**o, Willian tem martelado na minha cabeça mais do que deveria. Só podia ser coisa da minha imaginação quando escutei sua voz falar mais alto e sussurros de medo que pareciam ser daquele grupo de garotos que estavam sentados em uma das mesas. Esperei por alguns minutos e não segurando a inquietação dentro do peito, reapareci lá na frente da lanchonete, pegando ele totalmente desconcertado com o maxilar trincado e pálido. Parecia assustado? Com raiva? Ansioso? Bufei por não conseguir dizer, o ar de mistério me deixa com um pulga chata atrás da orelha, pra não dizer bem preocupante. É que conversa entre ele e o Jack parecia ser bem estranha, aliás, tudo que envolvia o Jack era estranho. Afastei esses pensamentos da minha cabeça quando o silêncio ensurdecedor daquele local — que agora é bem sinistro pra mim, depois desse episódio — foi quebrado pelo toque do meu celular que vibrava no bolso. Às 20:57, uma mensagem dele, Will, sorri percebendo que ironicamente ele estaria pensando em mim ao mesmo tempo que eu pensava nele. [20:57] Carter ??‍?: já te disse que vc fica uma delícia com essa farda? Tanto... que preciso rasgar ela do seu corpo ? [20:57] Carter ??‍?: Mais tarde? 6️⃣9️⃣ Larguei o aparelho no balcão, enquanto trancava o caixa, sei que estou rindo abobalhada ao ler aquelas mensagens dele com emoticons de safadeza, me pegando totalmente desprevenida e só assim conseguia me animar depois de um dia tão cansativo. Mordi os lábios pensando no que responder, quando o celular vibrou de novo. [20:58] Carter ??‍?: Deixei uma coisa pra vc, em baixo da caixa registradora. Abanei a cabeça pros lados, com a língua entre os dentes. Como ele conseguia com tanta facilidade despertar esse sentimento de adrenalina misturado com felicidade por simplesmente estar flertando por mensagens? Meu estômago nesse momento revira 360 graus dentro do corpo. Tateei com a mão até encontrar um... bilhete?! Soltei outro sorriso bobo quando meu queixo caiu, ao ler o que tinha escrito nele. Isso é alguma pegadinha? Demorei alguns segundos assimilando aquilo com o papelzinho em mãos. Um certo receio de olhar e encontra-lo ali passou pela minha cabeça, isso me desestabilizaria por completo. Escorreguei a visão por todas as mesas até chegar na última, justamente na que ele estava, do lado direito. A roupa preta de sempre, o cabelo caído esquadrinhando os olhos escuros e os cantos da boca curvados em um pequeno sorriso, o malicioso de sempre, me estremeceu de imediato. É impressão minha ou ele anda ainda mais bonito a cada dia? Atravessei o balcão e fui em sua direção, tentando manter os lábios comprimidos, em uma tentativa falhada de sufocar o sorriso bobo que insistia em fica no meu rosto. — Ok, palhaço, o que faz aqui de novo? — Parei na sua frente, cruzando os braços ao mesmo tempo que minhas sobrancelhas arquearam. — Sorrir assim, sempre que te mando mensagens? Ou só quando te mando mensagens, falando p*****a? — Perguntou com a voz banhada em hostilidade, se levantando e dando passos ao meus redor, assim como um leão prestes a dar o bote em um presa. Troquei o peso das pernas enfraquecidas com a sua postura analítica, quando respirei fundo me sentindo corar por ele ter visto a minha reação ao ver seu nome brilhar na tela. Odeio quando ele percebe que tem esse efeito sobre mim, e me odeio mais ainda por não conseguir conter. Mordi a língua tentando achar um resposta que me trouxesse de volta ao controle. — Só estou de bom humor, Carter! — Huh. — Foi o que ele disse, obviamente nada convencido por aquela desculpa esfarrapada que eu inventei para esconder que, sim, eu sorrio feito boba toda vez que ele me manda mensagens, falando p*****a ou não. — Vou te levar pra casa! Vamos? — Hã? — Questionei, quase incrédula. Por que ele faria isso? Já tinha me levado hoje mais cedo pra faculdade. Estreitei os meus olhos em sua direção. O quão ingênua ele pensa que eu sou? — Quais são as suas intenções comigo? — Mente suja em, Sam?! — Um riso genuíno e ao mesmo tempo cheio de safadeza escapou dos seus lábios. — Só quero te dá uma carona, parece cansada. Realmente eu estava, bufei ao lembrar que tinha prometido a Abby em arrumar o seu guarda-roupa ainda, então dei de ombros e seguimos até onde sua moto estava estacionada. — Se importa? — Ele perguntou, tirando uma carteira de cigarros do bolso. Balancei a cabeça que não, me sentando numa mureta de tijolos. A rua tinha pouca iluminação, havia apenas uma luz amarela que vinha do poste e estava bem em cima da nossa cabeça. O clima estava agradável para Los Angeles. Soprava uma brisa mais fria do que o normal. Ele se escorou do meu lado, tragando forte a fumaça pros seus pulmões. Me entregou sua jaqueta jeans e eu franzi a testa, novamente, antes de pegar de suas mãos. Ele insistiu que eu ficasse com ela, até comprar mais roupas de frios para a nova estação que estava chegando. E inevitavelmente estranhei novamente o cavalheirismo extremo e inusitado de Willian Carter. — Will? — o chamei, incrédula — O que aconteceu com o ogro que habita dentro de você? Ele riu. — Continuo sendo um ogro e continuo te achando chata pra c****e! — Eu ri — Só estou tentando manter a paz entre a gente. É tão inacreditável assim que alguém te trate bem? — Questionou seco, e aquela pergunta me incomodou. Aham. Willian tentando manter a paz? Era um tanto quanto estranho. Levei meus olhos até os seus, desconfiada até demais das suas boas intenções. Cruzei as pernas desconfortáveis na mureta, sentido meu corpo ficar rígido. — Não é isso... — Respondi em um fio de voz, enquanto abraçava meu corpo. — Ok, desculpe... Não queria dizer isso dessa forma e acabar sendo grosso. — Me falou pegando minha mão e me encarando com os seus olhos mais pretos que o normal, devido a pouca luz e tão intensos como sempre. Seu toque somado com a sua encarada, me deixou mais nervosa ainda, fazendo formigar exatamente onde ele havia pegado. — Sua grosseria não é novidade pra mim, novidade pra mim é você ser legal comigo. É só isso! — Digamos que você precisa de alguém legal que cuide bem de você. — Ele deu de ombros beijando as costas da minha mão e depois jogando a bituca do cigarro já fumado no chão. — E você é essa pessoa? — Quando me dei conta as palavras já haviam saído da minha boca. Willian desviou o olhar imediatamente, como se tivesse percebido que eu lia exatamente o que sua mente estava pensando. Finalmente, ele baixou a guarda e eu consegui ver atrás de toda a áurea misteriosa que havia nele. Mesmo que por poucos segundos. Ele tirou o segundo cigarro do bolso e ascendeu fazendo uma concha com a mão, para o vento frio não apagar. Tragando e depois soltando o ar preso junto com a fumaça, ele voltou a dizer: — Eu sou o cara que vai cuidar de você até a pessoa certa chegar. Um lado dos meus lábios se curvou em um sorriso totalmente sem força. Não sei se seria carência ou um sentimento que estava morto dentro de mim, ressuscitando, mas por um momento, eu quis ouvir de sua boca que ele sempre foi a pessoa certa. Balancei a cabeça pros lados e apertei forte os olhos, distanciando esses pensamentos idiotas da minha cabeça. — Will.. — Comecei a falar fugindo do assunto e fitando cada gesto que ele fazia enquanto fumava. — Não imaginei que você fumaria um dia. — Já faz alguns anos. Eu sei, é um vício fodido. — Riu amargo — Sério que não sabia? Pra mim eu já tinha te contado. — Ele semicerrou os olhos, como se resgatasse uma lembrança na sua cabeça. — Não, eu não lembro de ficar sabendo disso. Até por que se eu soubesse eu encheria a p***a do seu saco para parar o quanto antes. Você sabe disso! — Disse firme. Suas íris negras voltaram para as minhas e demoraram, parecendo ver se havia verdade ou não no que eu dizia. — Você ainda escreve? — Perguntou, mudando abruptamente de assunto novamente, umedecendo os lábios e baixando a visão para o chão quando começou a chutar algumas pedrinhas de cascalho. E acreditei que realmente era a sua intenção, fugir do tema anterior. — Sim, continuo amando escrever e faço isso sempre que tenho tempo... — Respondi tentando soar mais animada. — Qual foi a última coisa que escreveu? — Ele continuou sua visão pro chão, mas tinha curiosidade na sua fala, depois deu a tragada final jogando a segunda bituca no chão. Eu sorri lembrando. A última coisa que eu escrevi foi uma carta, inacabada, pra ele. No momento que eu estava fazendo ela, não imaginei que o veria algumas horas depois. Eu mudaria tudo que tinha escrito lá e ao mesmo tempo não mudaria nada. Ele é outra pessoa, mas continua sendo o meu Will... Insuportável, prepotente, lindo, atraente. O meu Will de sempre. — Quer mesmo saber? Ele balançou a cabeça que sim, quando seu olhar desceu até o meu sorriso. O espaço entre nós dois, de repente, se tornou pequeno demais. — Por que a graça? É só uma pergunta boba. — Disse tranquilo, formando um sorriso nos lábios também. — Eu sei. É que... a última coisa que eu escrevi... — Prendi o ar na expectativa da gargalhada que ele daria ao ouvir. — Foi uma carta pra você! Sua postura mudou de tranquila para sério, seu maxilar travou e ele me encarou estático. Totalmente ao contrario do que eu havia imaginado. — Então faz muito tempo que não escreve. — Disse sério, ainda paralisado. — Não. — Discordei. — Na verdade eu estava fazendo essa carta um dia antes de chegar aqui, mas não tive tempo de terminar... — Encostei minha cabeça no seu ombro, tentando quebrar o clima pesado que estranhamente ele havia adotado. — Sam... — Ele fez uma longa pausa. — Faz anos que você não me escreve. — Sussurrou. Permaneci com a minha cabeça ainda no seu ombro, e antes que eu pudesse encara-lo confusa para explicar que eu escrevi pra ele durante todos esses anos, uma buzina chata tocou à um metro da gente, entregando que tinha alguém nos observando. Os cabelos pretos, por traz do fumê escuro do carro revelaram que era a Lise. — Will? O que faz aqui? — Ela perguntou sorrindo baixando o vidro, analisando eu e ele sentados um ao lado do outro, depois o sorriso dela se apagou quando seu olhar pousou em cima da mão dele sobre a minha. Droga. Willian não disse nada, apenas desfez o nosso toque, se levantando da mureta e indo em direção da moto, destravando-a e subindo depois. Meus olhos iam dele para Lise varias vezes em um único segundo, até eu perceber sua mão estendida até a mim para me ajudar a subir também na sua moto. Permaneci paralisada, tentando assimilar a estranheza que tinha no olhar da garota somado a indiferença que tinha nos dele. — Espera ai... — Ela disse cheia de acidez na voz — Você está dando carona para ela? — A testa dela se franziu e um sorriso amargo surgiu — Na sua moto? — Quê que tem? — Will perguntou ríspido, fechando os olhos, levantando a cabeça para respirar fundo, como se pedisse paciência aos céus. — Quê que tem?! Quê que tem é que é a sua moto e você não deixa ninguém subir nela, nem mesmo a Abby e muito menos eu...? — O tom de voz dela ia aumentando conforme ia soltando as palavras, mostrando o quanto ela se sentia ofendida e ameaçada com aquilo. Fiquei na dúvida se ela perguntava isso ou afirmava. Não pode ser verdade, eu andei nessa moto hoje de manhã. Olhei novamente pra ele confusa, esperando uma resposta que me explicasse aquela situação patética que eu estava metida, mas ela não veio. — Isso não é da sua conta Lise! — Claro que é Will! Preciso te lembrar toda hora o que a gente tem um com o outro? — Lise!? — Ele tentou a parar, com o maxilar trincado em pura irritação. E eu fiquei sem saber se eu ficava na minha ou dizia o quanto ele era i****a por dar esperança aquela garota. — Preciso lembrar quais são as suas intenções toda vez que você aparece na minha cama no início noite? Espera! Inicio da noite? Um ponto de interrogação nasceu no meu rosto, sem motivo, por que eu sabia muito bem a resposta daquilo tudo. Eu e ele ficamos, ou melhor, transamos todos esses últimos dias a noite também, a diferença é que ela vinha primeiro que eu?! — Não viaja, você decidiu parar, esqueceu? Faz tempo que não nos vemos. Não exija exclusividade se não temos mais nada. Relaxei os ombros, sentindo um certo alívio em saber que não tava metida no relacionamento deles, mas mesmo assim a palavra "péssima" descrevia perfeitamente meu estado de espírito por toda essa conversa. — Então quer dizer que anda saindo com ela? — Ela apontou o dedo pra mim, fazendo pouco caso totalmente. Soltei uma risada nasalar, tentando acreditar que ela estava abalada emocionalmente e não sabia o que dizia. Só espero que ela saiba que paciência tem limites. — Não foi isso que eu disse e eu não vou bater boca com você! — Willian rastejou as palavras com a raiva fumaçando no rosto, depois se dirigiu a mim, em um tom autoritário até demais — Sobe na moto agora Sam! — Não! — Respondi, assustada — Não se preocupe, eu vou embora sozinha. Lise deu uma risada, como se achasse tudo aquilo uma grande piada. — Vamos garota, aproveite a caridade que ele está te fazendo e não perca a oportunidade de ser a única capaz de subir nessa maldita moto! — Falou enfurecida gesticulando com os braços, fazendo um perfeito espetáculo de ciúmes. Depois saiu com tudo no carro, cantando pneu. Meu queixo caiu. Então era verdade? Ele não dava carona ninguém na moto e eu seria a primeira? Não é possível. O que está acontecendo aqui? O que está acontecendo entre a gente? O que vocês estão esperando dos próximos capítulos desse emaranhado todo meu povo? Kkkk Meus amores, o que tenho pra dizer é: não sejam paranoicas e nem rivais das amigas, colegas, ex de qualquer pessoa com quem estejam se relacionando. Eu trouxe isso pra cá, não com a intenção de romantizar e sim por que é mais comum do que pensamos e tem um total peso no desfecho final. Entãoooo é isso! Beijinhoss..
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