lua de mel e a conversa

568 Words
Assim que ficou sozinha, Elisa tirou a maquiagem com pressa. Como se cada camada fosse um peso que precisava cair. Prendeu o cabelo ruivo de qualquer jeito, deixou o vestido escorregar pelo corpo e vestiu uma camisola leve, simples, fresca. Sentou-se na cama por alguns segundos, respirando fundo, tentando fazer o coração desacelerar. O silêncio ali era diferente. Não era opressor. Era apenas… silencioso. No outro quarto, Elijah também tomou banho. A água escorria pelos ombros largos, mas a mente estava longe. Ele sentou na beira da cama, os cotovelos apoiados nos joelhos, olhando para o nada. Não sabia exatamente como agir, nem o que fazer certo, mas tinha certeza de uma coisa: Ele não deixaria ninguém mais decidir por ela. Quando saiu do quarto, passou pela porta dela. Parou. Hesitou. Apenas encostou a mão na madeira por um segundo. Entrou em silêncio. Elisa estava deitada de lado, acordada. Ele se aproximou devagar, como se tivesse medo de quebrá-la. Abaixou-se e deu um beijo leve nas costas dela. Um gesto rápido, respeitoso. Nada exigente. — Descansa — murmurou. E voltou para o próprio quarto. --- A Manhã Seguinte Elijah acordou primeiro. Pediu o café da manhã e, depois de alguns minutos, foi até o quarto dela. Bateu de leve. — Elisa? Ela se mexeu, ainda sonolenta. — Hm? — Desculpa te acordar cedo demais — disse, com a voz calma. — O café chegou. Se você quiser… — Tá tudo bem — ela respondeu, sentando devagar. — Já vou. Eles comeram juntos na varanda, de frente para o mar. Sem pressa. Sem câmeras. Sem plateia. — Obrigada… pela noite — ela disse, mexendo no prato. — Por respeitar. Ele assentiu. — Eu disse que não faria nada que você não quisesse. Ela respirou fundo. O assunto pesava no peito. — Elijah… eu preciso perguntar uma coisa. — Pode perguntar. Ela hesitou. — Você… concorda com o seu pai? Com isso de contrato… de filho… de obrigação? Ele largou os talheres imediatamente. — Não. Ela levantou os olhos, surpresa. — Meu pai acha que tudo pode ser resolvido com dinheiro e controle — ele continuou. — Mas isso não é assim. Não comigo. Ela engoliu em seco. — Porque às vezes eu fico pensando se eu sou realmente… obrigada. Se a gente tem que ficar junto pra isso acontecer. Se eu não tenho escolha. Ele se inclinou um pouco para frente, sério, firme. — Elisa, escuta bem o que eu vou te dizer. Ela o encarou. — Você não é obrigada a nada. Nem agora. Nem em cinco meses. Nem nunca. — Mas o contrato… — Que se dane o contrato — ele interrompeu. — Filho não é cláusula. Casamento não é prisão. E você não é um corpo pra cumprir prazo. Os olhos dela se encheram de lágrimas. — Eu não quero agora — ela sussurrou. — Eu não sei se um dia vou querer… assim. — E tudo bem — ele respondeu. — A decisão é nossa. E só acontece se os dois quiserem. Ela respirou fundo, como se tivesse tirado um peso enorme do peito. — Obrigada… de verdade. Ele assentiu. — A única coisa que eu te peço é sinceridade. Comigo. Sempre. Ela fez que sim. Ali, naquela varanda nas Maldivas, Elisa entendeu algo que nunca tinha vivido antes: Ela ainda estava presa a um contrato. Mas, pela primeira vez… não estava sozinha dentro dele.
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