Assim que ficou sozinha, Elisa tirou a maquiagem com pressa.
Como se cada camada fosse um peso que precisava cair.
Prendeu o cabelo ruivo de qualquer jeito, deixou o vestido escorregar pelo corpo e vestiu uma camisola leve, simples, fresca. Sentou-se na cama por alguns segundos, respirando fundo, tentando fazer o coração desacelerar.
O silêncio ali era diferente.
Não era opressor.
Era apenas… silencioso.
No outro quarto, Elijah também tomou banho. A água escorria pelos ombros largos, mas a mente estava longe. Ele sentou na beira da cama, os cotovelos apoiados nos joelhos, olhando para o nada.
Não sabia exatamente como agir, nem o que fazer certo, mas tinha certeza de uma coisa:
Ele não deixaria ninguém mais decidir por ela.
Quando saiu do quarto, passou pela porta dela. Parou. Hesitou.
Apenas encostou a mão na madeira por um segundo.
Entrou em silêncio.
Elisa estava deitada de lado, acordada. Ele se aproximou devagar, como se tivesse medo de quebrá-la.
Abaixou-se e deu um beijo leve nas costas dela. Um gesto rápido, respeitoso. Nada exigente.
— Descansa — murmurou.
E voltou para o próprio quarto.
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A Manhã Seguinte
Elijah acordou primeiro.
Pediu o café da manhã e, depois de alguns minutos, foi até o quarto dela. Bateu de leve.
— Elisa?
Ela se mexeu, ainda sonolenta.
— Hm?
— Desculpa te acordar cedo demais — disse, com a voz calma. — O café chegou. Se você quiser…
— Tá tudo bem — ela respondeu, sentando devagar. — Já vou.
Eles comeram juntos na varanda, de frente para o mar.
Sem pressa.
Sem câmeras.
Sem plateia.
— Obrigada… pela noite — ela disse, mexendo no prato. — Por respeitar.
Ele assentiu.
— Eu disse que não faria nada que você não quisesse.
Ela respirou fundo. O assunto pesava no peito.
— Elijah… eu preciso perguntar uma coisa.
— Pode perguntar.
Ela hesitou.
— Você… concorda com o seu pai? Com isso de contrato… de filho… de obrigação?
Ele largou os talheres imediatamente.
— Não.
Ela levantou os olhos, surpresa.
— Meu pai acha que tudo pode ser resolvido com dinheiro e controle — ele continuou. — Mas isso não é assim. Não comigo.
Ela engoliu em seco.
— Porque às vezes eu fico pensando se eu sou realmente… obrigada. Se a gente tem que ficar junto pra isso acontecer. Se eu não tenho escolha.
Ele se inclinou um pouco para frente, sério, firme.
— Elisa, escuta bem o que eu vou te dizer.
Ela o encarou.
— Você não é obrigada a nada. Nem agora. Nem em cinco meses. Nem nunca.
— Mas o contrato…
— Que se dane o contrato — ele interrompeu. — Filho não é cláusula. Casamento não é prisão. E você não é um corpo pra cumprir prazo.
Os olhos dela se encheram de lágrimas.
— Eu não quero agora — ela sussurrou. — Eu não sei se um dia vou querer… assim.
— E tudo bem — ele respondeu. — A decisão é nossa. E só acontece se os dois quiserem.
Ela respirou fundo, como se tivesse tirado um peso enorme do peito.
— Obrigada… de verdade.
Ele assentiu.
— A única coisa que eu te peço é sinceridade. Comigo. Sempre.
Ela fez que sim.
Ali, naquela varanda nas Maldivas, Elisa entendeu algo que nunca tinha vivido antes:
Ela ainda estava presa a um contrato.
Mas, pela primeira vez…
não estava sozinha dentro dele.