O sol ainda não estava no ponto mais alto quando eles chegaram à praia.
Areia branca, fina, quase irreal.
O mar azul-claro parecia calmo demais para esconder qualquer coisa.
Elisa caminhava à frente.
Usava um biquíni vermelho, simples, mas impossível de ignorar. O contraste com a pele clara chamava atenção. O corpo era naturalmente desenhado — quadris suaves, cintura marcada, barriga definida. Nada exagerado. Nada forçado. Apenas… belo.
O cabelo ruivo cacheado estava solto, caindo pelas costas, dançando com o vento. Os olhos verdes observavam o mar com curiosidade, como se tentassem encontrar ali um pedaço de liberdade.
Elijah vinha logo atrás.
Alto. Musculoso. O corpo forte moldado pelo hábito de controle e disciplina. A pele dourada pelo sol, os cabelos loiros desalinhados pela brisa.
Ele não dizia nada.
Mas observava tudo.
O jeito como ela caminhava descalça.
Como o sol iluminava a pele dela.
Como o corpo dela parecia… vivo.
Aquilo o incomodava.
Não por desejo bruto.
Mas por algo mais perigoso: atenção constante.
Elisa percebeu.
Sentiu o olhar nele sem precisar virar o rosto.
— O que foi? — perguntou, sem encará-lo.
— Nada — ele respondeu rápido demais.
Ela sorriu de canto.
— Você está me olhando.
Ele respirou fundo.
— Estou — admitiu. — E não sei se devia.
Ela parou de andar e se virou para ele.
Ficaram frente a frente, o mar atrás dela, o sol refletindo nos olhos verdes.
— Eu também estou te olhando — ela disse, simples. — E também não sei se devia.
O silêncio se instalou entre os dois.
Não era desconfortável.
Era carregado.
Eles caminharam juntos pela beira da água. Às vezes os braços quase se tocavam. Às vezes os dedos roçavam por acidente — e nenhum dos dois se afastava rápido demais.
Não havia toque intencional.
Mas havia consciência demais.
Sentaram-se na areia, lado a lado.
— Isso é estranho — Elisa comentou. — A gente não fala… mas sente.
— Sente — ele confirmou.
Ela olhou para o horizonte.
— Não é desejo imediato — ela disse. — É curiosidade.
Ele a encarou.
— É respeito — respondeu. — E isso torna tudo mais difícil.
Ela riu baixo.
— É… torna.
O vento soprou mais forte. Ela se encolheu levemente.
Sem pensar, Elijah tirou a camisa e colocou sobre os ombros dela.
Ela o olhou, surpresa.
— Eu não pedi.
— Eu sei — ele respondeu. — Mas quis.
Ela aceitou.
E ali, sentados na areia branca das Maldivas, sem promessas, sem contratos, sem toque além do necessário, os dois entenderam algo silencioso e inevitável:
A atração já existia.
E não precisava ser dita em voz alta para ser real.
Não era paixão ainda.
Não era amor.
Mas era o começo de algo que nenhum contrato previa.
O mar estava calmo.
Elisa entrou primeiro, sentindo a água morna subir pelas pernas, pela cintura, até o corpo inteiro. Deu algumas braçadas leves, rindo sozinha, como se aquela liberdade fosse nova demais para ser ignorada.
Elijah entrou logo depois.
Observava cada movimento dela. Sempre atento.
— A água está perfeita — ela disse, virando-se para ele.
— Está — respondeu, sem tirar os olhos dela.
Ela mergulhou.
Por alguns segundos, tudo foi leve. Elisa nadava tranquila, sentindo o corpo flutuar, o cabelo ruivo se espalhar pela água. Mas uma onda inesperada veio mais forte, puxando-a para baixo.
Ela engoliu água.
Tentou subir, mas o corpo se desorientou. O peito apertou. O ar faltou.
— Elijah… — a voz não saiu.
Ela se debateu, assustada.
No mesmo instante, ele percebeu.
Mergulhou sem pensar.
Braços fortes a envolveram por trás, firmes, seguros. Ele a puxou para cima com facilidade, mantendo a cabeça dela fora da água.
— Calma, pequena — disse perto do ouvido dela. — Eu tô aqui.
Ela tossiu, respirando com dificuldade, o coração disparado.
Ele a segurava com força suficiente para protegê-la, mas com cuidado para não machucar. Um braço firme na cintura, o outro sustentando as costas.
— Respira comigo — ele falou baixo. — Assim… isso… olha pra mim.
Ela obedeceu.
Inspirou.
Expirou.
Aos poucos, o corpo foi relaxando.
Ela percebeu então o quanto estavam próximos. O peito dele colado às costas dela. A respiração quente perto do pescoço. A segurança absurda daquele abraço involuntário.
— Eu achei que… — ela começou, a voz ainda trêmula.
— Eu sei — ele interrompeu. — Mas acabou.
Ela virou o rosto devagar, encontrando os olhos dele.
— Obrigada — sussurrou.
— Sempre — respondeu.
Ficaram ali por alguns segundos, flutuando juntos, sem pressa. Nenhum dos dois se afastou imediatamente.
Não era mais só atração.
Era confiança.
Ele foi o primeiro a se mover.
— Vamos sair um pouco — disse. — Só pra você se recuperar.
— Tá — ela concordou.
Ele a levou até a parte mais rasa, ainda segurando sua mão. Só soltou quando teve certeza de que ela estava bem.
Elisa sentou na areia molhada, respirando fundo.
— Eu estraguei o passeio — disse, tentando brincar.
— Não — ele respondeu, agachando à frente dela. — Você só me lembrou de uma coisa.
— O quê?
— Que eu não vou deixar nada te acontecer. Nem aqui. Nem fora daqui.
Ela engoliu em seco.
— Você fala isso como se fosse simples.
— Não é — ele disse. — Mas é real.
Ela assentiu, em silêncio.
O mar continuava ali, calmo outra vez.
Mas entre eles, algo tinha mudado.
Agora não era só desejo contido.
Era proteção.
E isso…
era ainda mais perigoso.