Elisa ainda estava sentada na areia molhada quando o coração começou a desacelerar.
O susto tinha passado.
Mas a sensação… não.
Elijah continuava ali, agachado à frente dela, atento a cada respiração. O sol refletia na água atrás dele, e por um segundo ela pensou em como aquele homem parecia grande demais para o mundo pequeno em que ela tinha vivido até então.
— Já tá melhor? — ele perguntou.
— Tô — ela respondeu. — Graças a você.
Ele assentiu, como se aquilo fosse óbvio.
— Eu falei que não ia deixar nada te acontecer.
Ela levantou devagar, ficando de frente para ele. Ainda estavam muito próximos. Perto demais para ser apenas conveniência.
O vento soprou, levantando alguns cachos ruivos que tocaram o rosto dele. Elijah não se moveu.
— Quando você me segurou… — ela começou, parando no meio da frase. — Eu não fiquei com medo.
Ele franziu levemente a testa.
— Não?
— Não — ela confirmou. — Eu me senti segura.
O silêncio se espalhou entre os dois. Denso. Cheio.
Elijah levou a mão até o rosto dela, devagar, como se pedisse permissão sem palavras. Elisa não recuou.
— Se você não quiser… — ele murmurou.
Ela respondeu se aproximando mais.
Foi um beijo lento.
Nada urgente.
Nada desesperado.
Os lábios se tocaram com cuidado, como se ambos estivessem aprendendo algo novo. Não havia cobrança. Não havia contrato. Só um momento escolhido.
Elisa fechou os olhos.
Sentiu o calor dele. A firmeza. A calma.
Elijah segurou o rosto dela com as duas mãos, como se ela fosse algo precioso demais para ser tratado com pressa. O beijo durou poucos segundos — mas pareceu longo o suficiente para mudar tudo.
Quando se afastaram, ainda ficaram próximos, respirando o mesmo ar.
— Isso… — ela sussurrou. — Não tava no contrato.
Ele deu um meio sorriso.
— Ainda bem.
Ela encostou a testa na dele.
— Obrigada por esperar.
— Obrigado por confiar — ele respondeu.
Eles ficaram ali, de mãos dadas, olhando o mar que agora parecia tranquilo demais para guardar segredos.
O beijo não tinha sido uma promessa.
Nem uma rendição.
Mas tinha sido algo muito mais perigoso:
Verdadeiro.
Os dias passaram devagar na lua de mel.
Sem pressa.
Sem obrigações.
Sem vozes externas.
Eles caminhavam pela praia, conversavam pouco, observavam muito. Às vezes riam. Às vezes ficavam em silêncio. Mas já não era um silêncio vazio — era confortável.
Naquela noite, Elijah a convidou para jantar.
— É um restaurante diferente — disse apenas.
Elisa só entendeu quando chegaram.
O restaurante ficava embaixo d’água.
As paredes eram de vidro espesso, e o oceano cercava tudo. Peixes coloridos passavam lentamente, como se observassem os clientes. A luz azulada tornava o ambiente quase irreal.
— Meu Deus… — Elisa murmurou. — Isso é lindo.
— Pensei em você quando vi — ele respondeu.
Ela se virou para olhá-lo.
— Pensou em mim?
— Pensei que você merecia algo assim — simples, mas raro.
Ela não respondeu. Só sorriu.
Ela
Elisa surgiu alguns minutos depois, caminhando em direção à mesa.
Usava um vestido vermelho, longo, elegante, que abraçava o corpo com delicadeza. O decote valorizava os s***s sem exagero. O tecido acompanhava cada passo com suavidade.
Os cachos ruivos estavam soltos, vivos, em contraste com a pele clara.
Nos lábios, um batom vermelho profundo.
Ela estava… deslumbrante.
Elijah se levantou automaticamente quando a viu.
Ficou parado por um segundo a mais do que o necessário.
— Uau — escapou, baixo.
— Isso é bom ou r**m? — ela perguntou, divertida.
— Perigosamente bom — ele respondeu, sincero.
Ele puxou a cadeira para ela sentar, os dedos roçando de leve na mão dela. Um toque breve. Mas consciente.
Sentaram-se.
Um cardume passou pelo vidro atrás dela. Peixes azuis, amarelos, prateados. Mas Elijah m*l percebeu.
O olhar estava todo nela.
— Você está linda — disse, sem disfarçar.
— Obrigada — ela respondeu. — Você também.
Ele usava um terno claro, simples, perfeitamente ajustado ao corpo forte. Elegante sem esforço.
— Acho que estamos quebrando mais uma regra do contrato — ela comentou, olhando ao redor.
— Qual? — ele perguntou.
— A de não parecer felizes.
Ele sorriu de canto.
— Talvez essa seja a melhor infração até agora.
O jantar seguiu tranquilo.
Conversaram sobre coisas pequenas. Infância. Lugares que nunca tinham visitado. Sonhos que ainda não tinham coragem de dizer em voz alta.
Às vezes, o silêncio voltava.
Mas não machucava.
Elijah levou a mão até a dela sobre a mesa.
Não perguntou.
Ela não tirou.
— Você fica diferente quando sorri — ele disse.
— Diferente como?
— Livre.
Ela engoliu em seco.
— Ninguém nunca reparou nisso antes.
— Eu reparei — ele respondeu. — E não pretendo esquecer.
Ela apertou levemente a mão dele.
Um tubarão pequeno passou ao fundo, distante, majestoso.
A água envolvia tudo.
E ali, sob o mar, cercados por vidro e silêncio azul, Elisa percebeu algo com clareza assustadora:
Aquilo já não era só atração.
Nem apenas respeito.
Era o começo de um sentimento que crescia devagar,
mas firme demais para ser ignorado.
E Elijah sabia.
Sabia porque, pela primeira vez em muito tempo,
não pensava em contratos, prazos ou obrigações.
Pensava apenas nela.