*Louise
O dia já estava prestes a amanhecer quando acordei. Depois de ontem, que foi muito exaustivo, já estava na hora de me levantar. Eu tinha que arrumar algumas coisas, e dar um jeito de nenhuma pessoa achar esse lugar, talvez um feitiço possa me ajudar a proteger essa casa. Ah, já sei! O "anti hominum", esse feitiço irá me ajudar, como pude esquecê-lo? Peguei uma das varinhas que ali estavam, já que a minha está com vários problemas. Escolhi uma bem antiga, mas deve funcionar. Sacudi a varinha na direção oposta fazendo alguns giros e gritei "ANTI HOMINUM", nesse momento uma luz enorme cobriu o lugar. Pude perceber que o feitiço deu certo.
– Louise? O que estava fazendo? Que feitiço lançou? Para que serve?
– Olá, Nay. Não vi você chegar, joguei um feitiço de p******o que tem como função criar um campo "anti hominum" fazendo com que as "pessoas" ao se aproximarem lembrem de um compromisso muito importante para fazer, evitando assim qualquer tipo de curioso por aqui. Gosto dele porque evita os bruxos também. Esse é um dos mais antigos que existe. Espere, onde está sua amiga? Você descansou bem?
– Ah sim, que bom que protegeu esse lugar. Ela ainda está dormindo. Bom, não dormi muito bem, eu acabei acordando várias vezes na madrugada, estava muito pensativa com tudo o que tem acontecido.
– Sei que não deve ser nada fácil para você e nem pra ela, mas com o tempo vocês irão se acostumar com tudo isso e com o fato de que são "bruxas", afinal, eu sempre estive por pert... Acho que eu não devia ter falado disso.
– Como assim por perto? O que você quis dizer com isso?
– Eu vi tudo acontecer, esses é um dos meus poderes. Principalmente aquela menina em que o ventilador acertou, sorte que eu conhecia uma bruxa curadora que pôde ajudá-la.
– Então, se não fosse por essa bruxa, ela não estaria bem? Eu nunca me perdoaria se acontecesse algo com ela.
– No estado em que ela se encontrava digamos que não... – Vi a Roberta se aproximar enquanto falava – Ei, você está bem?
– Olá, meninas. Acho que estou sim, acabei ouvindo a conversa sobre a nossa colega de classe, que bom que essa bruxa pôde ajudá-la.
– Mas Louise, por que você nunca apareceu antes? Você podia ter nos ajudado... – Nay perguntou
– É mesmo, isso evitaria tantas coisas... – Disse Roberta
– Infelizmente não dava, eu tinha ordens a seguir e ainda tenho. Quando vi tudo saindo do controle tive que conversar com os bruxos do comitê dos feitiços, foi uma das reuniões mais longas que já tive em todos esses anos – Respondi
– Então você irá nos treinar? – Nay Disse
– Sim, irei ajudar vocês.
– Uma pena eu ainda não saber que tipo de dom tenho – Falou Roberta
– Não se preocupe, querida. Quando for a hora certa você irá descobrir, pode confiar. Algumas pessoas demoram até anos demais para descobrir os seus "talentos", não precisa ter pressa, de todo modo precisamos achar uma varinha certa para cada uma. Afinal, cada varinha é feita para um tipo de poder. Tenho uma amiga que poderá nos ajudar, mas para chegar lá precisamos abrir um "portal" que nos levará no exato lugar que queremos ir – Falei
– Isso parece muito legal! Mas Louise, e aquela varinha que eu usei? Como ela funcionou? Se depende do tipo de poder do bruxo.
– Acho que foi algum feitiço que devo ter usado e esquecido de tirar dela, mas, normalmente, se você não tem sua varinha certa, coisas estranhas, ruins e até mesmo engraçadas podem acontecer ao tentar as utilizá-las, ou podem acabar não funcionando.
– Aí que emoção! Não vejo a hora de poder testá-las. Será incrível, tenho certeza, ainda mais porque vamos passar por um portal – Comentou Roberta
Peguei a varinha, dei uma girada para cima e outras 3 para o lado esquerdo e falei "foribus patentibus”, e então um grande portal se abriu na parede
– Vocês estão prontas?
– Sim, estou – Nay falou
– Mas é claro que estou – Disse Roberta
Nay, Roberta e eu entramos naquele imenso portal, tivemos a sensação de estarem sendo "esticadas", quase rasgadas ao meio, tudo estava escuro, o ar era rarefeito, como se estivéssemos no alto de uma montanha. E então a escuridão passou, olhamos para baixo e vimos um telhado marrom, foi quando começamos a cair. Roberta e Nay gritaram, com medo, pois estavam prestes a cair no telhado da loja. Mas nesse momento elas o atravessaram como se lá não houvesse nada e chegaram a tão esperada loja de varinhas, como se nada tivesse acontecido. O lugar era enorme tinha varinhas de todos os tipos.