*Nay
Roberta e eu ficamos encantadas com a quantidade de varinhas que ali existiam, eram varinhas de todos os tipos, tamanhos, formatos e cores. Aquele lugar tinha um aroma muito bom, parecido com cascalho misturado com tempo de chuva... Ao chegar, vimos uma moça de cabelos lisos e com os olhos castanhos se aproximar, ela abriu um imenso sorriso de orelha a orelha ao notar que Louise estava conosco.
– Olha só quem resolveu aparecer depois desse tempo todo! Louise, que saudades! Você nunca mais veio aqui me fazer uma visita. E quem são essas duas meninas fofinhas?
– Eu estava com tanta coisa para fazer não tive tempo pra mais nada. Essas são Nay e Roberta, eu vou treiná-las, estamos à procura da varinha ideal. Nay, Roberta, essa é Mary.
– Prazer em conhecê-las, meninas. Vocês vieram ao lugar certo, aqui irão encontrar a varinha que precisam.
– Prazer em conhecê-la, você é muito simpática – Falei
– Prazer, concordo com Nay, você é muito simpática.
– Bom Louise, como você está acostumada em mexer com as varinhas, poderia ajudá-las? Tem mais clientes chegando. Se você não se importar, é claro.
– Imagina, pode ir atender os seus clientes, eu irei ajudá-las. Não me importo não, uma das minhas partes favoritas é testar as varinhas.
*Nay
É tão difícil escolher uma varinha, nem sei por onde começar, são tantas opções. Na loja havia vários corredores, cada um com uma placa indicando para que tipo de poder as varinhas que ali estavam serviam. Fui até o corredor de "dom da escrita", peguei uma das varinhas que estava bem a minha frente e usei, mas não deu muito certo... Uma luz com tons roxos cobriu a parte em que eu estava e um vento muito forte surgiu, fazendo algumas caixas caírem em cima de mim, essa não! Gritei com todas as minhas forças: "Socorroooo". Que bom que a Louise e Roberta me ajudaram. Obviamente aquela não era minha varinha...
*Roberta
Depois que as caixas cobriram minha amiga, eu fiquei um pouco assustada em testar as varinhas, nunca se sabe o que pode acontecer, não é mesmo? Qual será que eu testo? Eu não sei como escolher, há tantos corredores e ainda não sei qual é o meu poder. Foi então que Louise veio falar comigo:
– Está na hora de tentar descobrir qual é o seu poder, se não conseguirmos agora posso te dar uma varinha reserva que funciona com qualquer bruxo, porém, o poder dela é limitado – Falou Louise
– Ok, e como fazemos para descobrir meu poder?
– Bom, um jeito é relembrar alguma vez que possa tê-lo usado sem querer. Lembra que o poder da sua amiga pode sofrer interferências de outro bruxo? E você era a única que estava por perto quando deu errado, então a interferência só pode ter sido causada pelo seu poder.
– Nossa, é mesmo! Quando estávamos na praça e ela escreveu para ventar veio um redemoinho e nos levou para outra dimensão, esse é meu dom?
– Acho que sim, seu poder é o de teletransporte, porém, tem algo a mais, eu já vi você se transportar para outro tempo também, em sonho. Acontece que, eu não conheço nenhuma história de alguém que se teletransportou para outra dimensão e outro tempo, acredito que você seja a primeira com esse poder.
– Caramba! Mas se só eu tenho esse poder, como vou achar uma varinha?
– Bom, acredito que uma varinha da sessão de teletransporte seja perfeita para você, depois podemos tentar fabricar uma mais específica para seu dom. Inclusive, esse dom nem nome tem, você pode escolhê-lo.
– Eita! Não sei que nome dar, só de pensar nas coisas que descobri hoje já estou com dor de cabeça, vamos escolher minha varinha no corredor de teletransporte mesmo e depois penso nisso.
Então fui até o corredor e comecei a olhar todas as opções, eram muitas, qual escolher? Já sei! Aquela varinha ali me chamou mais a atenção, vamos ver o que irá acontecer, pensei. Ao testá-la uma ninhada de corvos surgiram. Mas Louise estava lá para se livrar deles. É, pelo visto aquela não era a varinha certa.
Depois de muitas horas de teste, várias e várias varinhas causando vários acontecimentos estranhos e até mesmo engraçados...
– Vamos, meninas! Se animem, vocês irão encontrar, ainda tem tantas opções...
*Nay
Resolvi pegar uma escada, algo chamou minha atenção em uma das últimas prateleiras lá em cima. Louise trouxe a escada, comecei a subi-la, peguei uma das caixas. Estava bem empoeirada, assoprei para limpá-la, a abri, peguei a varinha e fui testá-la. Nesse momento veio um vento em minha direção, como se alguém tivesse ligado o ventilador, um brilho surgiu e naquele instante e pude perceber que aquela era de fato a minha varinha.
– Achei! Eu achei! É a minha varinha! – Gritei emocionada.
– Ah, que bom que achou, falei que iria encontrá-la. Mas afinal, cadê a Roberta?
– Acho que ela deve estar a testar as varinhas de um outro corredor.
*Roberta
Pelas gritarias de felicidade minha amiga conseguiu a sua varinha, estou tão feliz por ela. Olhei para a minha direita, na terceira fileira, uma caixa estava a brilhar, será que é minha varinha? Peguei a caixa e a abri, usei aquela varinha e uma luz começou a me rodear, eu me senti diferente, com uma certa confiança e percebi que era a minha varinha.
– Nay e Louise! Eu encontrei, ou pelo visto ela me encontrou! Bom, não importa, eu achei minha varinha!
– Finalmente vocês encontraram! Depois de tantas horas...
– Sabia que iriam encontrá-las, alguns acham rápido, mas tem quem demore também... – Comentou Mary
Louise pagou a Mary elas se despediram.
– Muito bem meninas, agora vamos para minha casa, precisamos comer e dormir, amanhã começa nosso treino no campo de treinamento provisório – Falou Louise.