Flames abriu os olhos devagar, estava com o rosto no chão, deitado sobre um monte de areia, sua mente estava confusa, como se ele tivesse dormido por horas e tivesse acordado em algum lugar que ele não conhecia, sua memória começou a voltar aos poucos, logo ele se lembrou do penhasco, de Leonardo e dos outros, tudo parecia uma memória distante, como se tudo que ele tivesse vivido antes daquele momento tivesse sido algum sonho esquisito.
Ele se levantou com dificuldades e olhou em sua volta, viu grandes árvores luminosas, sob seus pés uma areia fina e branca, atrás dele havia uma pedra grande coberta de lodo e fios de magia, logo ele soube onde estava.
- Flames. - Filiardo chamou contente, ele estava com Sammy como era de costume e ela exibia o mesmo olhar intimidador de sempre, Leonardo já estava com ele como se tivesse ficado esperando, naquele momento Flames não sabia se tinha se passado um segundo desde que ele pulou do penhasco ou um ano.
- Filiardo. - Flames respondeu indo cumprimentá-lo, antes que ele desse o primeiro passo Hayron rolou para fora da caverna que ficava na pedra de uma forma bem desajeitada, parecia inconsciente, aos poucos ele voltou a se mexer e logo abriu os olhos, estava mais confuso do que Flames, deu para o ver limpando os olhos para saber se estava mesmo acordado quando viu as árvores brilhando. - Calma, você não está sonhando. - Flames falou o ajudando a levantar com as bolsas.
- É mesmo... Mágico. - Ele falou olhando as linhas de luz em volta da pedra.
- Venha, quero que conheça o meu bisavô. - Disse Flames o levando para apresentá-lo a Filiardo.
Depois dos cumprimentos Flames percebeu que Gabum não estava por lá e nenhum outro Lagar fora Sammy.
- Onde estão os outros? - Flames perguntou.
- Estão lutando. - Filiardo respondeu desanimado. - Gabum vem andado muito violento ultimamente, ele não costumava ser assim, mas para defender a floresta sofreu bastante na mão dos orc's, eles estão conseguindo cortar as árvores que eu não consigo preencher com magia, já fizeram um buraco enorme na floresta, ele e os outros estão tentando diminuir o avanço, mas ele tem ficado muito estressado com isso, golens são seres pacíficos, me sinto m*l por ele está nessa situação, por isso não o deixei aqui para quando vocês chegassem, com o temperamento que ele estava podia atacar qualquer um, ele ficou muito imprevisível. - Filiardo falou com uma angustia como se falasse de um amigo de infância.
- Então temos que partir logo, vamos buscar uma aliança com as outras raças que vivem aqui. - Flames falou. - Nos conte sobre elas, precisamos saber o máximo para partimos o quanto antes.
Logo que Flames foi falando começou a sair um a um de dentro da pedra, rolando e caindo uns por cima dos outros como sacos de batata.
- Assim que todos tiverem chegado eu conto tudo que eu sei, mas antes vamos para minha casa, conversaremos melhor por lá. - Filiardo respondeu.
...
Todos se sentaram em tocos e pedras na frente da casa de Filiardo, a maioria ainda estava distraído e fora de foco por causa da sensação que o portal causava, mas estavam despertando aos poucos.
- Existem tantas raças em Abises quanto há de estrelas no céu de vocês, mas poucas delas são inteligentes como os humanos e mais raro ainda são as espécies mais racionais que a gente. - Filiardo falou para todos ouvir o que não foi difícil já que naquele lugar o silêncio parecia ser sagrado e até as árvores pareciam ter medo de balançar.
- Me fale mais sobre essas espécies. - Flames pediu.
- As três mais comuns por essas regiões são os Anões, os Árcravos e os Grutatos, os Grutatos são os mais preocupantes, a população deles além da floresta é tão grande que são quase como uma praga, apesar de tudo é difícil capturar um sequer, pois são tão rápidos e pequenos que alcançá-los nessa mata é quase impossível, eles não tem uma sociedade bem alinhada porque na maioria deles é bem covarde para enfrentar qualquer inimigo que os ameace, então vivem se escondendo em pequenas tocas e a maioria são nômades, com o ataque dos orc's quase todos já fugiram para terras mais distantes, não vai ser difícil reconhecê-los, eles são pequenos, o mais alto deve alcançar sua cintura, e têm a pele lisa com tons que variam de roxo escuro a vinho, já os anões vivem dentro das montanhas e estão saindo de lá cada vez menos já que os orc's estão começando a cercá-las para pegá-los ou achar alguma das entradas, mas eles são espertos demais para dar qualquer chance aos orc's, acho que você vai ter mais dificuldade para convencê-los a lutar do nosso lado, já os Árcravos são os que mais mostram resistência, a floresta está infestada de armadilhas para m***r orc's que eles colocaram e eles não se escondem, construíram uma grande cidade no meio da floresta e a reforçaram com muros altos e grossos para que nenhum orc ouse entrar, eles são ainda menores que os humanos, mas são mais inteligentes e estão usando tudo o que têm para impedir que os orc's os destruam, é raro ver qualquer um deles andando sozinho por essas florestas, eles são a maior esperança de uma aliança que temos, se conseguirmos fazer eles lutarem do nosso lado podemos ter uma mínima esperança. - Explicou Filiardo. - Essas raças são as mais perigosas porque pensam, mas existem muitos animais irracionais por aí que estão desesperados por uma refeição ou tão assustado que matariam qualquer um que parecesse uma ameaça, então não parem de prestar atenção na floresta em momento algum.
- Tudo bem, para que lado o senhor acha que é melhor a gente ir? - Flames perguntou, estava disposto a enfrentar aquela jornada o mais rápido possível, cada minuto que passava naquele lugar era um passo a mais que Kandaram dava em direção ao seu reino.
- Comecem caminhando para o sul, eu não sei exatamente onde vai dar, mas é a única parte fora da floresta que eu já fui e é onde os Árcravos construíram a cidade deles, além do mais o norte está infestado de orc's então é melhor evitar. - Filiardo recomendou. - Eu os levarei até as margens da floresta protetora.
Flames não esperou mais tempo, se levantou e seguiu Filiardo, Sammy ia mais à frente atenta a cada movimento na floresta, cheirando cada pedaço de terra para ter certeza que estava tudo seguro antes de Filiardo passar, por onde andava Filiardo ia passando as mãos nas árvores que brilhavam suavemente ao serem tocadas, os outros também tentaram, mas não parecia funcionar com eles, apenas com Flames e Filiardo.
- É aqui, dessa parte eu não posso passar. - Ele falou umas três árvores antes da floresta terminar, dava para ver que mais além a vegetação era muito diferente, as árvores pareciam menos robustas e mais perigosas com vários galhos espinhentos e folhas ressecadas.
- Aqui já está bom, muito obrigado.
- Flames, tome muito cuidado mesmo, nem eu sei o que se esperar dessa floresta. - Filiardo avisou, dava para ver a preocupação em seus olhos, Flames não era só o seu parente mais próximo como também era o único que ele tinha, a única pessoa que carregava sua descendência.
- Eu vou me cuida, e também confio na minha equipe. - Flames falou com um pequeno sorriso. -Espero voltar logo.
...
Flames caminhava por uma trilha esquisita no meio de uma floresta esquisita, ele sentia que já enchergava bem melhor naquele lugar mesmo estando tudo totalmente escuro, o discípulo de Filiardo examinava cada folha de cada planta naquela floresta enquanto fazia anotações em seu pequeno caderno.
- Então, qual vai ser o plano agora? - Perguntou Lies.
- Tem algum Hayron? - Flames perguntou.
- Ainda não, temos que conhecer essa floresta antes, eu não sei nem em que eu estou pisando. - Hayron respondeu, era estranho porque eles estavam caminhando pelo o que parecia ser uma rocha imensa, mas nasciam plantas sobre ela.
- Acho que temos que achar qualquer pista sobre os Árcravos e seguir até eles, eles têm uma cidade no meio da floresta, não deve ser muito difícil de achar. - Adril falou dando a entender que seria fácil.
- Tem razão, mas não podemos seguir por aí desprevenidos, podemos acabar se encontrando com algum orc ou um grupo deles ou um grupo de qualquer coisa já que tudo nessa floresta quer m***r alguma coisa. - Hayron falou.
- Olhem. - Nicolas murmurou em um tom melancólico enquanto olhava para cima com os olhos arregalados, todos olharam e viram um pássaro brilhar entre os galhos de uma árvore, ele era branco como a pluma, tinha uma longa calda com quase um metro e um bico grande e curvado, ele piou e seu canto era doce e suave como o sussurro da pessoa amada ao ouvido, no escuro daquela floresta era quase impossível não manter os olhos nele, ele balançava as asas e cantava atraindo a atenção de todos, seu canto era apaixonante no sentido mais literal da palavras, Flames sentia que poderia olhá-lo para sempre, ele não só poderia como decidiu que faria isso, enquanto todos olhavam para o pássaro encantados ele se aproximava cada vez mais voando de um galho para outro cada vez mais perto. Do meio da floresta voou uma pedra que passou raspando na cabeça da ave, ela piou e voou para cima das copas das árvores e sumiu no céu n***o.
Flames sentiu um impacto na sua mente como se tivesse acordado de um sonho muito bom, um sonho do qual ele não queria acordar nunca mais, ele olhou a sua volta procurando quem havia jogado aquela pedra, os outros não poderiam ser, pois todos estavam tão confusos quanto ele, foi quando um arbusto mexeu-se um pouco e Flames viu uma estranha criatura saindo de dentro dele, era pequeno como um cão, mas estava sobre duas patas, Flames logo sacou a espada e ficou atento, a criatura teve dificuldades para se soltar do arbusto que pelo o que parecia tinha espinhos e haviam ficado presos em sua pele e nos trapos de couro que ele usava como roupa, quando ele finalmente se soltou Flames viu que ele era muito diferente do que ele pensava, ele tinha quase cinquenta centímetros, sua pele era roxa escura, tinha uma barriga arredondada e um corpo desajeitado, sua orelha era pontuda e grande, parecia está faltando alguns pedaços como ele tivesse entrado em uma briga com uma onça.
- Bicho desgraçado, vai cantar essa canção maldita bem longe. - Gritou a criatura com o pássaro, quando ele olhou novamente para baixo havia três flechas apontadas para o seu rosto e duas espadas, ele congelou e levantou as mãos se rendendo.
- O que é isso? - Flames perguntou para os outros.
- Pelo o que Filiardo descreveu parece ser um... Grutatos. - Nicolas falou sacando logo seu livro de anotações e desenhando desesperadamente como se ele não tivesse muito tempo de desenhar antes que o bicho sumisse de sua vista.
- É, eu sou um Grutatos mesmo. - Respondeu a criatura com um tom arrogante. - Um dos melhores.
- Por que jogou uma pedra no pássaro? O que você quer? - Perguntou Flames apontado a espada para ele ameaçadoramente, ele não sabia o porquê mais havia levado o fato daquele bicho ter espantado a ave para o pessoal.
- Eu salvei a vida de vocês se não perceberam, aquele pássaro carrega maldições, maldições malditas, o canto dele hipnotiza, depois ele mata a vítima e come ela, não pode ficar ouvindo ele cantar, se ele abrir a boca você dá uma pedrada nele, é assim que as coisas funcionam, vocês não parecem saber viver por aqui, quem são vocês? São humanos? - O grutatos perguntou com um tom voz claramente desdenhosa.
- Não importa pra você, por que apareceu para nos ajudar? - Flames perguntou novamente aproximando ainda mais a espada.
- Porque se não vocês iriam morrer, para de apontar isso na minha cara. - Ele pediu, Flames guardou a espada e a criatura abaixou as mãos, mas os outros permaneceram com os arcos apontados para ela.
- Então aquele pássaro é carnívoro e hipnotiza mesmo com o canto? - Nicolas perguntou. - Interessante.
- Sim, e essa planta bem perto do seu tornozelo libera um veneno paralisante que causa surdez temporária e acreditem em mim vocês não vão querer ficar sem audição por essa floresta escura. - A criatura falou, Nicolas logo se afastou da planta e a olhou a examinando de cima abaixo enquanto a desenhava no seu caderno.
- Pode nos ajudar? - Flames perguntou para a criatura. - Estamos tentando chegar até a cidade dos Árcravos, se nos levar até lá eu garanto sua p******o.
- p******o? - A criatura olhou para o grupo de cima abaixo. - Vocês são o grupo mais desajeitado que eu já vi, notei vocês de longe o pássaro branco também, eu estava caçando-o e culpo vocês por ter perdido minha refeição.
- Se você nos ajuda nós podemos ser mais sutis e em troca você vai poder se esconder atrás de nossas espadas. - Flames disse.
O Grutatos ficou pensativo. - Tudo bem, mas não garanto que os Árcravos vão ser receptivos e vocês não podem dizer que meu nome é Goro, eles querem me pegar desde que joguei uma pedra em um guarda, digam que eu sou o grande Galundar, esse nome é muito legal, não é? Eu criei agora, Galundar, o temido, é, esse agora é o meu nome. - Pelo jeito os Grutatos costumavam falar demais e eram bastante agitados.
- Então Galundar, para onde devemos seguir? - Flames perguntou.
- A cidade dos Árcravos fica longe, vamos ter que caminhar bastante e passar por alguns lugares arriscados, mas vai dar tudo certo, me sigam e chegaremos lá. - Disse a criatura.
...
Flames seguia o Grutatos pela floresta escura, a criatura andava rápido e olhava para todos os lados como se estivesse tentando identificar o caminho.
- Tem certeza que vai confiar nessa criatura? Ele nem parece saber o que está fazendo. - Perguntou Hayron enquanto olhava Galundar tropeçar em pedras com seu andar desajeitado.
- Acho que ele vai ajudar, ele deve conhecer essa floresta. - Flames respondeu, mas não tinha muita certeza também. - Não temos outra escolha, nessa floresta somos mais desajeitados do que ele.
- Não sei, essas criaturas parecem ser traiçoeiras, ele me lembra um rato. - Hayron falou.
- Vamos ver, se ele tentar qualquer coisa a gente o corta em dois, ele não é perigoso. - Flames disse.
- Você tem certeza que não tem orc por esse caminho? - Flames falou mais alto para Galundar ouvir.
Ele deu uma risada. - Eu sei qual é o caminho, mas várias criaturas vão e vem por essas florestas, não posso dizer que tenho certeza que não vamos trombar com alguma a qualquer momento.
- E por que você não está com os da sua espécie? - Flames perguntou.
- Traidores, eu não gosto deles, a maioria fugiu e os que ficaram por aqui... é bom nem falar. - Ele disse vagamente, Flames não insistiu, não estava tão interessado. - Vamos muda de caminho, eu acho que deve ter cobras por perto, é melhor ir pelo caminho mais distante do que arriscar cruzar com alguma.
- Vamos mudar nossa rota por causa de cobras? - Adril perguntou. - Se alguma aparecer eu a esmago e pronto. - Ele afirmou colocando a mão no cabo do seu martelo de batalha que ele carregava amarrado em suas costas.
- Vocês não têm medo de cobras? Pois eu tenho pavor, os olhos delas são muito... quentes. - Galundar disse.
- Não vamos mudar o caminho, se aparecer alguma cobrar a gente mata. - Adril repetiu, ele havia sido criado perto de uma floresta cheia de animais traiçoeiros, matava cobra desde que era um bebê, não era algo que o dava medo.
- Então vamos continuar por aqui. - Flames ordenou.
- São pessoas corajosas, não sabia que humanos tinha tanta coragem, enfrentar uma cobra é algo que eu não cogitaria em hipótese alguma, mas se vocês são tão fortes então vamos seguir por aqui, mas já estou avisando, se vocês forem pegos por alguma cobra eu vou correr o máximo que eu puder, nem me peçam ajuda. - Galundar falou revelando sua covardia sem medo.
Eles seguiram pela floresta que ficou cada vez mais fechada e era difícil caminhar porque o solo era muito íngreme e as plantas espetavam, as árvores cresciam de maneira estranha, por não precisarem da luz do sol elas não cresciam para cima, a maioria curvava-se no chão e se entrelaçavam com as outras dificultando mais ainda a passagem, Galundar passava esgueirando-se pelo caminho como se fosse acostumado a caminhar por aquele tipo de vegetação.
Caminhando alguns minutos eles viram quatro grandes árvores, de longe elas pareciam brilhar em algumas partes do seu tronco, Galundar se aproximou de lá com pressa e ficou esperando pelo o resto, quando Flames chegou ele percebeu que no tronco daquelas árvores haviam buracos, pequenas construções de madeira e palha e um monte de cogumelos brilhantes que iluminavam aquele lugar em um rosado suave, haviam escadas por todos os lados das árvores e em seu topo haviam ainda mais construções com pontes atravessando de um lado para outro e ainda mais cogumelos brilhantes.
- O que é isso? - Flames perguntou para Galundar.
- Era uma vila de Grutatos, mas está abandonada. - Ele respondeu, o lugar parecia tão simples e bonito que era estranho não ter ninguém morando ali.
- Por que está abandonada? - Flames perguntou.
- Deve ter sido por causa de alguma cobra. - Galundar disse.
- Grutatos são covardes mesmo, por que não se juntaram todos e mataram a cobra? - Adril perguntou.
- Grutatos não lutam contra cobras, eles fogem, só isso. - Galundar respondeu em um tom lentamente melancólico. - Temos que sair daqui, chama muita atenção.
- Não se preocupe, se uma cobra aparecer eu a esmago. - Afirmou novamente Adril, esmagar era uma palavra muito presente no seu vocabulário.
- Tudo bem então. - Respondeu Galundar confiando no que Adril disse cegamente.
Nicolas fez desenhos dos cogumelos e dos modelos das pequenas cabanas construídas ao longo do tronco das árvores enquanto os outros aproveitavam para descansar e comer alguma carne seca, todos estavam carregando quase seu peso em suprimento, armas e armaduras então não perdiam uma oportunidade de se sentar.
- Esses cogumelos são comestíveis. - Ele disse arrancando um pequeno jogando goela abaixo. - Não são tão bons como carne de pássaros, mas servem para tapar o vazio na barriga, não comemos porque usamos eles para iluminar nossas casas, mas essa vila está abandonada mesmo então eu vou me entupir deles.
Flames cortou um pedaço de um deles com sua espada e percebeu que escoria uma baba transparente e brilhante, ele encostou a língua devagar e sentiu um gosto doce, bem doce, como mel e então comeu todo o resto, o gosto era semelhante a pão com mel, só que melhor.
- Como você pode dizer que isso só serve pra tapar o vazio na barriga, isso é uma maravilha. - Flames falou e logo todos começaram a comer os cogumelos e gostaram muito.
- Tem alguma coisa errada. - Galundar murmurou assustado olhando ao redor das árvores.
- O que seria? - Hayron perguntou.
- As aves e os roedores costumam comer esses cogumelos se ninguém impedir e essa vila parece já está abandonada á muito tempo, mas os cogumelos estão todos grandes, como se nenhum animal tivesse se aproximado daqui.
- E o você acha que é por qual motivo? - Flames perguntou.
- A cobra. - Ele falou apenas isso e paralisou olhando para a copa das árvores, lentamente Flames olhou para cima, ele não viu nada, mas percebeu alguns galhos se mexendo como se algo se movesse entre eles, as copas estavam a quase quinze metros de altura, era difícil acreditar que uma cobra estaria lá em cima. Flames continuou olhando e percebeu dois brilhos verdes no escuro além da copa das árvores. O brilho se aproximava lentamente da luz e Flames percebeu a cabeça de uma cobra gigantesca, a cabeça era grande como um carneiro, Flames agradeceu a sua sorte por aquele monstro estar tão alto, nunca desceria daquela altura antes que eles fugissem, todavia ele se surpreendeu ao vê-la saindo cada vez mais do meio das folhas, seu corpo era grosso como um tronco, engoliria um homem grande como Adril facilmente e mesmo de longe dava para perceber as grossas escamas brancas que a envolviam, ela deslizou de galho em galho pelas árvores enquanto se aproximava encarando Flames, era impossível tirar os olhos daquelas pupilas esverdeadas, o corpo daquela criatura saia do meios dos galhos mais e mais como se não tivesse um fim, então ela chegou em um galho onde não tinha por onde ela descer mais, Flames pensou que seria sua salvação, mas ela simplesmente se ergueu sobre o ar e continuou deslizando, Flames não acreditou no que estava vendo, mas sabia que aquilo era real a cobra estava mesmo voando, ziguezagueando suavemente sobre a brisa na direção deles com os olhos brilhando em intenções assassinas, Flames pensou em correr em disparada pela mata mas seu corpo não se movia, era como se ele estivesse sentindo tanto medo que não podia mais controlar seu corpo, um medo intenso, um medo que o fazia se conformar com a morte.
Continua...