Capítulo 6 – Princesa Maliriam.

2714 Words
Em obrehim...   Ácura acordou com o soar alto das corneta, ela conhecia bem aquele som, era o anuncio de chegada de um m****o da realeza, ela estava ansiosa por esse momento então já pulou do colchonete e vestiu seu uniforme. m*l ela colocou o rosto para fora da barraca e já viu Gariam vindo em sua direção. - Vamos recebê-la, me siga. – Ele disse caminhando rápido em direção à tenda da princesa, parou bem na frente e ficou em posição de guarda, com sua postura firme e a mão direita descansando sobre o punho da espada presa em sua cintura. Ácura o seguiu fazendo o mesmo.   As cornetas estavam chegando perto, provavelmente a princesa já havia entrado no acampamento. Não demorou muito até Ácura ver os cavaleiros montados em seus garanhões caminhando em direção a tenda, foram vindos mais e mais, todos desmontaram dos cavalos em frente à entrada da tenda e ficavam parados em direções opostas formando um corredor, uma carruagem vermelha cercada por mais quatro cavaleiros caminhou suavemente entre o corredor e parou no final, a porta da carruagem se abriu e um cavaleiro correu para ajudar a princesa a descer.  - Majestade. – Ele falou esticando a mão para ela se apoiar ao descer da carruagem, o degrau ficava um pouco longe do chão e ela estava com um longo vestido, ela segurou a mão do cavaleiro e pulou, seu pé caiu de mau jeito e ela deu um pequeno passo pro lado quando desequilibrou, nada demais, mas o cavaleiro se assustou e a segurou com delicadeza como se ela fosse o mais valioso jarro de porcelana que estivesse caindo. - Uh, quase cai. – Ela falou para ele sorrindo. Parecia mais nova que Ácura, mas tinha um ano a mais. Possuía um cabelo preto extremamente bem cuidado, com pequenas ondulações prateadas quando chegava em sua ponta, realçando o branco da sua pele, ela usava um vestido branco e prateado feito com os mais finos tecidos do reino, não estava com sua coroa, mas usava joias feitas com diversos cristais brilhantes, também usava uma capa branca, ela não era muito diferente de Miguel e pareceu muito familiar para Ácura, talvez porque se assemelhava muito com Flames já que supostamente eram primos, Flames havia contado tudo que Miguel o disse para Ácura, todavia ela não engoliu muito bem essa história, parecia improvável demais e Miguel tinha fama de que era meio aluado, e suas atitudes não eram muito convencionais para uma pessoa comum, principalmente a de abandonar seu reino no meio da guerra que ele mesmo fomentou. - Princesa Maliriam, aguardamos sua chegada ansiosos. – Gariam disse curvando a cabeça em uma breve reverência. – Espero que tenha tido uma boa viagem, sair do castelo para nos visitar em um lugar como esse foi uma bela atitude da sua parte.  - A viagem foi ótima e você está sendo muito gentil, vir até aqui é o mínimo que posso fazer pelas tropas que defendem nosso reino, tenho orgulho de vocês e visitá-los não é sacrifício algum. – Disse a princesa, parecia bem falante para alguém da realeza, o que não era comum, uma vez que até mesmo os primos distantes do rei andavam com o nariz empinado e agiam como se não pertencessem a esse mundo. - Muito obrigado majestade, eu ficarei encarregado da sua p******o enquanto estiver aqui, se quiser fazer qualquer coisa ou ir a qualquer lugar me avise para que eu prepare a sua guarda. – Gariam falou. – Deixarei dois dos meus soldados de guarda em frente a sua tenda, se precisar de qualquer coisa da minha parte os avise. – Gariam Concluiu fazendo Ácura e Lucian darem um passo à frente. A princesa olhou bem para o rosto de Ácura, não era estranho ela se surpreender, ninguém esperaria a presença de uma mulher em um lugar como aquele, ainda mais como soldado. - Tudo bem, eu vou mesmo precisar de ajuda. Agora vou descansar um pouco, quase não dormi durante a viagem. – Disse a princesa Maliriam entrando em sua tenda, Ácura e Lucian ficaram de guarda bem na porta enquanto os outros soldados que haviam se acumulado ao redor da carruagem da princesa voltaram aos seus afazeres e os cavaleiros que a acompanharam procuravam um lugar para montar suas barracas.   Ácura ficou sentada com Lucian na entrada da barraca por algumas horas, seria uma vigília lenta e demorada. Pouco tempo depois alguma coisa caindo lá dentro fazendo bastante barulho, a princesa parecia um pouco desastrada. - Tudo bem princesa? – Ácura perguntou. - Tudo sim e vocês podem entrar, não precisam ficar do lado de fora. – Ela gritou.    Ácura encarou Lucian esperando uma atitude dele, mas ele parecia mais confuso ainda, então ela entrou, a princesa estava curvada sobre uma mesa, escrevendo uma carta, parecia empolgada, mordia a língua e fazia caretas enquanto escrevia, já não usava um vestido tão extravagante quanto o que ela estava quando chegou, vestia um vestido leve e suas joias repousavam sobre a mesa, ela escrevia rápido, Ácura não conseguia ver o conteúdo da carta, mas sua caligrafia era impecável mesmo ela usando a mão esquerda.   A princesa levantou o rosto e os olhou nos olhos. – Há quanto tempo vocês são soldados? – Ela perguntou se concentrando novamente na sua escrita. - Conclui o treinamento há alguns dias. – Ácura respondeu. - Faz um ano. – Lucian disse. - Vocês gostam de serem soldados? – A princesa perguntou sem os olhar. – Sentem-se, vocês vão ficar aqui dentro comigo, preciso de companhia, meu professor não pôde vir. - Eu gosto. – Ácura respondeu. - Eu também, é meio que algo de família. – Lucian falou. - Quais seus nomes? – A princesa perguntou. - Ácura. - Lucian.  - Porque escolheu ser soldado Ácura? – Perguntou a princesa. - Meu pai era cavaleiro, quero seguir os mesmos passos que ele, ele sempre me ensinou a me defender desde muito cedo então eu meio que tenho uma afinidade com isso. - É bom ver que uma mulher faz parte do nosso exército, mas como conseguiu convencer os caruncis a te aceitarem? Eu sei que eles são bem rigorosos nas escolhas dos soldados, até mesmo dos homens.  - O comandante Uthean permitiu, consegui convencê-lo quando ele soube que eu era uma maga d'água. Maliriam parou de escrever na mesma hora, quase deixou a pena cair da sua mão. – Uma maga... de água? – Ela perguntou atônita. - Sim. - Eu posso ver? – A princesa perguntou, pareceu ficar desconfiada, o que não era incomum, se você andasse pelo centro comercial do reino não pararia de ver pessoas afirmando possuir poderes mágicos a torto e a direita, desconfiar era a primeira reação de qualquer pessoa sensata.   Lucian carregava um cantil pendurado em seu cinto, Ácura o pegou e derramou toda a água no tapete o deixando completamente encharcado, a princesa fez uma expressão meio indecifrável, mas se Ácura fosse chutar diria que ela estava prestes a ficar brava, todavia antes que isso acontecesse Ácura fez um leve movimento com os dedos e vagarosamente a água flutuou e ficou levitando no meio da tenda em forma de pequenas gostas de tamanhos aleatórios.  Os tapetes ficaram mais secos que estiveram qualquer dia desde que haviam sido feitos e quando Ácura olhou novamente para a princesa e agora ela exibia um enorme sorriso surpreso enquanto seus olhos quase brilhavam vendo a água levitar no meio da tenda.  - Incrível, de verdade. Miguel me disse que magia existia, mas eu não acreditei, eu sempre quis acreditar, mas nunca tinha visto. – Maliriam falou, ela pareceu muito feliz em descobrir. – Miguel falou que viu um mago de fogo dentro do nosso reino uma vez, eu comecei a questionar a sanidade dele comigo mesma. - Miguel não estava errado sobre isso, eu estava lá quando os dois se encontraram. - Você estava lá? – A princesa parecia cada vez mais interessada e a carta que ela escrevia ficou abandonada pela metade sobre a mesa.  - Sim, eles são namorados. – Lucian respondeu se intrometendo, era notável que ele tentou se segurar, mas o assunto o deixava tão interessado quanto a princesa.  - São namorados? – A princesa perguntou a Ácura ainda mais surpresa. - Sim, naquele dia estávamos saindo de um bar e fomos seguidos por dois ladrões, quando Flames, o mago de fogo, ia queimar um dos ladrões Miguel apareceu para a sorte deles.  - Flames foi o que matou os orc's, vossa majestade não ouviu essa história ainda? – Lucian perguntou, parecia esperar um 'não' apenas para poder contar toda a história para a princesa. - Ouvi sobre os orc's, não sabia que existiam criaturas como aquelas, também ouvi que um dos capitães era um mago de fogo, mas como ouvi que ele caiu do céu, tinha chifres e olhos vermelhos eu não acreditei mais em nada, exageram muito nas histórias sobre soldados, uma vez um cavaleiro subiu uma montanha para prender alguns ladrões que se escondiam por lá e disseram que ele arrancou a montanha do lugar com um golpe de espada. – A princesa contou. - A parte dos orc's e do mago de fogo são reais, ele tem olhos bem pretos e posso garantir que ele não tem chifres nenhum. – Ácura falou brincando, a princesa sorriu. - E onde ele está agora? – A princesa perguntou. - Ele está em uma missão longe daqui, não sei bem se posso contar porque o comandante Daren decidiu mantê-la em segredo, mas se vossa majestade pedir eu não vou poder negar. – Ácura falou, no fundo ela estava ansiosa para que a princesa ficasse curiosa, queria revelar a verdade sobre Abises para ela. - Pode contar, eu sou a princesa, acima da minha autoridade só a do meu pai e da minha mãe, Daren vai entender sua posição, e garanto que Lucian guardará muito bem o segredo que ouvirá. – A princesa afirmou o olhando nos olhos, o rosto dela era delicado e bondoso, no entanto quem fosse prudente percebia o tom ameaçador por traz de suas doces palavras. - Com certeza majestade, sou um soldado e sei que muitos assuntos e coisas que acontecem devem ficar em segredo, pode confiar em mim. – Ele falou sério, pelo jeito que mudou sua expressão deu para notar que ele ficou tenso, não era burro. - Então prossiga Ácura, onde está seu namorado? – A princesa perguntou.  - Fizemos uma excursão para a terra da pedra verde, a antiga terra desconhecida, mas não sabíamos que Kandaram teria a mesma ideia, lá do outro lado do mar nossa tropas acabaram entrando em conflito, Flames e alguns soldados se separaram do grupo, passamos dias procurando por eles, não tivemos nenhum sucesso e eu acabei sendo capturada pelos soldados de Kandaram, mas os nativos daquela ilha nos salvaram, são um povo guerreiro, eles me ajudaram e trataram das nossas feridas, também nos deram abrigo e alguns dias depois eles capturaram dois soldados, um deles estava muito ferido e inconsciente, o outro estava só ferido, era Flames e outro soldado de Obrehim, o outro soldado estava coberto de cortes e hematomas, quando perguntei onde estavam Flames me disse que estava do outro lado do mundo, fiquei sem entender nada, então ele me contou que quando fugia acabou batendo a cabeça, ficou inconsciente e quando acordou estava dentro de uma casa estranha, tinham plantas que brilhavam dentro da casa, ele me disse que há muitas delas lá e que lá é sempre escuro, não existe dia, a água lá também brilha e é tão suave que você m*l consegue senti-la, é ela que da energia a tudo. - Mas como ele foi para esse lugar? – A princesa interrompeu. - Ele disse que há um portal, uma ponte na verdade, ela liga os dois mundos e um velho feiticeiro a controla e a protege para que as criaturas que vivem naquele mundo não subam para o nosso, mas ele disse que falhou uma vez e foi assim que os orc's conseguiram vir para cá, por isso ele chamou Flames, ele queria ajuda, não conseguiria proteger a ponte por mais tempo, não sozinho.  - Mas por que Flames? – A princesa perguntou, parecia cada vez mais interessada. - Porque Flames é bis neto dele, Flames também é um feiticeiro e o senhor precisava de mais magia para proteger a ponte, Flames é o único parente vivo que ele tinha, por isso era o único que tinha poder para ajudá-lo. – Ácura contou. – Flames ficou alguns dias com ele, ele tem muitas histórias sobre aquele lugar, pelo o que ele falou há magia em tudo lá, quando ele finalmente voltou ele foi capturado pelos mesmos nativos que me protegeram, quando eles descobriram que Flames tinha poder de fogo eles começaram a tratá-lo com muito respeito, alguma profecia antiga daquele povo dizia que alguém com poder de fogo seria o enviado para protegê-los, então um rapaz que era o líder deles começou a nos seguir para ajudar Flames com o que precisasse, inclusive ele está com Flames nesse momento. - E onde eles estão? – A princesa perguntou novamente. - Eu já chego lá, quando Flames voltou ele sabia que haviam orc's em Obrehim, e foi enviado com uma tropa para matá-los, essa história vocês conhecem, mas depois disso ele teria que voltar para o outro lado do mundo para ajudar a proteger a ponte, se mais orc's viessem para cá com nosso reino em guerra seria um m******e, não teria como Obrehim se defender se dividisse suas tropas em duas. Flames soube que havia outras criaturas do outro lado do mundo, elas também sofriam com os orc's, então decidiu junto com o comandante geral Daren voltar lá e tentar convencer essas criaturas a lutar contra os orc's para defender a ponte, em troca ele estava disposto a oferecer as criaturas que o ajudassem o direito de passar para esse mundo desde que ficassem nas terras desconhecidas e não atravessassem o mar para esse lado. - Ele conhece alguma dessas outras criaturas? Elas não são hostis como os orc's? - Ele não sabe, disse que viu muito poucas criaturas por lá. - Espera. – A princesa parecia bastante confusa. – Quer dizer que seu namorado foi para o outro lado do mundo tentar convencer criaturas desconhecidas a lutar contra os orc's? mas se essas criaturas decidirem simplesmente mata-lo e não lutar com os orc's? É meio que quase um suicídio isso, ele foi pra boca do dragão.  - Se você acha esse plano arriscado é porque não ouviu o de Miguel. – Ácura falou sorrindo. – Quando ouvi eu achei que o de Flames era muito mais fácil. - O que ele está fazendo? – A princesa perguntou, sua expressão mudou completamente, ela não estava mais tão empolgada com a história, estava preocupada, tão preocupada parecia ter medo de ouvir a resposta da sua pergunta.  - Miguel é muito misterioso, é difícil saber o que se passa na cabeça, mas ele disse a Flames que se infiltraria em Kandaram, ele vai se vender como e*****o e incitar os outros a fazer uma rebelião, ele já esteve lá uma vez e disse que conhece muita gente que não é satisfeito com o sistema de governo autoritário que o rei deles plantou, Miguel vai tentar juntar essas pessoas e causar uma guerra civil dentro de Kandaram enquanto ele está em guerra contra a gente, assim o exército deles vai se dividir e teremos uma vitória quase certa. – Ácura contou para a princesa. - Mas isso é quase impossível. – A princesa resmungou. - Eu também acho, Kandaram tem muitos escravos, mas não acho que todos eles se rebelariam e os que se rebelassem seriam detidos sem muito esforço pelos guardas, mas Flames disse que ele não parecia preocupado, estava muito confiante. – Ácura falou. – Se dependesse de mim nenhum dos planos deles seriam aprovados, nem Flames iria para Abíses e nem Miguel se infiltraria em Kandaram, mas eles levaram isso muito a sério e eu decidi confiar neles, entendo que esteja preocupada com Miguel, mas agora só nos resta esperar e atrasar Kandaram o quanto pudermos, logo eles estarão de volta... Continua...
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