Capítulo 5 - Lorenzo

1780 Words
Fui para casa com Guilherme falando alguma coisa, não prestei atenção, meus pensamentos estavam em Louise. Ela é bonita, de fato, mas a sua risada ficou na minha mente. – Lorenzo - Guilherme gritou – Dá pra sair do mundo da lua e vazar do carro. – Só vou sair quando entrar no estacionamento, gênio. – Pude ver que estava na portaria do prédio.  – Já disse, vou sair e não tenho hora pra voltar – Fiquei o encarando - Anda! –  Calma – Falei tão devagar e sai da mesma forma. –  Até logo. Fiquei rindo e o vi cantando pneu me xingando. Entrei no apartamento e fui fazer um lanche, fiquei um tempo pra decidir o que iria fazer e optei por comer apenas um sanduíche de peito de peru. – Preciso fazer compras, Guilherme só come essas coisas s*******o.  * Já tinha passado duas horas desde que cheguei e acabei lembrando que não combinamos um horário, como eu tinha o telefone dela, resolvi ligar. –  Alô?! –  Sua voz estava sonolenta. –  Louise, é o Lorenzo, desculpa ligar a essa hora. –  Está tudo bem – Imaginei seu sorriso nessas palavras – Então? O que houve? –  Eu só queria saber o horário mesmo, você esqueceu de me falar – falei um pouco rápido.  –  Ah! Eu realmente esqueci desse detalhe, a cabeça está a mil – falou suspirando – Umas 10:40 está bom? Ou é muito cedo?  – Está ótimo – sorri – Boa noite. – Boa noite Lorenzo – desligou.  Vou ao banheiro para tomar um banho, fico quase uns 30 minutos ali só com a água quente caindo em minhas costas, mesmo que o mar tenha me relaxado, nada melhor do que uma ducha. Saio com a toalha no ombro e de cueca e a campainha toca, abro a porta e vejo Guilherme com a cara de puto. – Sai da frente que não tô de bom humor – entrou quase batendo a porta na minha cara. – E coloca uma roupa, você não é gostoso. – O que houve com a sua chave? – perguntei, já que eu estou com a reserva. – Achei que não tinha hora para chegar. – Deve “tá” dentro do carro, sei lá, não achei em meu bolso – deu os ombros e foi pro seu quarto bufando. – E antes que eu me esqueça... – gritou do quarto – Vai a m***a! – Eu hein, depois a tia que é estressada – falei e fui pro quarto, antes de fechar a porta, gritei – Vê se não dorme de calça jeans de novo, se não amanhã vai estar com o mesmo humor. Deito na cama e ligo pra minha mãe, conto como foi o dia e ficamos conversando até ela dizer que tinha que desligar por conta do seu remédio e que depois dele iria dormir, assim que ela desliga, decido dormir também. * Acordo com um barulho de chuva, olho para o relógio que marca 08:10. Me levanto, tomo uma ducha e escovo os dentes, vou à padaria, que por sorte é em frente ao apartamento, ou seja, menos possibilidade de acabar me perdendo. Volto rápido, pois a chuva começou a apertar, entro no apartamento e faço o café e ao olhar pra janela me vem uma leve sensação de tristeza, penso que não poderei ver o nascer do sol como sempre via em Minas e percebi que acordei um pouco mais tarde do que estou acostumado, provavelmente foi a praia que me causou o cansaço. Guilherme acorda e olha pra mim confuso. – Que m***a é essa?! – pergunta arqueando suas sobrancelhas.  – Acho que estou fazendo café – falei com deboche. – Esquece – diz se sentando, pela sua cara deve estar tentando não ficar estressado – Que horas vai na casa da Lou? – Vou sair daqui 10:00 – dei os ombros – Não sei quanto tempo demora daqui até lá e o trânsito deve “tá” um pouco caótico por conta da chuva. – Beleza, vou te levar – disse pegando um pão de queijo – Tenho que resolver umas coisas também. – Pode ser... O que aconteceu ontem? Quer conversar? – Perguntei e ele apenas negou com a cabeça, não irei insistir. Tomamos o café em silêncio, apenas o som do jornal na televisão estava presente no ambiente e confesso que foi estranho, já que o Guilherme não cala a boca um segundo. Fui escolher uma roupa pra ir na casa de Louise, tomei uma outra ducha rápida, quando terminei de me arrumar percebi que já era 09:28, vou até a sala e espero Guilherme.  – Se arrumou todo para trabalhar ou pra seduzir a Louise? – Guilherme entra na sala sorrindo. – Nossa, ainda tomou banho de perfume pra encobrir o fedor? – Apenas não quero dar uma presença r**m – falei um pouco nervoso. – E não sou você, que só toma banho aos sábados. – Ah claro! – sorriu – Mas fica tranquilo, você não faz o tipo da Louise. Louise gosta de homens bonitos, que nem eu. – Bom saber, assim torna o trabalho mais fácil – revirei os olhos – Vamos ou a Rainha da Inglaterra precisa de mais alguns momentos?! – Só vamos passar antes na casa da Helena, tenho que pegar algo – disse sério. A caminho da casa dessa tal Helena, Guilherme brevemente me fala que ela trabalha como recepcionista na agência, não diz muitos detalhes sobre ela, acredito que ele nem saiba tanto assim. Paramos o carro na frente da calçada da casa e a moça já o esperava, e pude ver que me olhou curiosa. Ela é bonita, mas tem algo nela que é familiar, o formato do rosto talvez, não sei, devo ter visto na rua. Guilherme voltou com uma pasta nas mãos, deve ser papelada do trabalho. Da casa dela até da Louise, deu 15 minutos de distância, por sorte ou não, cheguei 20 minutos antes. Sai do carro com Guilherme do lado, o porteiro já conhecia o Guilherme e isso me deixou um pouco balançado, mas pela cara que o porteiro fez quando me viu, acho que o Guilherme é o único homem que já entrou aqui. Chegando ao seu apartamento, ela logo nos atendeu. – Bom dia homens – abriu a porta sorrindo – Vamos, entrem. – Eu só vim deixar o Lorenzo mesmo Lou, tenho compromisso – disse dando um abraço rápido e logo indo para o elevador– Qualquer coisa me liga primo, que eu te busco. – Ok, meu bem. – Bom gente bonita, vou indo, um beijo pro Erick – O palhaço juntou os calcanhares e se curvou, aporta do elevador se fechou. – Ele não perde uma oportunidade, vamos?! – Louise perguntou dando espaço. – Licença – entrei e vi que estava tudo no lugar, talvez ela tenha mania de limpeza, o que me fez lembrar de minha mãe. – Quer beber ou comer algo antes de começar?  – Só água mesmo. Em segundos ela voltou com a minha água. O silêncio estava me deixando desconfortável e creio que ela também ficou. – Então... – cortei o silêncio – Como serão os meus dias aqui? – Ah sim! De segunda à sexta de 12:30, ou seja, irá buscar o Erick na escola, e ficará até o horário que eu chegar, depende muito de como será o meu dia na empresa, mas não chego muito tarde. Não trabalho fim de semana na empresa, fico de Home-office, então pode ficar tranquilo – sorriu – Fiz uma lista dos remédios e vitaminas do Erick e suas indicações, que está em cima da estante, nessa lista está o meu número e o cartão de saúde dele, caso aconteça algo leve ele imediatamente ao médico e me liga em seguida. Acho que só – ficou pensativa – Ah! E vou colocar o seu número na agenda de emergência da escola dele para ficarem cientes e falarei com a coordenação sobre a permissão de você ir buscá-lo.  – E em relação à alimentação?! Tem coisas que você não o deixa comer ou ele tem alguma alergia, tipo lactose – falei em um tom um pouco baixo, meio sem jeito. – Não quero ser preso ou agredido. – Não privo meu filho de comer uma besteirinha aqui e outra ali, ele come tudo o que quer, porém é tudo moderado e não, ele não tem alergia a lactose – disse rindo – Apanhar? Sério? –  Me desculpe. – Tudo bem, não fique nervoso, qualquer dúvida te explico direitinho. – Me puxou – Vem, mostrarei a casa. A segui em todos os cômodos e pude ver o quanto ela é organizada, além de gostar de móveis estilo antigo, em cada cômodo dá pra sentir uma energia bem leve. Acabo notando que tem somente nós dois e o menino, que está dormindo, na casa. – O seu marido não ficará meio irritado por ser um homem que vai cuidar do Erick? – pergunto e percebo que ela travou – Louise? Está tudo bem? – Sim – disfarçou tentando um sorriso e não me olhou – Eu não sou casada, o pai do Erick não mantém... contato e prefiro que seja assim. Aliás, é um pouco estranho sim um homem cuidar de uma criança, mas como disse antes: Guilherme nunca me colocaria numa roubada. Estou confiando nos dois. – Você sabe mesmo como colocar pressão. – Fiquei curioso sobre o que ela disse do pai do Erick, mas decidi não invadir o espaço pessoal dela, afinal, virei apenas um funcionário.  – Então – virou para mim e continuou andando – Esqueci de falar também que eu deixei os números do... – Quando ela ia terminar de falar, tropeçou, a segurei por impulso fazendo nossos rostos ficarem bem perto. – Números? – falei a olhando. – Números dos locais que Erick gosta de pedir comida – seu rosto estava avermelhado, por loucura acabo chegando um pouco mais perto – Lorenzo... eu acho que... – sua voz ficou falha e de certa forma, a deixava mais bonita do que o normal. Não estava conseguindo segurar o meu impulso e quando meus lábios iam tocar nos dela, a campainha toca novamente, o que me fez voltar a mim, não posso fazer isso. Louise dá um pulo e se assusta com o outro toque da campainha. – Estou indo – gritou e saiu correndo pra porta. Lorenzo, você não pode beijá-la. Se fosse em uma outra situação em que ela não fosse a sua patroa e estivesse claro que ela está a fim, seria tranquilo. Foco, é isso que preciso, de foco.
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