Amy
Amy acordou tarde naquela manhã de quinta feira. Era oito horas da manhã quando ela acordou assustada. Ela se sentou na cama enquanto respirava rapidamente.
Sua irmã mais nova (Asli) que estava na outra cama, vendo uma revista, achou estranho o semblante assustado no rosto da irmã.
Asli - aconteceu alguma coisa, Amy? Você teve um pesadelo?
Amy - eu tive um pesadelo, mas, já estou bem! (Disse ela levantando da cama e indo para o banheiro escovar os dentes)
Asli ficou preocupada, pois, já era a terceira vez que Amy acordava assustada ou gritando.
Asli vai até a cozinha onde os seus pais estão organizando as coisas.
Asli - a Amy acordou!
Drica - por que ela está acordando tão tarde?
Asli - eu não sei, mas, acho que está tendo pesadelos!
Manuel - pesadelos com o quê?
Asli - só pode ser com uma coisa!
Drica e Manuel se entreolham preocupados.
Drica - passaram-se sete anos! Por quê isso está voltando? A Amy parece tão bem!
Asli - eu tento falar com ela, mas, ela foge do assunto!
Amy chegou na cozinha, já com outra roupa.
Amy - bom dia?
Drica - bom dia, meu amor! Acordou tarde!
Amy - é! Estou dormindo de mais nesses últimos dias!
Manuel - eu acho que é o seu trabalho que está te cansando dessa forma!
Amy - pode ser! Eu já vou, tá?
Drica - não vai tomar café?
Amy - eu tomo no trabalho! Até mais tarde!
Amy se despede dos pais e da irmã e sai com pressa.
Drica - será se com a amiga dela, ela conversa?
Asli - eu não sei!
Manuel - deve ser só uma fase! Talvez estamos nos precipitando!
Asli - ela grita a noite toda pedindo para soltarem ela!
Drica - ai meu Deus! (Disse ela levando as mãos até a cabeça)
Manuel - será que ela lembrou de mais alguma coisa?
Asli - eu não sei!
Amy andava o mais depressa possível para chegar na biblioteca onde trabalhava. Ela corria com um copo de café nas mãos e acabou esbarrando em um homem que passava por alí, o sujando com o café.
Amy - me desculpa, eu não te vi, eu juro! (Disse ela tentando limpar ele)
O homem que ainda estava muito calmo tirou as mãos de Amy de cima dele e diz;
Luis Enrique - não se preocupa com isso! Está tudo bem!
Amy - desculpa, tá? Eu só estava distraída!
Luis Enrique tirou os óculos escuros e olhou para Amy com a impressão que já havia visto antes, só não lembrava de onde a conhecia.
Amy não entendia porquê que luis Enrique olhava tanto para ela, se ela nunca tinha visto ele por alí.
Amy ficou sem graça e tentava esconder o rosto. Luis Enrique dar um leve sorriso.
Luis Enrique - qual é o seu nome?
Amy - é... Amélia!
Luis Enrique - Oi Amélia, eu sou o Luis Enrique Carrara, eu sou novo na cidade!
Amy - é, eu percebi!
Luis Enrique - você quer carona?
Amy - não, valeu! Eu tenho que ir...
Disse Amy já saindo correndo.
Amy chegou na biblioteca exausta de tanto correr. A sua chefe (Vera Montana) a esperava na porta da biblioteca, visivelmente chateada.
Vera - onde estava?
Amy - desculpa? Eu me atrasei um pouco!
Vera - um pouco? Está há mais de trinta minutos atrasada, Amélia, e já é o terceiro dia seguido que faz isso!
Amy - eu prometo que isso não vai voltar a acontecer!
Vera - eu espero que cumpra a sua promessa dessa vez! Agora vai ajudar a Tati a limpar os livros!
Amy - sim, senhora!
Amy vai ajudar Tati a limpar os livros mais antigos. Tati já estava tirando a poeira de alguns livros.
Amy - Oi?
Tati - acordou tarde de novo?
Amy - sim!
Tati - contou para os seus pais o que está acontecendo?
Amy - não! Eu não quero preocupá-los!
Tati - eu estou preocupada com você!
Amy - já disse que não precisa!
Tati - como não? Amy, você está tendo pesadelos com aquilo de novo e está dormindo a base de remédio! Como eu não vou me preocupar?
Amy - não vamos falar sobre isso, tá?
Tati - eu quero te ajudar!
Amy - eu não preciso de ajuda! Eu só preciso dormir!
Tati - e perder o trabalho por não acordar a tempo? Você sabe que não vai dar certo!
Amy - eu não preciso de sermão agora, Tatiana!
Tati - não é sermão, Amy! Olha, eu sei que não gosta de falar sobre, ninguém gosta, mas, já se passaram sete anos. Você não pode continuar fugindo disso.
Amy - eu só não quero lembrar do que aconteceu!
Tati - você deveria fazer uma terapia!
Amy - eu dispenso!
Tati - Amy?
Amy - terapia nenhuma vai me ajudar! Ele ainda está lá fora, Tati. Aquela criança também está lá fora em algum lugar e eu não consigo dormir e nem comer direito por causa disso!
Tati - por que você não disse isso antes? Por que está guardando essa dor só pra você?
Amy - porque essa dor é só minha!
Tati - essa dor não é só sua! Pode ter certeza que eu sofri muito com tudo aquilo, não igual você, más, eu também sofri muito!
Amy pegou um espanador e foi tirar a poeira dos livros do outro corredor.
Tati vai atrás dela e diz;
Tati - esses sonhos frequentes são lembranças! mais cedo ou mais tarde, você vai acabar lembrando de tudo e eu realmente espero que esteja preparada para isso!
Amy - o que acha que eu devo fazer para deixar tudo isso de lado?
Tati - acho que tem que falar o que está sentindo com alguém que você confia! você nunca falou sobre o que sente desde quando aconteceu!
Amy se calou e abaixou a cabeça.
Tati - eu sou sua amiga desde que a gente nasceu, Amy e eu sei que você nunca mais foi a mesma após aquela tragédia!
Amy - era impossível ser a mesma pessoa!
Tati - você não está bem há muito tempo, eu venho notando isso!
Amy - acho que tem razão! tudo piorou depois que vi uma criança sozinha toda suja no meio da rua. era uma menina da mesma idade dela. estava com fome e com frio e eu não consegui não pensar em como ela está agora? será que ela está bem? - eu não sei o que está acontecendo comigo!
Tati - oh amiga!
disse Tati abraçando Amy.
Tati - eu sinto muito!
Amy - eu não consigo parar de pensar nela, Tati, na minha filha! (disse ela chorando) - por favor? me ajuda a encontrar ela?
Tati - quê?
Amy - eu só preciso saber se ela está bem, é só isso! eu juro que não vou intervir na vida dela!
Tati - eu ajudo, é claro! é claro que eu vou ajudar!