bc

O HERDEIRO DO TRAFICANTE c***l

book_age18+
23
FOLLOW
1K
READ
drama
another world
like
intro-logo
Blurb

Sarah aprendeu cedo a sobreviver em silêncio. Criada em uma casa marcada por violência, ela trabalha, se esconde e suporta, até o dia em que cruza novamente o caminho de Caique, um homem perigoso para o mundo, mas inesperadamente cuidadoso com quem ele ama.

Caique é pai solo, líder respeitado no morro e dono de uma frieza que só desarma perto do filho, Kevin. Quando Sarah começa a cuidar do menino, nasce entre eles algo que não é pressa nem promessa vazia, é proteção, presença e um vínculo que cresce devagar.

Mas o passado de Sarah não aceita ser deixado para trás. Quando a violência explode de vez, Caique precisa escolher entre a raiva que sempre resolveu tudo… ou quebrar o ciclo para salvar quem já virou casa.

Uma história sobre trauma, lealdade, amor que cura e o risco de amar quando nunca foi seguro ficar.

chap-preview
Free preview
1. Sarah
Acordo antes do despertador tocar. A verdade é que eu quase nunca durmo de verdade, só fecho os olhos e descanso o suficiente pra conseguir levantar no dia seguinte. Meu corpo aprendeu a sobreviver no automático muito antes de eu aprender a dizer "não". O quarto é minúsculo, meio úmido, com a tinta descascando na parede de trás. Eu encaro o teto por alguns segundos, respirando fundo, tentando convencer meu peito de que ele não vai desabar hoje. Mesmo que às vezes pareça. Levanto devagar, como se cada movimento fosse feito de cuidado. A vida me ensinou a não fazer barulho. A não chamar atenção. A existir nas beiradas. Piso no chão gelado e vou direto ao banheiro. O espelho está rachado no canto, foi o meu pai quem bateu nele num dia de fúria, mas eu prefiro não pensar nisso logo de manhã. Me olho por cima da rachadura, como se fosse um aviso: você não importa tanto. Encho as mãos de água fria e jogo no rosto. A sensação me acorda mais do que qualquer café. Minha rotina é simples: calça jeans barata, camisa branca de trabalhar na farmácia, cabelo preso num coque improvisado. Nenhum detalhe que chame atenção. Nunca. Pego minha bolsa, confiro duas vezes se coloquei o vale-transporte, e saio antes que meu pai acorde reclamando de qualquer coisa que eu faça. A rua ainda está meio vazia, só uns poucos comércios abrindo as portas. Gosto dessa parte da manhã, é o único momento do dia em que eu não sinto que estou ocupando espaço demais. No ônibus, sento perto da janela e fico observando as casas passando rápido. Pessoas indo trabalhar, estudantes rindo, alguém brigando no telefone. É estranho pensar que o mundo inteiro parece viver uma vida normal enquanto a minha se mantém... suspensa. Como se eu estivesse esperando algo. Não sei o quê. Quando chego na farmácia, puxo a porta de vidro e sinto aquele cheiro familiar de álcool gel e remédios. A gerente já está no balcão, contando caixa. — Bom dia, Sarah — ela diz, sem olhar muito. — Bom dia — respondo baixinho. Coloco o crachá, amarro melhor o coque e me posiciono no caixa, como sempre. Gosto do trabalho. É repetitivo, mas previsível. E previsível é seguro. As primeiras horas passam devagar: clientes apressados, pedidos enrolados, problemas no sistema. A vida normal das pessoas normais. Até que, perto das nove e meia, a porta da farmácia abre com um barulho seco, como se alguém tivesse empurrado com força demais. E eu sinto, sem nem olhar, que algo muda no ar. Mas quando levanto os olhos, é só um grupo de pessoas entrando juntas, falando alto demais. Respiro fundo e volto a olhar o teclado. Tenho aprendido que, geralmente, quando o ambiente muda, eu não devo reagir. Só observar. Só existir em silêncio. A gerente passa atrás de mim. — Sarah, hora do intervalo daqui a pouco. — Tá. E eu continuo. Atendendo. Sorrindo de canto. Falando pouco. Vivendo uma vida inteira que ninguém realmente vê. Sem imaginar que, em alguns dias, tudo isso vai deixar de existir. Que alguém vai olhar pra mim de um jeito que eu nunca vi ninguém olhar. Que alguém vai perceber que eu existo. E que isso — só isso — vai ser suficiente pra destruir tudo o que eu achava que era seguro. Meu horário de almoço chega, finalmente. Sento no fundo do pequeno refeitório da farmácia com um marmitex morno nas mãos. Arroz, feijão, frango desfiado e um pedaço de abobrinha que eu não lembro de ter colocado. Talvez a vizinha tenha mandado; a filha dela cozinha bem e às vezes sobra. Coloco o fone num ouvido só, mais por costume do que por vontade de ouvir alguma coisa. Mas aí o celular vibra. Lara. Reviro os olhos antes mesmo de atender. — Fala. — SARAH, PELO AMOR DE DEUS, VAMOS PRA PRAIA COMIGO. — Tô trabalhando. — E daí?! Você sai aí rapidinho, inventa uma desculpa e vaza. TÁ CALOR PRA CARAMBA. — A única que pode viver de calor e irresponsabilidade é você, viu? Eu tenho que pagar conta. — Que drama, menina. Cê vive igual véia de trinta e cinco com três filhos. — E você vive como se tivesse ganhado na loteria. — Ganhei. Na loteria da genética e do carisma. Agora vem logo. Dou uma risadinha discreta. É a primeira vez hoje. — Lara, eu tô de farda. Tô com crachá pendurado no pescoço e a mão cheirando a troco de farmácia. — Isso é poético. Vem mesmo assim. — Eu só saio às sete. — Então a gente vai depois. Praia à noite é vibe. Pego um pouco do arroz com o garfo e suspiro. — Você sabe que não vai rolar. — Por que não? — Porque minha vida não é uma série adolescente. Eu não posso decidir viver só porque você me ligou. — Mas podia. Um dia, Sarah, você vai perceber que merece isso. — Vou deixar você sonhar. Ela ri do outro lado da linha, e eu fecho os olhos por um instante. Por mais que eu reclame, a Lara é tipo um raio de sol numa vida que quase sempre tá nublada. Ela fala alto, vive sem medo e parece ter nascido com um botão de "f**a-se" instalado no peito. E talvez por isso a gente seja amiga. Porque, no fundo, ela é tudo que eu não sei ser. — Tá bom, véia chata — ela diz. — Te amo mesmo assim. — Eu também. Vai viver por mim. Ela desliga, e eu volto pra minha marmita. Lá fora, o calor estoura o asfalto. Aqui dentro, eu continuo contando as horas pra voltar pro caixa. Sem saber que o que me espera logo ali, bem depois desse turno, depois dessa rotina; vai quebrar tudo que eu achava que era estabilidade. E que, pela primeira vez na vida, alguém vai quebrar a porta que eu nunca deixei ninguém abrir.

editor-pick
Dreame-Editor's pick

bc

A Vingança da Esposa Desprezada

read
4.7K
bc

Amor Proibido

read
5.4K
bc

Primeira da Classe

read
14.1K
bc

De natal um vizinho

read
14.0K
bc

O Lobo Quebrado

read
128.0K
bc

Meu jogador

read
3.3K
bc

Menina Má: Proibida Para Mim

read
1.7K

Scan code to download app

download_iosApp Store
google icon
Google Play
Facebook