K A Y L A
— Você matou ele. — Tony disse andando de um lado para o outro — Você matou ele!
— Desculpe, gente. Não tinha solução. — disse tirando as lentes de contato
— Prefiro pensar assim mesmo. — Steve diz de cara amarrada
— Já estamos trabalhando na descriptografia dos documentos. Tem muita coisa. — Bruce disse
— E a lista? Conhecem alguém? — pergunto
— Eu conheço muitos, infelizmente. — James Rhodes diz sentado em sua cadeira de rodas
— Quando poderemos atacar? — Nat pergunta
— Assim que Tony descobrir detalhes sobre a base. — Bruce responde
— No que eu puder ajudar, tô aqui. — Wanda diz
— No momento, só podemos descansar. — Sam diz
— Verdade. — Visão apóia — Foi um dia longo e uma noite tensa.
Um à um, eu vi os Vingadores saindo e me deixando sozinha com Tony, na sala. Tentei não parecer nervosa, enquanto me sentava no sofá e tirava a peruca ruiva, soltando meus cabelos e os bagunçando.
— Não sabia que você sabia dançar num pole dance. — ouço a voz de Tony e o vejo sentar na poltrona
— É. — ri fraco — De tudo um pouco.
Abri o sobretudo e apoiei o pé na mesinha de centro, tirando os saltos.
— Tô exausta. — suspirei
— Imagino. Usar da beleza para enganar pessoas deve ser exaustivo.
Sem graça, me levantei catando minhas coisas.
— Eu... — pisquei desconfortável — Vou pra minha "cela".
— Mandei consertar a janela. Já não sentirá frio de madrugada.
— Obrigada. — sorri amarelo — Boa noite.
Respirei fundo e caminhei para sair da sala, mas fui impedida pela mão de Tony em meu braço.
Olhei para ele e ele estava de olhos fechados e com a testa apoiada na mão. Fiquei um tempo em silêncio, mas ele não fez nada.
— Tony. — disse baixo
— Eu sei, calma. — ele suspirou — Ainda não entendi porquê fiz isso.
— Eu... — ele me interrompeu
— Eu pedi calma.
Fiquei em silêncio tentando decifrar o que aconteceria em breve.
Tony me afetava de uma maneira esquisita, que me deixava desestabilizada e nervosa. Um misto de sim e não, doce e salgado, feliz e triste. Minha consciência estava extremamente pesada e meu coração estava culpado. No fundo, acho que não quero que ele me perdoe. Não me sinto no direito de pedir perdão.
— Vem aqui. — ele me puxou e eu sentei no braço da poltrona — Não fala nada, tá? Só espera.
Senti suas mãos puxarem minhas pernas para o seu colo e seus dedos brincarem com a barra da meia, em minha coxa. Não vou mentir que senti algo estranho dentro de mim e minha pele se arrepiar por inteiro.
Ouvi uma pequena e baixa risada.
— Lembra de quando viajamos para França? — ele pergunta com o olhar baixo, parecia estar com a cabeça longe
— Lembro. — abri um sorriso, viajando em minhas lembranças — Você ficou muito bêbado.
— Como sempre. — bufou — Até hoje, não sei como você me levou para o quarto.
— Lembra que você disse que sonhou que eu te carregava? — ele confirmou e me olhou — Então, digamos que não foi bem um sonho.
— Você me carregou nos ombros? — ele arregalou os olhos
— É. — dei de ombros — Você é peso pena, Stark. — brinquei
— Então não foi um sonho. — ele disse pensativo
— É, tirando a parte em que você viu três de mim. Isso foi efeito do álcool mesmo.
Ele riu e voltou a pose de pensativo, enquanto brincava com o fio solto da minha meia. Parecia estar com a mente longe, numa época feliz e boa.
— Sabe de uma coisa? — perguntei mirando o balcão, enquanto pensava
— Hum?
— Nunca me diverti tanto quanto naquela noite. — sorri lembrando — Você fez eu me sentir a mulher mais amada do mundo. Dançamos até os pés doerem.
— Você já sentia algo por mim?
Sua pergunta me pegou de supresa e fez com que eu o olhasse e pegasse seu olhar dentro do meu. Me senti nua — não que eu quase não estivesse, já que ainda trajava a roupa de stripper — da cabeça aos pés e com a alma despida. Senti como se ele pudesse ver cada detalhe do meu passado.
E ele realmente podia. Tony via meu arrependimento, mas eu temi que ele visse mais. Que ele visse todas as atrocidades que fui manipulada a fazer.
— Senti desde àquele dia no clube. — disse olhando em seus olhos castanhos — Que você pegou na minha mão e não deixou que aquele seu amigo me desrespeitasse.
Ficamos cara à cara, com as pontas de nossos narizes se tocando. Era bom e estranho estar assim com ele, depois de tudo o que aconteceu. Me sinto suja. Enquanto a Hidra fizer parte de mim, não posso tocá-lo e sujá-lo com meus erros.
— Boa noite, Tony.
Me levantei e fui caminhando apressada até meu quarto.
T O N Y
"
— Cheguei! — disse entrando em casa e tirando a gravata — Kayla?
O silêncio tomava conta da casa.
Confuso, tentei ligar para ela, mas ninguém atendeu.
— Sexta-Feira, onde está a Senhorita Williams?
— Ela recebeu uma visita de Alan Brooke, senhor.
— Quem é esse Alan? — pergunto um tanto enciumado
— Há dois registros. O que veio falar com ela se diz empresário e ligado à uma das empresas ligadas ao senhor.
— Dois registros? — pergunto descendo as escadas para a oficina
— É um impostor, senhor. — fico nervoso — O verdadeiro Alan Brooke dirige uma ONG especializada no combate ao desmatamento da Floresta Amazônica, no Brasil.
— Hackeie informações sobre esse impostor. — disse sentando-me em frente ao meu computador central
— Já fiz isso, chefe. O que você pensa que eu sou?
— O que achou? — perguntei ignorando brincadeiras
— O impostor é ex-agente da SHIELD e tem ligação com a equipe Striker. Se chama Alexander Jonas.
— Não pode ser. — comentei — Certifique-se.
— As informações são verdadeiras. Vasculhei câmeras de segurança de vários atentados da Striker e a senhorita Kayla foi vista em três deles.
Nessa hora, imagens de câmeras de segurança começaram a surgir em meu monitor, mostrando Kayla ao lado dos agentes da Hidra. Dois ataques à bases científicas e um ao antigo gabinete de Nick Fury.
Fui enganado.
"
Balancei a cabeça para os lados afastando as más lembranças e segui para a varanda, onde encontrei Steve e Thor. Franzi o cenho.
— É uma miragem. — comentei
— Cheguei faz vinte minutos. Não quis atrapalhar seu momento. — Thor apertou minha mão
— Se entendeu com Kayla? — Steve perguntou animado
— Estou tentando entendê-la. — troquei o assunto — O que faz aqui?
— Visitando. — o grandão deu de ombros — Queria conhecer sua nova namorada, mas Steve me adiantou o que aconteceu. Posso me juntar à vocês? Fiquei sabendo da invasão que estão planejando.
— Todo reforço será bem-vindo. — comentei
— Bucky chega amanhã. — Steve diz e eu suspiro pesado
— Vou começar a trabalhar no projeto do braço dele. A gente se vê amanhã. — me viro
— Não vai dormir? — Thor pergunta
— Ainda não. — digo tomando o caminho do laboratório
T H O R
Asgard estava em paz e eu decidi retornar à Terra. Quando cheguei no Complexo Vingadores, Steve estava na varanda e me viu chegar. Causei ventania e uma marca no gramado que faria Stark reclamar depois.
Eram muitas notícias para assimilar, mas Steve me garantiu que a nova namorada de Tony estava sendo usada contra ele. Foi manipulada, assim como Barnes.
Uma pena. Tony merece recomeçar.
Acordei sentindo-me pesado, mas era a mudança de mundo. Vesti uma roupa normal midgardiana e fui à sala, onde encontrei Wanda, Sam, Steve, Tony, Natasha, Clint, Bruce e Rhodes. Cumprimentei à todos e me sentei tomando café da manhã no balcão da cozinha.
— Maria e Fury foram para o departamento. — Nat diz
— Estou esperando Sexta-Feira me avisar. Já estamos quase lá com os códigos. — Tony diz
— Me avisem antes, para me preparar. — digo um pouco lambuzado com a calda das panquecas — Meu lance é a ação.
— Ah, você acordou. — ouço Wanda dizer e me viro, vendo ela receber uma morena — Venha conhecer o Thor. — elas se aproximam de mim — Kayla esse é o Thor, Thor essa é a Kayla.
— Muito prazer, Thor. — ela sorriu
Eu paralisei. Como ela podia?
Me levantei limpando a boca e a encarei abismado com tamanha semelhança. A olhei de cima à baixo e, quando caiu a ficha, me curvei diante dela.
Quando voltei para a pose normal, ela me olhava confusa, assim como todos os presentes.
— Como chegou à Terra? — questionei curioso e confuso
— Da forma tradicional, eu acho. — ela disse e sorriu sem graça
— Você... — analisei bem, para não cometer erros — É ela.
— Ela quem? — Tony pergunta
— Já nos vimos antes? — ela pergunta e pega uma maçã na fruteira, dando uma mordida
— Em Asgard. — digo perplexo
— Que? — ela se engasga mastigando
— Impossível, Thor. — Natasha ri
— Eu posso mostrar. — digo ainda encarando-a
— Conta a história de quem você acha que ela é. — Steve diz curioso
— Há muito tempo atrás, o chefe dos guerreiros de Asgard, se apaixonou pela deusa das sombras, durante uma batalha. O amor era impossível, mas ele se recusou a deixá-la, abandonando assim, a guarda de Asgard. Meu pai liderou uma tropa para m***r Lyanna, mas ao chegar lá, se deparou com você. — disse olhando para Kayla — Tão pequena e tão bonita que chegava à dar agonia. Meu pai suspendeu a luta, mas um dos guerreiros atravessou uma lança em seu peito, lhe tirando a vida. Esse guerreiro foi sentenciado à prisão, nos calabouços, onde vive até hoje. Mais de sessenta anos depois.
— Isso é loucura. — Sam comentou
— Sh, deixe-o continuar. — Rhodes o calou
— Heros, o chefe dos guerreiros, foi levado para viver na côrte de Asgard com você. Seu nome era Felícia e todas as amas do reino te adoravam. Você nunca chorava.
— Parece conto pra criança. — Bruce comenta
— Heros te mandou para a Terra quando você tinha pouquíssimos meses de vida. Tinha medo de que os discípulos de Lyanna lhe matassem, em vingança pelo abandono da deusa deles.
Um silêncio se fez e eu fiquei com medo da reação de todos. Eles pareciam confusos e incrédulos, causando-me nervosismo.
— Olha, é uma linda história, mas eu não sou adotada. — Kayla disse após o período de silêncio
— Sei que parece loucura, mas eu tenho certeza que é você. E, se for você, você corre perigo.
— Já temos muitas coisas para nos preocupar. — ela me encara — Adorei te conhecer, mas não nos traga mais problemas, por favor.
S T E V E
Após a história de Thor, a equipe se dispersou, indo para suas tarefas. Afinal, tudo continua.
Eu me sentei com Tony, Kayla e Bruce, para estudar o mapa da Áustria, sabendo das melhores saídas, bancos, avenidas e tudo mais que fosse necessário para nossa visita ao lugar.
— Rei T'Challa, de Wakanda, está adentrando o andar acompanhado de James Buchanan Barnes, o Soldado Invernal.
A voz de Sexta-Feira nos surpreende. Vejo a dupla entrar e abro um sorriso ao ver meu amigo.
— Bucky. — me levantei e o abracei, sentindo sua única mão dar uns tapinhas em minhas costas
— Steve. — ele sorriu e nos soltamos
— Majestade. — digo apertando a mão de T'Challa
— Steve. — ele sorri educado
— T'Challa, acho que você não conheceu Bruce. — Tony diz mexendo em seu tablet
— Doutor Banner. — ele aperta a mão de Bruce
— Alteza. — Bruce disse contido
Kayla se levantou e encarou T'Challa, que a analisava com os olhos de forma crítica. Eu gosto da forma como T'Challa acerta com as pessoas — quando não está manipulado emocionalmente.
— Srta. Williams. — ele sorriu educado
— Majestade. — ela segurou sua mão e ele beijou a mesma, causando um sorriso nervoso nela, que o soltou logo — Barnes. — ela cumprimentou Bucky
— Víbora. — ele se mantém impassível
— Há uma rixa entre vocês? — pergunto sentindo um clima estranho
— Competitividade, talvez. — Kayla diz ainda olhando-o
— Um dia, foi. — Bucky confirma
— Certo. Vamos trabalhar. — Tony diz visivelmente incomodado
— Alguma ideia para manter as mentes deles à salvo, durante o ataque? — T'Challa pergunta
— Na verdade, não. — Tony diz enquanto todos nós nos sentamos à mesa
— Eu tenho partes do conteúdo daquele caderno que os controlava. — T'Challa diz — Estive pensando em adicionar uma trava de segurança no cérebro deles. Algo que os deixe à nosso favor.
— Tá falando de invadir nossos cérebros? — Kayla pergunta perplexa
— Exatamente. — Bucky confirma
— Não vai fazer isso. Pelo menos, não comigo. — ela se opõe
— Pode ser a melhor opção. — T'Challa tenta reforçar
— Vai por mim, você não quer a verdadeira Víbora acordada. Não vai gostar dela.
— Ela tem poder pra m***r todos nós. — Bucky diz — É um campo perigoso para pisar.
— Eu não sou à favor de mexer na cabeça das pessoas. — Bruce também se opõe
— Não quero ver esse lado da Kayla de novo. — Tony diz — Mesmo que esteja ao nosso lado.
T O N Y
— Eu arranquei, eu devolvo. — disse mostrando o braço mecânico prateado ao Barnes
— Devolve por necessidade, não por vontade.
— É, não vou negar que ainda estou aborrecido. Bom, Bruce vai te ajudar a experimentar e fará os ajustes. Com licença.
Exausto, caminhei até a sacada do terceiro andar, vendo Thor debruçado no muro, observando o jardim. Já deviam ser umas três da tarde.
— Posso fazer companhia? — digo me aproximando
— Você deve estar achando que sou maluco. — ele comenta
— Por quê? Achar que minha quase namorada é uma deusa herdeira de discípulos malignos? Claro que não. — ouvi sua risada abafada
— Eu sei o que estou falando, Tony. E posso provar. Basta ela ir à Asgard comigo, para ver meu pai.
— Ela é prisioneira e está sob custódia dos Vingadores. Não pode nem sair do bairro, imagine do planeta.
— Prisioneira? Aquele engravatado sabe que estamos seguindo uma prisioneira?
— Na verdade, ele acha que ela ainda não se lembrou de nada e que está aqui para uma sessão de terapia com Natasha.
— Claro. Porque umas porradas resolvem tudo. — ele ironizou
— Não sei mais por quanto tempo posso manter Ross longe dela. — suspiro olhando as árvores — Vou ter que enviar um email para ele, contando sobre tudo.
— Ela não pode ser presa.
— Se ela for a deusa que você diz.
— Ela é! — ele insiste
K A Y L A
Já no silêncio e segurança do meu quarto, abri o notebook que Bruce me deu e entrei na janela indicada. Lá estavam as pessoas que me ajudariam.
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# Sr. Verde : todos conectados?
# Preciosa : vai, tô ansiosa
# Dona : ai, quase não consigo entrar nesse troço
# Sr. Verde : lembrem-se de usar os pseudônimos e, querida Preciosa, me faça o favor de manter-se discreta
# Dona : falem logo
# Preciosa : sou muito discreta, Verdão
# Dona : consegui a parceria que precisávamos. Temos grandes equipes trabalhando nisso
# Sr. Verde : ainda não consegui chegar num resultado. Sinto como se minha cabeça fosse explodir
# Dona : ainda não obtive respostas aqui
# Preciosa : o tempo está passando
# Dona : eu sei
# Sr. Verde : estamos fazendo tudo o que podemos
# Preciosa : e se a explicação não for científica?
# Sr. Verde : como assim?
# Preciosa : talvez, se usarmos uma preciosa Escarlate. A verdadeira preciosa
# Dona : tá sugerindo o que eu tô pensando?
# Sr. Verde : é perfeito! Como não pensei nisso antes? A gente se fala depois
@ Sr. Verde está offline @
# Preciosa : até mais, Dona *_*
@ Preciosa ficou offline @
# Dona : esperem! Como desativo essa coisa?
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