Confusão

3082 Words
T O N Y   ♦ Quando os primeiros raios solares saíram, eu deixei o copo de lado e tomei um banho bem frio. O dia seria longo, acompanhando mais uma tentativa de interrogatório. Já era a terceira vez que tentávamos isso, mas a mulher simplesmente não sabia de nada. Era como se tivera acabado de nascer. — Sexta-Feira, o que conseguiu? — Kayla Williams não tem nenhum registro recente, senhor. De acordo com a descrição, o único registro é de sessenta anos atrás. Parei pensativo por um segundo. Qual era o problema da Hidra? Estava sempre pegando pessoas velhas e mantendo novas. Eles são contra o envelhecimento? Preciso entrar pra gangue. — Vamos lá, garota. – Viúva encarou Kayla com os braços cruzados. Ela ainda não havia perdoado o corte feito pela espada em sua bochecha — Tem certeza que eu sou a pessoa que você procura, moça? – Kayla a olhou confusa — Vou ler seus arquivos pra você ter certeza de que é a pessoa que procuro. – Natasha pegou o papel em cima da mesa — Carol Summers, mais conhecida como Víbora. Comandou mais de quarenta invasões e é responsável por mais de oitenta assassinatos. — Eu? – a mulher se agitou — Tá legal, vamos dar um tempo. – Nat saiu da sala de interrogatório, deixando Kayla lá sozinha —  Essa dissimulada está esgotando meus 2% de paciência. – disse quando chegara a parte secreta da sala, onde Kayla não nos via e nem nos ouvia — Não achei que você tivesse tanto. – Barton implicou — Pois é, é novidade para mim também. – a ruiva bufou — Se eu entrar lá de novo, vou dar uma surra nela. — Aquele cara que estava com ela. Vocês se lembram? – Capitão nos olhou — O cara pra quem ela jogou o pen drive? – Rhodey o olhou — Esse mesmo. Ele fez alguma coisa com ela, antes da porta fechar. — Onde quer chegar, Rogers? – eu o olhei — Se ela é da Hidra e era algum tipo de soldado – assim como Buck –, eles devem ter algum tipo de controle sobre a mente dela. Alguma palavra chave, algum sinal. — Acha que ele lhe disse algo? – Nat o olhou curiosa — Talvez. — Sexta-Feira, eu quero análise das câmeras de segurança de cinco dias atrás, na festa. – dei o comando — Analisando. – o programa respondeu — E se essa teoria estiver certa? – Nat me olha — Como a gente traz ela de volta? — Não faço ideia. – dei de ombros — É a primeira vez que te ouço dizer isso. – Clint implica — Aí nós daremos um jeito. – Nick Fury entrou na sala com um caderno de capa de couro preta nas mãos. Em um lado da capa, tinha um V bem grande e dourado, se destacando — Este é o Diário da Víbora. Kayla registrava tudo aqui. Quando estava em combate, usava o nome de Carol Summers. Era bom para camuflar. — Bom, então vamos ler esse diário e acabar logo com isso. – Rhodes disse simples — Não funciona assim, coronel. Ele está escrito em uma língua diferente que só ela entende. Temos que voltar e interrogar mais. – Fury explica — Olha só, eu não estou afim de voltar para aquela sala. – Nat bufou — Tudo bem. Mandaremos outra pessoa. – ele olhou para mim — O Tony? – Rogers o olha surpreso — Nem. Vem. – disse pausadamente e me sentei diante do monitor mais próximo, analisando as imagens de Sexta-Feira — Tony é o mais afetado nisso, Nick. – Capitão saiu em minha defesa — Acho injusto ele ir. — Ela pode se lembrar dele. — Ela também me conheceu. Talvez se lembre. – ele diz enquanto eu olho pro monitor — Assim como conheceu Natasha, mas nem por isso a reconheceu. – Nick insistiu — Vocês não tiveram uma... Ligação com ela. — Olha só, deixe-me ir primeiro. — Rogers insistiu — Se ela não me reconhecer, talvez até seja bom. Não sabemos qual Kayla irá surgir. Se é a que ficou conosco por oito meses ou a que a Hidra comandou. Nick suspirou pesado. Tava na cara que ele queria acabar logo com isso, assim como eu. Mas eu não iria entrar naquela sala. Não mesmo. Meus olhos saíram do monitor e foram para a parede de vidro em minha frente. Kayla estava fazendo uma careta enquanto olhava para a porta de um jeito pensativo. Eu conhecia aquela expressão o suficiente para saber que ela estava estressada e estava começando a ter uma baita dor de cabeça. Incrível como oito meses nos fazem conhecer a pessoa, não é? Ou melhor, nos fazem pensar que conhecemos. — Tudo bem, Steve. Vá. — Nick liberou — Coloque o comunicador. — Nat tirou de sua orelha e passou para Steve — Não a deixe notar que está sendo vigiada. — Certo. — Capitão confirmou — Achou alguma coisa, Tony? — ele me olhou — A câmera não pegou muito bem, mas o cara disse algo a ela sim. – expliquei — Sexta-Feira está fazendo leitura labial. — Certo. — Mostre o diário à ela. – Nick lhe entregou o diário — Ela pode se lembrar. K A Y L A  † Já faziam alguns minutos que a ruiva havia saído. Eu estava sozinha naquela sala, mas algo me dizia que era observada o tempo todo. Foquei num ponto fixo e tentei me lembrar de algo da minha vida. Só me lembrava do dia em que acordei aqui. *** Eu estava numa cama de hospital, mas não estava em um. Eu usava um vestido preto bonito e com uma f***a enorme na perna direita. Será que eu estava numa festa e bebi até ficar inconsciente? Não conseguia me lembrar. — Puxa, até que enfim. — um careca de t**a-olho me olhou — Por quanto tempo eu dormi? — Dois dias. — ele disse simples — Você tem muito que explicar. — Tá o.k., mas posso fazer uma pergunta? — Pode. — Qual é meu nome? *** A porta se abriu e um rapaz alto e bonito entrou na sala. Ele era loiro dos olhos azuis e parecia preocupado. Acho que estava armado, pois algo fazia volume debaixo de sua camisa. — Oi. — ele disse — A Ruiva já se cansou de mim? Ele sorriu torto. Um sorriso bonito e calmo, que estranhamente me passou segurança. — É, acho que três dias sem respostas a fizeram se cansar de você. — ele se sentou — Qual é o meu nome? — Carol. — Esse não é o meu nome. — teimei — Por que acha isso? Se lembra de alguma coisa? — Não é o meu nome. — o olhei séria — Como pode ter tanta certeza? — Eu não sei, eu só... — refleti um pouco e suspirei — Não combina comigo. O silêncio pairou no ar por um momento. Eu não sabia o que ele faria ali. Talvez me fizesse as mesmas perguntas que a Ruiva ou talvez ia falar que me conhecia. De alguma maneira, eu via a palavra honestidade estampada em sua testa. Ele parecia certo demais e acho que eu saberia se ele mentisse. — Por que eu estou algemada aqui? Verdade que matei todas aquelas pessoas? — Eu queria poder dizer que não, mas é verdade sim. E é por isso que você está algemada aqui. — Então eu sou um monstro? — Você estava um monstro. — Eu sou um monstro. – afirmei e baixei os olhos, perplexa — Tenho algo para você. Seu timbre grave me faz olhá-lo e engolir o choro que estava prestes a vir. O rapaz levantou um pouco a camisa e tirou um caderno do cós da calça, pondo-o em cima da mesa. O caderno era com capas de couro preto e tinha um V dourado que chamava atenção. — Pode pegar. O rapaz, vendo minha hesitação, me encorajou. Com cuidado, eu passei os dedos pela capa e contornei a letra dourada. Senti como uma pancada forte na cabeça. Várias coisas vieram à tona. Gritos, golpes, muita água, muita dor. Apesar de não poder ir muito longe por conta as algemas na mesa, eu me afastei e empurrei o caderno. Comecei a suar e a tentar me soltar. Eu queria me afastar daquilo. — Ei! — o rapaz me chamou e eu percebi que estava em pânico — Onde conseguiu isso? — perguntei agitada — É seu. — Tire isso daqui. — disse ofegante — Tira! Eu me contorcia descontroladamente numa tentativa falha de me livrar daquelas algemas. Em algum momento da minha loucura, eu derrubei a cadeira em que estava sentada e comecei a chorar, enquanto tinha espasmos violentos. O rapaz falava algo para me acalmar, mas sua voz não entrava em minha mente. Não acredito que matei tantas pessoas. Eu não posso ser esse monstro que eles estão falando. — Por favor, se acalma! Em algum momento, enquanto eu chorava ajoelhada, a voz do Loiro me atingiu e sua mão afagou a minha. Eu ergui minha cabeça e o olhei para ele pelos cabelos desgrenhados que tomavam meu rosto. Fechei os olhos por um minuto para sentir seu toque suave. Nada me era familiar ali, mas devia ser para ele, já que foi o único que demonstrou preocupação comigo ali. — Toma um pouco de água. Eu abri os olhos e o vi me soltar e pegar uma garrafa de água mineral no móvel ao lado. Ele levantou minha cadeira, me ajudou a sentar, abriu a garrafa e me deu água com paciência. Depois, ele voltou a se sentar. O caderno já não estava mais à minha vista. Talvez tenha voltado pra cintura dele. — Aposto que deve ter uma pá de gente armada lá fora. — disse baixo, olhando meus pulsos levemente marcados — É, tem sim. — Acha que vou morrer, se tentar fugir? — Está planejando fugir? Eu o olhei séria. Ele ainda não havia se tocado onde eu queria chegar. — Não é a fuga que me atrai, senhor. — ele me encarou sério — Será que eu posso voltar para a minha cela? Ele ficou em silêncio por um instante. Acho que sacou o que eu queria dizer. — Como quiser. T O N Y   ♦ — A palavra gaijin está relacionado à estrangeiro, desertor e muitas outras coisas, na língua japonesa. — expliquei enquanto Steve estava na sala — Eles apagaram a mente dela porque sabiam que ela ficaria pra trás. — Natasha concluiu — Não faz sentido. — Barton disse — Se ela é tão importante pra Hidra, por que a deixaram pra trás? — Eles virão buscá-la. — digo baixo Paro pensativo por um tempo, tentando prever o próximo passo do inimigo. Estão demorando muito. Tudo aconteceu à cinco dias. Eles não deixariam sua principal arma para trás. Ela é a Viúva n***a deles. — Alarme de invasão! Alarme de invasão! A voz de Sexta-Feira ecoou pelo prédio e eu revirei os olhos. — Odeio estar sempre certo. — bufei — Vou fingir que acredito. — Nat e Clint bufaram juntos — Para onde vamos levá-la? — Nick pergunta — Manda o Picolé Sensível fazer a escolta dela. — minha armadura me atingiu, vestindo-me — Vou conter os invasores. Dei uma última olhada pela parede de vidro, vendo Kayla assustada e Capitão soltando sua algema da mesa. Respirei fundo e saí já começando a atingir alguns invasores. Eu precisava extravasar. S T E V E   ★ O caminho até a garagem estava sendo tumultuado. Natasha e eu escoltávamos Kayla, que parecia bem assustada com tudo o que estava acontecendo. — Natasha, vai com ela. Eu alcanço vocês logo. — disse nocauteando alguns invasores — Vem! — ela puxou Kayla, que ficou parada — Ele vai ficar sozinho? — ela perguntou — Ele sabe se cuidar. — Natasha rebateu — Vão! — gritei lutando — Vem! Nenhum dos soldados que abati me eram familiares. A Hidra está se restabelecendo e isso não me agrada nem um pouco. Nem um pouquinho mesmo. Ao chegar na garagem, vi Kayla encostada no carro em que provavelmente iríamos fugir. Natasha tentava acalmá-la. Acho que ela entrou em pânico, pois as mãos estavam na cabeça e ela quase não conseguia se manter em pé. — O que aconteceu? — me aproximo delas — A gente esbarrou com um cara estranho. n***o, alto, forte. Clint o tirou do nosso caminho, mas ela ficou assim. — Aaaah! — Kayla gritou e seus joelhos vacilaram. Eu a segurei firme, com um braço — Ele disse algo a ela? — Ele a saudou em russo. Privet. — O que significa? — olhei para Nat — É tipo um olá. — ela deu de ombros — Kay... — eu tentei chamá-la, mas Natasha me interrompeu — Carol! — ela disse firme — Está melhor? Kayla piscou e se recompôs, embora ainda estivesse branca e com os lábios pálidos. Colocamos ela no banco de trás do carro e eu assumi o volante, vendo Natasha se acomodar ao meu lado. O caminho para o Complexo estava silencioso e, pelo espelho retrovisor, vi que Kayla ressonava tranquilamente, com a cabeça encostada na janela. — Você quase a chamou de Kayla. — Nat comentou esparramada no banco, com o pé no painel do carro — Acho desnecessário chamá-la pelo nome de combate. Afinal, quero que a antiga Kayla retorne e não a arma secreta da Hidra. — Não sabemos quem vai retornar. Aliás, não sabemos nem se ela realmente foi a Kayla que conhecemos. — O que ela e o Stark viveram foi real. — olhei de relance para a ruiva ao meu lado — Não há como saber. Você viu como ela estava diferente no ataque na festa, Steve. Ela nem se importou em passar uma espada na minha cara. — ela me olhou — A cabeça dela é um campo minado que a Hidra comanda. Tá na cara que ela sofreu algum tipo de alteração, assim como Bucky. — Você continua passional demais, meu caro Rogers. Está no ramo errado. — Não me importo de pensar diferente de vocês. — Acha que Tony está confortável com isso? — O que você acha? — rebati — Acho que ele está se esforçando para se esconder. — Ele a ama e ela ama ele. — me virei e vi Nat bufar — Só não se lembra disso ainda. Quando chegamos ao Complexo, Kayla já estava acordada, apesar de parecer extremamente cansada e confusa. Natasha segurou o meio de suas algemas e foi puxando-a pelo enorme campo. Ela andava devagar e parecia se esforçar para não tropeçar nos próprios pés. O uniforme de presidiária que a deram era grande demais para ela, mas isso não pareceu lhe importar. Os Vingadores que estavam presentes, vieram nos receber. — Por que ela está aqui? — Sam perguntou e ela parou, olhando-o — A base foi atacada. — expliquei — Stark já chegou? — Natasha perguntou — Acabou de pousar na sacada do segundo andar. — Visão explicou — Onde vão acomodá-la? A voz de Wanda encheu o salão de entrada e Kayla olhou para ela de maneira séria e analisadora. Teria ela se lembrado de alguma coisa? Das risadas que as duas davam assistindo aqueles filmes bobos? Acho que não, pois ela não esboçou reação alguma. — Aquele quartinho que tem aqui embaixo está ótimo. — Nat disse e começou a puxá-la rumo ao cômodo — Ela parece perturbada. — Sam se aproxima de mim, enquanto observo as duas sumirem no corredor — Ela não se lembra de nada. — explico — E surtou só de ver esse diário. — tiro o caderno da cintura — Como Fury conseguiu pegar esse diário? — Visão indagou pensativo — Não sei, mas ele pegou. — Por que a gente não lê logo isso? — Wanda questionou — Porque está escrito num idioma esquisito. — Já resolvi esse problema. — a voz de Tony preencheu o ambiente — Banner está vindo. — ele disse e saiu rumo à sua oficina + + + — Doutor Banner. — eu o cumprimentei — É bom vê-lo de novo, Steve. — ele sorriu — Chega de melodrama, o.k.? — Tony disse incomodado com algo — Vamos ao trabalho. — É pra isso que estou aqui. — Bruce deu de ombros Todos nós seguimos a dupla de gênios até a oficina de Tony e ficamos observando Bruce analisar o diário. Natasha estava incomodada com a presença dele, mas disfarçava bem. Ela e Wanda pareciam ocupadas conversando sobre o estado de saúde de Kayla, pois Nat lhe contava sobre os exames que não relataram a perda de memória. Visão, Barton e Sam conversavam sobre algo relacionado à mente e Visão parecia empolgado em explicar como a mente humana funciona. Eu apenas acessei o computador de Tony e pesquisei sobre Kayla. Kayla Rose Williams Data de nascimento:   13 de setembro de 1957, Brooklyn, NY Desaparecida em 15 de março de 1988 Endereço: Rua Green, 2014, apartamento 6C, Brooklyn, NY N° identidade: 987-76-5320 Dados bancários: Não encontrados Ocupação: Professora de literatura Estudou em: Colégio Martin Luther King Trabalho: Colégio Corleone Pai: Ray A. Williams Nascimento: 1° de setembro de 1923 Falecido em 14 de setembro de 1957 Mãe: Rosalie May Williams Nascimento: 15 de janeiro de 1926 Falecida em 22 de dezembro de 1979 — Fuxicando minhas coisas, Rogers? — a voz de Tony me chamou atenção — Conseguiu reunir tudo isso? — arregalei os olhos — Não é dela, é da mulher que ela assumiu identidade. — Ou da mulher que ela foi antes de se tornar a Víbora. — Não amola, Rogers. — ele revirou os olhos — Acho que consigo traduzir o diário dela. — Banner se pronunciou — Está escrito no idioma de uma antiga tribo africana, mas já consegui decodificar. — Excelente. — Tony elogiou — Que bom que voltou, Bruce. Eu já estava cansado de ser o único gênio por aqui. — Quando começa a traduzir isto? — Wanda perguntou — Em breve. Acho que consigo traduzir uma página por dia. — Ótimo. — Natasha deu de ombros — Melhor que nada. — Ainda quero saber como Fury conseguiu isso. — Barton pensativo — Vai ter que entrar na fila, porque também quero saber. — suspirei
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