Senhora Stark

2671 Words
 K A Y L A Quando meus olhos se abriram, a luz da lua era quase imperceptível no quarto. Pela escuridão, não vi a sombra de Tony ao meu lado. Me estiquei na cama e liguei o abajur, tendo plena certeza de que estava sozinha. Me sentei na cama e fiquei observando o mar, enquanto a brisa fria se chocava suavemente em meu corpo. Eu amo o mar. Adorava quando Tony e eu morávamos aqui em Malibu, com aquela casa incrível que ele reconstruiu na beira do abismo. O cheiro da maresia invadiu minhas narinas, causando um desconforto grande em meu estômago. Logo, senti o gosto amargo da lasanha do jantar misturado com o suco gástrico. Chutei as cobertas e, desajeitada, corri pelo quarto até chegar ao banheiro. Uma vez lá dentro, ajoelhei perante o vaso e coloquei para fora tudo o que tinha em meu estômago. Comida, bebida, sobremesa, suco gástrico, minhas tripas. Parecia que meus órgãos estavam se revirando dentro de mim. Me sentei no chão e fechei o vaso, dando descarga logo em seguida. Isso não é normal, pelo menos para mim. Me deitei no chão frio até a sensação r**m passar, o que demorou umas meia hora, eu acho. Me levantei, tomei um banho, escovei os dentes e voltei para o quarto, que agora era iluminado pelos poucos raios solares que saíam enquanto o sol nascia. Vesti meu jeans, calcei um tênis rasteiro que Tony havia trago e vesti o canguru preto com capuz. Não pude deixar de notar que meus cabelos estavam enormes e isso estava começando a me incomodar. — Acordada tão cedo. — ouço a voz de Tony e o vejo entrar, fechando a porta atrás de si — Insônia. — minto — O que o tirou da cama tão cedo? — Thor a colocou sob sua custódia. Sendo assim, o nosso governo não pode julgar você. — Isso era pra me deixar feliz? — pergunto de mau humor — Bom, considerando que poderemos parar de fugir e ficar juntos, de fato, era sim. — ele responde jogando a mochila na poltrona e tirando a jaqueta — Que cara é essa? O que está te perturbando? — Mais fácil dizer o que não está me perturbando. — bufo — É apenas mau humor matinal. Logo passa. — Sabe, eu tive uma ideia. Oh, Deus! Lá vem ele. Um misto de sensações se juntavam em meu coração, cada vez que ele dizia essa frase. — Que ideia, Anthony? — eu o olho séria — Calma! — ergue as mãos em rendição — Não é nada insano. — Fala logo. — A gente vai casar. Hã? Casar? Essa palavra havia saído da boca dele? Minha cabeça rodou e meu estômago se apertou, fazendo-me cambalear. Tony me amparou, antes que fosse de cara no chão. — Ei, também não precisa de tudo isso. — ele ri — Falo sério. — Tony, não. — Vamos sim. Ah, qual é! Não é uma coisa tão r**m casar comigo. — ele me senta na cama — Você comeu tinta com chumbo no café? — o olho surpresa — Na verdade, ainda não comi nada além de uma rosquinha açucarada. — O açúcar fez estrago em você. — solto uma risada m*l humorada — Ai, você acordou ranzinza hoje. — o vejo revirar os olhos — Nosso vôo de volta à Nova York sai às seis da tarde. Podemos passar num cartório, oficializar tudo, curtir uma curta lua de mel e voltar. — Tony, isso é insano sim! — Tem um cartório aqui do lado. Posso mandar o juiz vir até aqui e termos uma cerimônia simples. — Oh, meu Deus! — Quer saber? Vem! — ele pegou a jaqueta com uma mão e me puxou com outra — Vamos te comprar um vestido. + + + Já sem disfarces, Tony me largou na praça de alimentação do shopping em Los Angeles, após tomarmos o café. Segundo ele, nos encontraríamos aqui daqui à uma hora. Ele me deu um celular, para avisar quando estiver tudo pronto. Só que eu não faço ideia do que fazer, uma vez que nunca passei por algo similar. Entrei numa loja simples e a vendedora jovem veio até mim com um sorriso largo. — Bom dia, em que posso ajudá-la? — Eu preciso de um vestido. — tentei soar tão doce quanto ela — Algum evento importante? — ela começou a andar pela loja e eu a segui — Sim, hã, é o meu casamento. Ela me olhou espantada, mas depois sorriu animada, correndo para mostrar-me sua melhor arara de vestidos. Oh, meu Deus, eu vou me casar. Odin ficará furioso ao saber disso. — Bruce? — questionei — Olá, Kayla. — sua voz soou calma, do outro lado da linha — Preciso da sua ajuda. — Aconteceu alguma coisa? — É que... — eu não sabia como explicar — Estou me sentindo muito m*l. — Algo envolvendo a mente? — Não, é com o meu corpo que tem algo errado. Estou sentindo muita náusea, tontura. — Assim que chegarem aqui, farei alguns exames. Kayla, Tony conversou com você à respeito da equipe? — Conversou no café. — E você vai se juntar à nós? — Posso ficar só com a teoria, por enquanto? Não quero nem pensar em missões, no momento. — ouço sua risada baixa — Certo. Se cuida. — Obrigada, amigo. Me encarei no espelho do banheiro, vendo um reflexo diferente. Agora, entendo perfeitamente o que Pepper comentou. Eu realmente estava com traços mais duros e marcados. Acho que envelheci nessas duas semanas em Asgard. Peguei a tesoura na gaveta da pia e soltei meus cabelos, sentindo-os caírem em minhas costas. Os joguei para frente e comecei a cortá-los sem pena. Até agora, não entendi como eles cresceram tanto, no período que passei em Asgard. Quando joguei a cabeça para trás, meus cabelos tocavam meus ombros e fios grandes de cabelo me rodeavam. Limpei tudo e tomei um banho, lavando meus cabelos mais curtos com precisão. Ao sair do banho enrolada num roupão, tratei de dar um jeito na minha cara de b***a com um pouco de maquiagem milagrosa, capaz de esconder minhas olheiras. Retornei ao quarto e peguei o vestido da sacola que estava em cima da poltrona. Era um vestido simples, porém muito bonito. Era longo de um pano leve, com as costas abertas, na cor branca e com um decote discreto nos s***s. Parecia muito com um dos vestidos que usei em Asgard. Deixei os cabelos soltos e caminhei descalça pela sacada, até chegar na areia da praia. Caminhei até onde o juiz de paz estava e vi Tony ao seu lado, trajando uma bermuda branca e um camisão da mesma cor. O vento bagunçava seus cabelos razoavelmente maiores e ele tinha um pequeno sorriso nervoso nos lábios. O que não me agradou foi a recepcionista oferecida ao seu lado, com a mão em seu ombro. — Senhorita Williams. — um moço jovem e magro se aproximou de mim — Sim? — Senhor Stark achou que a senhorita fosse gostar. — ele diz me mostrando a coroa de pequenas flores amarelas em suas mãos — Me permite? Eu sorri e ele a colocou em minha cabeça, sorrindo. Se afastou e eu caminhei rumo ao homem que me esperava com um sorriso ainda maior por ter me visto. Sorri de volta e ele se livrou da recepcionista, vindo de encontro à mim. — Você está deslumbrante. — ele me abraçou — Você tá incrivelmente lindo. — sorri — Vamos dar início cerimônia. — ouço a voz do juiz Caminhamos até onde a mesa com o livro estava e segurei na mão de Tony, enquanto ouvia toda aquela baboseira de casamento. Confesso que não prestei muita atenção, pois o sorriso de Tony estava roubando a cena de tudo. Ele parecia tão sereno. — As alianças? — ouço o juiz perguntar — Eu pensei em algo melhor. — Tony diz tateando o bolso Ele pega uma pequena caixa e a abre, revelando as alianças ali, mas estavam presas em uma correntinha de ouro. Numa aliança, estava escrito Tony e na outra, Kayla. Tony me olha. — Vão nos m***r quando souberem que não os chamamos. — ele se refere à nossos amigos — Mas é um momento nosso. Rapidamente entendo o que ele diz. Não vamos usar aquelas alianças nos dedos. Seria muito simples e nós somos diferentes. O juiz concretiza tudo e eu coloco a aliança em meu dedo, enquanto Tony a prende em seu pescoço, com a correntinha, por baixo da camisa. Cada um usa como achar melhor. — Pode beijar sua esposa. — o juiz diz sorrindo — Senhora Stark. — ele sorri para mim e me beija + + + Assim que Tony estacionou em frente ao Complexo, eu desci do carro, me certificando de que a aliança pendurada em meu pescoço — optei por tirá-la do dedo quando vi paparazzis no aeroporto — estava de uma forma mais discreta. Caminhamos juntos até a sala de jogos, onde os homens jogavam sinuca e Wanda jogava dominó com Natasha. Já passavam das dez da noite. — Chegamos, cambada. — Tony anuncia — Felícia. — Thor sorri e me abraça — Ei, Odinson. — sorrio — Ainda não me acostumei a estar com uma semideusa. — Tony comenta — Como foram os dias de lua de mel? — Natasha pergunta — Maravilhosos, mas o dever chama. — Tony diz — Alguma notícia preocupante? — ele pega um taco, enquanto eu tiro a jaqueta de couro e me jogo no divã, pegando uma garrafa de cerveja — Tudo quieto. — Sam comenta — O que preocupa um pouco. — Steve diz dando uma tacada e encaçapando duas bolas — O governo tá em cima pra integração de Kayla e Bucky na equipe. — Banner diz — Próxima missão, eles irão. É o jeito de nos deixarem em paz. — Espero que essa missão demore bastante. — comento — Ganhei! — Wanda comemora — Aff, desisto. Não quero mais. — Nat resmunga largando as peças — Thor disse que curou você da cabeça. — Bucky comenta — Visão e Wanda me ajudaram também. — Fico mais aliviada. — sorrio — Mas não tenho certeza se estou curada. — A chama de seu pai está acesa em você, então nada mais pode te controlar. — Thor me olha — Já conversamos sobre isso. Tenha fé. — Ok, desculpa. — ergo as mãos e tomo um gole da minha cerveja, sentindo meu estômago protestar — Bom, eu vou dar um pulo no paraíso e depois volto. — Tony diz indo pra sua oficina — Kayla, será que eu posso conversar com você? — Bruce diz me olhando tenso — Tudo bem. — confirmo Deixo a cerveja de lado e o sigo até seu laboratório, onde há uma grande bagunça em cima da mesa metálica. Fico tentando imaginar o que o fez causar isso tudo. Imediatamente me lembro das bagunças de Tony. " — Tony, você ainda não está pronto? — boto as mãos na cintura, enquanto o observo no meio de toda sua bagunça — Você não vai acreditar no que eu descobri. — ele diz animado — Que você está vinte e cinco minutos atrasado? — Atrasado pra quê? — ele nem me olha, perdido em suas bagunças — Coquetel com os acionistas, Anthony. — Vish, se chamou de Anthony é porquê estou fazendo besteira. — joga uma ferramenta na mesa e me olha — Eita, com mãozinha na cintura e tudo. — Não debocha, Tony. — reviro os olhos — Fica tão linda brava. — Você vai arrumar essa zona toda. — dou a ordem — Sim, senhora. — bate continência " Acabo sorrindo com a lembrança e respiro aliviada por estar de bem com ele. Aliás, de bem e casada. — Junto com os arquivos da Stark Enterprises, Natasha recuperou um caderno que é bem similar ao seu diário, porém está nomeado como Manual da Víbora. — Bruce diz sério — Lá tem todas as palavras, códigos de segurança, os idiomas que te controlam e como funciona cada parte do seu corpo. — Isso é bom, mas é inútil, não é? Thor já deu um jeito na minha mente. — Sim, mas aqui tem algo importante. — ele pega o caderno — Uma anotação feita há uns quatro meses atrás. — Que anotação? — me aproximo e pego o caderno, folheando o mesmo — Eles temiam que Tony tivesse ameaçado seu sistema, então decidiram criar um novo soldado. — E...? — E você seria a criadora desse soldado. Eles ativaram seu sistema reprodutor. — Isso só pode ser brincadeira. Não faz sentido, Bruce. — De acordo com este livro e seus sintomas, você está grávida, Kayla.                     S T E V E — Bucky embarcou agora com Natasha, Sam, Visão e a equipe de apoio. — aviso à Tony e Bruce — Algum sinal dela? — Não. — doutor Banner responde Já fazem uns dois dias que Kayla sumiu e não deu notícia alguma. Segundo Bruce, ela parecia perturbada com a notícia de seu manual e surtou, logo fugindo de nós. — Tem que haver alguma explicação para isso. — Tony resmunga — Estávamos tão bem, não tem motivo pra ela sumir desse jeito. — Bom, Tony, essa notícia cabia à ela te dar, mas perante as circunstâncias... — Bruce respira fundo, nos fazendo olhá-lo — Ela está grávida. Um silêncio pesado se instalou no ar. Eu gostaria de dizer "Grávida?", mas isso cabe à Tony e não à mim. Tony parecia estar numa espécie de transe, tentando entender o que estava acontecendo. — Impossível. — disse ao acordar do transe — Ela me disse que foi esterilizada. O tal Mestre confirmou isso. — Eles controlavam o corpo dela, Tony. Precisavam de um novo soldado e ativaram o corpo dela para reproduzir este soldado. A primeira inseminação não deu certo, então continuaram tentando. — Bruce explica pacientemente — Há alguns dias, depois de vocês passarem a t*****r loucamente, ela me ligou se queixando de náuseas, tonturas e vômitos. Não deu tempo deles desativarem. Ela está grávida. Não sabia se desejava parabéns ao Tony ou se o segurava, para que ele não caísse. Meu celular tocou bem nessa hora, mostrando o novo número de Kayla. — Alô! — digo eufórico — Tony está por perto? — sua voz soa distante — Sim, está do meu lado. — os gênios me olham — Vocês já sabem? — Bruce nos contou agora. — O governo já sabe que eu não embarquei com Bucky? — Sim. — Estamos encrencados? — Talvez. — dei de ombros — Peça para Tony vir até o gramado dos fundos. Ela desligou a ligação e eu franzi a testa ao dar o recado para Tony, que saiu em disparada pelo Complexo.                      T O N Y Lá estava ela, sentada num banco do jardim. Usava um vestido na altura das coxas e sapatilhas. Os cabelos estavam soltos e balançavam de acordo com o vento. Mesmo com o semblante preocupado, estava linda. — Onde é que você estava, Kayla? — pergunto ao me aproximar e sentar ao seu lado — Na Torre. — ela diz normal — Programei Cat para hackear Sexta-Feira, impedindo-a de te alertar. — Por que você sumiu? — Porque eu não tenho ideia de como lidar com isso. — E você acha que eu tenho? — Ótimo, somos dois surtados. — Melhor surtar juntos do que cada um em um canto, completamente vulnerável. — Eu já me acostumei a estar sozinha. — Pois então, trate de desacostumar. — pego em sua mão — Você não estará mais sozinha. — Tony, eu sou uma arma. E se tudo der errado? — Você era uma arma. E, se tudo der errado, vou te abraçar e ficar com você do anoitecer ao amanhecer. Vejo seu corpo ainda tenso e a confusão em seu olhar. — Baby, eu estou aqui. — a beijo
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