S T E V E
Quando retornamos ao Complexo eu só conseguia pensar em Thor e Kayla indo para Asgard. O que será que aconteceria?
Natasha parecia apreensiva com a situação, mas me lançava um olhar que me dizia outra coisa. Ela esperava mais de mim e, por Deus, eu era um desastre com as mulheres.
Desde a noite que passamos juntos, pouco antes do aniversário de Tony, nós nunca mais tivemos aproximação alguma. Não tivemos tempo. A descoberta da traição de Kayla, o Tratado de Sokóvia, o retorno de Bucky, a briga interna, a reconciliação, o retorno da Víbora, o retorno de Banner, a invasão e destruição da Hidra.
Mas eu tomei coragem. Naquela mesma noite, fui até seu quarto e nós nos amamos de uma maneira ainda mais intensa. Eu sabia que Natasha era uma moça incrível cheia de complexos. Mais uma vítima dos verdadeiros vilões da vida.
— Você acha mesmo que ela é a deusa que Thor tanto diz? — ela questiona enquanto estamos deitados em sua cama
— Viu os olhos dela? Aquilo não é normal. — comento
— Sabe que virão atrás dela, não sabe?
— Sim. Aí nós lutaremos.
— É, lutaremos. — ela concorda
Duas semanas depois e Ross retornou com artilharia pesada. Estava disposto a levar a cabeça de Kayla em um saco plástico.
Eu não permitiria isso. Bom, pelo menos Kayla não havia voltado de Asgard ainda.
— Capitão Rogers, a Víbora e o Deus do Trovão acabam de pousar no gramado dos fundos. — a voz eletrônica me alertou
Droga! Péssima hora para o retorno.
— O que faremos? — Nat pergunta enquanto Wanda e Visão enrolam Ross
— Vá para lá e os avise.
A ruiva assentiu e se retirou às pressas. Era chegada a hora de lutar.
N A T A S H A
Era difícil de explicar o modo que eu me sentia quando estava com Steve. Ele me fazia bem e tinha um s**o incrível, devo admitir.
Mas a prioridade momentânea era salvar o pescoço de Kayla, até termos uma solução para seus problemas.
Corri para a parte dos fundos do Complexo e avistei Thor, Tony, Bruce e Kayla usando um vestido maravilhoso. As coisas foram boas em Asgard, né?
Hill apareceu ao lado deles, entregando-lhes uma mochila preta. Me aproximei mais rápido.
— Péssima hora para vocês voltarem. — digo quando estou perto — Você precisa fugir agora.
— Eu não tenho pra onde ir. — Kayla diz
— Na mochila tem uma troca de roupa e dinheiro. — Hill explica
— Usem meu carro. — tiro a chave do bolso traseiro e dou à ela
— Tá, eu preciso pensar.
— Não há tempo para pensar, Kayla. — Bruce diz
— Gente, calma. Tudo aconteceu muito rápido. — Thor a defende
— Eu vou com você. — Tony diz pegando a chave do meu carro da mão dela
— Não, Tony. Você chama muita atenção. — Hill comenta
— Vocês precisam de identidades falsas. — comento
— Sei onde arrumar. — Kayla diz confiante — Senhor Verde. — ela olha para Bruce — Seu celular, por favor.
Bruce lhe entrega seu celular e ela digita furiosamente um número, logo colocando o celular na orelha. Ficamos calados e apreensivos, ouvindo parte da conversa.
— Dona? — ela questiona — Preciso da tua ajuda... Na televisão? — ela arregala os olhos e nos olha — Tony e eu precisamos fugir... Certo! Estarei lá. — ela desliga e devolve o celular de Bruce
— Boa sorte. — Bruce troca um olhar cúmplice com ela
— Não tô entendendo nada. — Tony comenta
— Você irá entender em breve. — ela diz — Mas e vocês? — ela me olha
— Nós lutaremos. — digo convicta
— Não posso exigir isso de vocês. — sua voz sai como um sussurro
— Não está exigindo nada, faremos isso porque gostamos de você. Eu gosto de você, sua vaca dissimulada. — digo a abraçando e recebendo um abraço apertado e um sorriso de volta
— Também gosto de você. — ela diz
— Agora vão. — Bruce disse
— Eu poderia levá-los para Asgard até tudo estar resolvido. — Thor sugere
— Não, não posso fazer isso com Odin. — ela pegou na mão de Tony — Vamos. Eu dirijo. — pegou a chave do carro de volta
Hill, Thor, Bruce e eu fomos para onde os Vingadores discutiam arduamente com Ross. Os ânimos estavam exaltados. Eu era a melhor pessoa para mentir, naquela ocasião.
— Thor retornou de Asgard, mas ela não veio com ele. — eu menti
— E que diabos aquela mulher está fazendo no mundo desse saco de músculos? — Ross perguntou completamente alterado
— Ela é uma deusa do meu mundo. — Thor diz — Foi usada por pessoas do seu mundo, mas agora ela está livre de tudo o que implantaram nela. Portanto, é responsabilidade minha e de Odin.
— Como é que é? — Ross grita furioso
— A sua justiça não vale para ela. Curiosamente, ela é herdeira do trono da justiça, em Asgard.
— Está dizendo que, assim como o ocorrido com Loki, nós não podemos dar-lhe uma punição? — o velho estava à beira de um infarto
— Exato. — Thor confirma
— Bom, então já pode ir saindo. — disse sorrindo falsamente
— Levaremos Barnes conosco. — ele diz autoritário
— Barnes está sob minha custódia. — T'Challa interviu — Sinto dizer que montou um circo à toa.
— Isso é um ultraje! Onde está Stark?
— Bêbado e enfiado em sua oficina, lamentando o fato de Kayla ainda não ter voltado. — Wanda diz
— O senhor deseja subir? — a voz eletrônica de Sexta-Feira quase me fez rir, ao notar que embarcara na mentira para dar mais tempo à Tony e Kayla
— Pagarão por isso. — ele ameaça e abandona o Complexo com suas tropas
T O N Y
Estávamos na estrada há quatro horas e Kayla já havia largado o traje de deusa nórdica super gostosona. Agora, ela usava apenas um jeans claro, um moletom com as iniciais de Nova York e botinas pretas. Seu cabelo estranhamente mais cumprido estava amarrado num coque bagunçado no topo de sua cabeça e seus olhos se mantinham firme na estrada.
Ela fez questão de dirigir e eu tratei de não irritá-la com minhas indagações sobre a ajuda que iremos encontrar. Quem seria? Um amigo antigo? Uma amiga? Uma pessoa que lhe devia favores? Eu não fazia a menor ideia.
— Você vai realmente ficar calado? — ela me pergunta enquanto dirige atentamente e de forma mais cautelosa
— Não podemos falar sobre o que eu quero saber, então vou.
— Não quer saber como foi em Asgard? — ela me olha rapidamente, antes de voltar a encarar a estrada
— Você estava realmente gostosa naquele vestido, mas não gostei muito de vê-la agarrada à Barbie Asgardiana. — digo fitando a estrada e ouvindo sua leve risada
— O transporte entre os mundos é realmente perturbador. Eu só queria me assegurar em algo fixo. — ouço sua explicação — Mas se você já ficou assim por ter visto isso, imagine se tivesse presente quando Odin ordenou que nos casássemos.
Ah, ela só poderia estar me zoando. É claro que estava. Ela não ia casar com aquele brutamontes.
Virei o pescoço como a menina do exorcista e encarei seu perfil de forma perplexa.
— Fazia parte da minha linhagem. Eu seria a futura rainha de Asgard. — ela disse natural
— O quê? — foi só o que consegui dizer
— Foi uma guerra para fazer Odin aceitar nossas decisões e nossas abdicações. — ela respira fundo
— Você e o Thor foram prometidos um ao outro?
— É, mas nós não quisemos. Abdicamos dos tronos e do casamento. Quase fomos mortos por traição. — ela ri
— Por favor, me dê um tempo para absorver tudo isso, vossa Alteza.
Os momentos seguintes foram de silêncio total, até que Kayla ligou o rádio do Volvo de Natasha e a melodia de Not a Bad Thing, de Justin Timberlake, preencheu o ambiente. Segurei o riso que ameaçou sair e, com a visão periférica eu notei que Kayla fazia o mesmo. Deve ter se lembrado do nosso momento.
"
— Hã, Kayla? — perguntei enquanto regulava os propulsores da minha armadura e ela fazia palavras cruzadas no sofá da oficina
— Sim, baby? — sua voz soou despreocupada
— Eu acho que me apaixonei por você. — tentei soar tão despreocupado quanto ela
Um silêncio seguiu por meio minuto, pelo menos. Eu segui mexendo em minha armadura e agradeci mentalmente por ela ter se mantido no lugar. Acho que não conseguiria encará-la agora.
— Como você se sente em relação à isso?
Oh, ela ia fazer comigo que nem faz com seus alunos carentes, quando eles precisam de ajuda.
— Confuso. Um pouco m*l.
— Nossa, é algo tão r**m assim se apaixonar por mim?
— Para um homem como eu? Talvez.
— Hum... — ouvi seu murmúrio
Larguei as ferramentas e me virei, indo até o sofá, vendo que ela estava pensativa. Será que eu havia estragado tudo? Oh, m***a!
— Sexta-Feira, coloque uma música. — peço
— Sobre o senhor achar r**m a ideia de se apaixonar? — o programa responde e vejo a sombra de um sorriso no rosto de Kayla
— Se apaixonar por você também pode ser algo confuso. — ela se defende
— É tão r**m se apaixonar por mim? — pergunto olhando para ela fingindo estar ofendido
Logo, uma melodia esquisita começou a tocar. Quando a voz aguda saiu, eu reconheci ser Justin Timberlake.
Merda! Nossa trilha sonora seria Justin Timberlake para sempre.
"
— Você lembrou. — ela diz baixo
— E você também. — respondo no mesmo tom brincalhão
"Disse que tudo o que eu quero de você é te ver amanhã
E a cada amanhã
Talvez você vá me emprestar o seu coração
E é pedir demais durante todos os domingos
Enquanto estamos nele deixe isso para
Qualquer outro dia para começar Eu sei que as pessoas fazem promessas o tempo todo
Depois, elas dão às costas e as quebram
Quando alguém parte o seu coração com uma faca
Enquanto você está sangrando Mas eu poderia ser aquele cara para curá-la com o tempo
E não vou parar até você acreditar
Porque, querida, você vale a pena
Então não aja como se fosse uma coisa ruim
Se apaixonar por mim
Porque você pode procurar por aí
E achar que os seus sonhos se tornam realidade comigo Desperdice todo o seu tempo e dinheiro
Só para descobrir que o meu amor era de graça
Então não aja como se fosse uma coisa ruim
Se apaixonar por mim, mim
Não é uma coisa r**m se apaixonar por mim, mim"
+ + +
Quando chegamos numa área um pouco mais pobre de Nova York, Kayla estacionou numa rua pouco movimentada e se alongou ainda sentada no banco do motorista. Ouvi seus ombros, pescoços e costas estalarem, dando-me nervoso.
Descemos do carro e ela me fez colocar um boné e o capuz do meu casaco. Roubei um beijo rápido de seus lábios, peguei em sua mão e ela foi me guiando até uma lanchonete do outro lado da rua. Já passavam das sete da noite e eu estava com fome.
— Amor, sabe que não tenho dinheiro aqui e se usar meu cartão, poderão nos encontrar. — comentei
— Só fica quieto e observa. — ela diz
Ela fica um tempo observando o local, até que seus olhos param num local mais afastado. De costas para nós, uma ruiva estava sentada com a carta de pratos nas mãos.
Fui puxado até a mulher e arregalei os olhos ao reconhecê-la.
— Desculpe a demora. — Kayla diz — Choveu no caminho.
— Tudo bem, eu cheguei faz pouco tempo. — a mulher sorriu educada
— Pepper? — perguntei completamente incrédulo
— Olá, Tony. — ela diz baixo — Por favor, sentem-se.
Nos sentamos lado à lado, de frente para ela. Logo elas começaram a conversar e eu só conseguia pensar em uma coisa: desde quando Pepper e Kayla eram amigas?
Elas pediram coisas para a gente comer — macarrão com almôndegas para Kayla, bife à cavalo para mim e fritas para Pepper — e Kayla explicava rapidamente sua jornada em Asgard.
— Eu consegui documentos para vocês e um hotel simples em Malibu.
— Malibu? — Kayla pergunta e sorri maliciosa
— Exatamente. — Pepper confirma
— Isso é loucura. — murmurei
— Agora vocês serão senhor e senhora Colt. Jackson e Elizabeth. — Pepper explica — Kayla, você está diferente.
— Ah, é o meu cabelo. Está mais volumoso. — ela diz sem jeito
— Não, não é só isso.
Ela está mais gostosa, tive vontade de dizer, mas continuei calado me entupindo de massa com molho de tomate e fingindo que não estava desconfortável.
— Seus traços estão mais rígidos. Parece que você envelheceu em duas semanas. — ela disse analisando Kayla de cima à baixo — Trinta anos, no máximo. — ela especula uma idade para Kayla — Acertei na idade dos documentos.
— Tenho sessenta.
— Não me humilhe, por favor. — Pepper brinca
— Será que eu posso interromper o momento de best friends para uma perguntinha? — largo o garfo e encaro as mulheres sentadas comigo — Desde quando são melhores amigas?
— Não somos. — elas dizem juntas
— Ela apenas pediu minha ajuda e eu ajudei. — Pepper dá de ombros
— Exatamente. — Kayla confirma
A calmaria como elas dizem as coisas me deixa perplexo e com vontade de agredir as duas.
— Essa vai ser a explicação que vocês vão me dar? Apenas trabalharam juntas.
— É tudo o que precisa saber. — Kayla diz
— Vocês precisam ir agora. — Pepper diz nos dando uma pasta de couro marrom — Tem dinheiro aí, pra vocês se virarem.
— Tudo bem. Muito obrigada, Pepper. Eu sei que é por ele. — ela pega em sua mão e as duas ficam num momento esquisito de cumplicidade
— Agora é por você também. — a ruiva diz — Agora vão.
— Não temos dinheiro para pagar.
— Vou adicionar à lista de coisas que você me deve. — elas trocaram um sorriso
Sabe o quão perturbador é ter sua ex-namorada e sua atual-quase-namorada conspirando juntas? Estou com medo de vacilar com uma e ganhar um troco duplo.
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Assim que aterrissamos em Malibu, Happy estava disfarçado nos esperando com um carro popular preto. Fiz Kayla se sentar no carona e me deixar dirigir, pois ela não havia pregado o olho desde que fugimos da base.
Quando chegamos em frente ao hotel tipo pousada, eu estacionei e me virei vendo-a dormir tranquila. Apenas toquei seu rosto e ela abriu os olhos, em alerta.
— Chegamos, Lizzie. — sorri entrando no personagem
Ela sorriu e ajeitou o moletom, prendeu melhor o coque em seu cabelo e nós descemos do carro, rumo à recepção do lugar.
Era uma casa imensa com vários andares e locações. Típico de quem só quer vir para curtir a praia com os amigos.
Na recepção, uma loira jovem estava impecável num vestido preto e cabelos soltos como raios solares. Eu ajeitei o boné em minha cabeça e os óculos escuros em meu rosto, logo dando a mão à Kayla.
— Sejam bem-vindos à pousada Lua e Estrelas, em que posso ajudar? — a voz da mulher soou aguda e ela sorriu olhando para mim. Kayla apertou minha mão
— Somos Jackson e Elizabeth Colt. Temos reservas aqui. — Kayla disse
— Documentos, por favor.
Os documentos falsos foram apresentados e demorou um tempo para que ela confirmasse e nos levasse até nossos aposentos.
Era um quarto grande e todo aberto, com visão para a praia. Pepper soube escolher.
— Espero que fiquem à vontade. — a loira sorri para mim e se retira, fechando a porta
— Aff! — Kayla revirou os olhos jogando a mochila na poltrona que havia ali
— Que foi? — segurei o riso
— Ninguém respeita um homem casado. — ela tira o moletom, mostrando o sutiã vermelho sangue
— Eu sou casado? — a puxo pra mim pela cintura
— Jackson é casado. — ela diz se desviando dos meus braços
— E o Tony? — a pego pelo braço e a empurro na cama
— O Tony eu já não sei. — ela tenta levantar, mas eu me ajoelho na cama, prendendo suas pernas
— Vou te contar um segredo. — sorrio e sento em suas coxas, segurando seus pulsos — Tony é da Kayla.
Nenhuma palavra saiu de sua boca, mas seu sorriso respondia por si só.
Eu sorri com seu sorriso e beijo suas mãos, ainda olhando em seus olhos. Kayla era única, o que me dava vontade de fazer algo único por ela.
— Mas eu sou Elizabeth Colt. Creio que essa Kayla ficará chateada caso nos descubra. — ela brincou
— Então vamos logo, antes que Kayla chegue. — sorri e a beijei