Capítulo 3 – “Provocações na Mesa do Café”

1347 Words
A manhã seguinte amanheceu cinzenta em Seul, com uma garoa fina que batia nas janelas altas da mansão como dedos impacientes. Valentina acordou cedo — hábito de quem cresceu em território de guerra, onde dormir demais podia custar a vida. Ela tomou um banho rápido, vestiu uma calça jeans preta justa, uma blusa cropped branca que deixava a barriga bronzeada à mostra e uma jaqueta de couro preta por cima. Nos pés, botas de cano curto com salto discreto, mas que podiam quebrar um nariz se necessário. O cabelo longo e escuro solto, ainda úmido, caía pelas costas em ondas rebeldes. Ela desceu as escadas devagar, farejando o ar. Cheiro de café forte, pão fresco e algo picante — provavelmente kimchi sendo preparado. A cozinha principal era enorme, moderna, com ilha de mármore preto e bancos altos. Lá estavam os três irmãos Kang: Woo-Jin sentado na cabeceira da ilha, lendo algo no tablet, camisa social preta com as mangas dobradas até os antebraços tatuados. Min-Joon fritando ovos com um sorriso safado. Soo-Min bebendo café preto, expressão neutra. Valentina parou na entrada, cruzou os braços sob os s***s — o que fez o cropped subir um pouco mais. — Bom dia, família do dragão — disse ela, voz rouca de sono. — Tem café pra mim ou só pra quem já jurou lealdade eterna ao chefe? Min-Joon virou-se primeiro, os olhos brilhando de diversão. — Claro que tem, princesa. — Ele serviu uma xícara grande e empurrou na direção dela. — Com açúcar ou sem? Porque você parece do tipo que gosta de doce… ou de muito amargo. Ela pegou a xícara, deu um gole longo sem desviar os olhos de Woo-Jin. — Amargo. Como o ego de certos homens que acham que o mundo gira em torno deles. Woo-Jin ergueu o olhar devagar. Aqueles olhos negros, penetrantes, magnéticos, fixaram-se nela como se pudessem atravessar a roupa. Ele não sorriu. Apenas observou. — Dormiu bem? — perguntou ele, voz baixa e controlada. Valentina sentou no banco à frente dele, bem na frente, pernas abertas de leve, apoiando os cotovelos na ilha. — Dormi como uma rainha. Sonhei com um dragão que tentava me prender numa gaiola dourada… mas eu quebrei as barras com as unhas. — Ela lambeu o lábio inferior devagar, intencional. — E você? Dormiu pensando em como vai me domar? Min-Joon engasgou com o café e tossiu, rindo ao mesmo tempo. Soo-Min apenas arqueou uma sobrancelha, mas não disse nada. Woo-Jin inclinou-se para frente, diminuindo a distância entre eles. O cheiro dele a invadiu de novo: colônia amadeirada, couro e algo perigoso. — Eu não domino mulheres, Valentina. Eu as possuo. — Ele falou baixo, só para ela ouvir. — E quando eu possuo… elas imploram por mais. Ela sentiu um calor traiçoeiro subir entre as pernas. Odiou isso. Odiou que o corpo reagisse antes da mente. — Possuir? — Ela riu curta, provocante. — Você acha que uma aliança de papel me transforma em sua propriedade? Eu não sou um território que você conquista com um beijo na testa e um anel no dedo. Eu sou o território que explode na sua cara se você pisar errado. Ele estendeu a mão devagar, pegou uma mecha do cabelo dela que caía sobre o ombro e enrolou no dedo indicador. O toque foi leve, mas elétrico. Valentina não recuou. — Você fala muito, mexicana. — Ele puxou a mecha de leve, forçando-a a inclinar o rosto um pouco mais perto. — Mas aposto que quando eu te colocar de joelhos… essa boca vai ficar quietinha. Só gemendo meu nome. O ar entre eles crepitava. Min-Joon fingiu tossir de novo. — Ei, ei… tem criança aqui — brincou ele, apontando para si mesmo. Valentina não desviou o olhar de Woo-Jin. Em vez disso, estendeu a mão e traçou com a unha vermelha o contorno da tatuagem que saía da gola da camisa dele, subindo pelo pescoço. — E se eu te colocar de joelhos primeiro, coreano? — murmurou ela, voz baixa e rouca. — E se eu sentar na sua cara até você esquecer quem manda nessa p***a toda? Os olhos dele escureceram. A pupila dilatou. Ele apertou a mecha de cabelo com mais força, mas não doeu — era controle, não violência. — Cuidado com o que promete, princesa. Porque eu aceito desafios. E eu ganho todos. Ela se inclinou ainda mais, os lábios a centímetros dos dele. — Então prove. — O desafio saiu como um sussurro quente. — Porque eu não me contento com promessas. Eu quero ação. Por um segundo, o mundo parou. Woo-Jin podia sentir o calor da respiração dela na boca. Podia ver as pupilas dela dilatadas também. O desejo estava ali, cru, animalesco. Ele quase cedeu. Quase a puxou pela nuca e a devorou ali mesmo, na frente dos irmãos. Mas então Soo-Min pigarreou alto. — Pai e mãe estão chegando. Reunião em dez minutos. Tentem não se matar… ou se f***r… antes disso. Valentina recuou primeiro, sorrindo com malícia. Woo-Jin soltou o cabelo dela devagar, os dedos roçando a nuca dela de propósito. — Isso não acabou — disse ele, voz rouca. — Nem começou — rebateu ela, levantando-se e pegando a xícara. — Mas quando começar… prepare-se para perder o controle, Dragão. Ela saiu da cozinha balançando os quadris, sabendo que os três pares de olhos estavam grudados nela. Min-Joon soltou um assovio baixo. — Mano… você tá fodido. Woo-Jin não respondeu. Apenas pegou o celular e digitou uma mensagem rápida para o chefe de segurança: “Reforçar a vigilância no quarto dela. E trazer o vibrador que ela deixou na mala. Quero ver o que ela usa quando pensa em mim.” Ele guardou o celular, o p*u duro dentro da calça social. Tomou um gole de café frio. Sete dias até o casamento. Mas a guerra particular entre eles já tinha começado. E ninguém ali ia sair ileso. Mais tarde, na sala de reuniões, Don Alejandro e Carlos Morales entraram via videoconferência. A tela mostrava os dois mexicanos em uma sala escura em Tijuana. Don Alejandro parecia cansado, mas firme. — O acordo está de pé — disse ele. — Mas minha filha não é mercadoria. Se seu filho a machucar, Kim Woo-Jin, eu mesmo venho aí e corto sua garganta. Woo-Jin olhou direto para a câmera. — Eu não machuco o que é meu, Don Alejandro. Eu protejo. E possuo. — Ele desviou o olhar para Valentina, que estava sentada ao lado dele, pernas cruzadas, expressão desafiadora. — Pergunte a ela se já se sentiu ameaçada. Valentina sorriu devagar. — Ameaçada? Não. Irritada? Muito. — Ela olhou para Woo-Jin. — Mas excitada? Isso… sim. Carlos riu do outro lado da tela. — Val, comporta-te. — Nunca — respondeu ela, sem desviar os olhos do coreano. A reunião seguiu com detalhes logísticos: rotas seguras, divisão de lucros, alianças contra inimigos comuns. Mas entre Woo-Jin e Valentina, cada olhar era uma faísca. Cada palavra, uma provocação disfarçada. Quando a chamada terminou, Woo-Jin se levantou primeiro. Passou por trás da cadeira dela, inclinou-se e sussurrou no ouvido: — Hoje à noite, no meu escritório. Sozinha. Vamos ver se você aguenta o que promete. Ela virou o rosto devagar, os lábios quase roçando a orelha dele. — E se eu for… o que você me dá em troca, Dragão? Ele sorriu pela primeira vez — um sorriso perigoso, predatório. — Tudo o que você quiser… menos liberdade. Porque depois que eu te tocar… você não vai mais querer escapar. Valentina sentiu o corpo inteiro arrepiar. Mas manteve o sorriso. — Então venha me pegar… se for homem. Ele se afastou, deixando-a ali, coração acelerado, coxas apertadas. Seis dias até o casamento. E a contagem regressiva parecia mais uma bomba-relógio do que um prazo. “Aff, mais uma interrupção… esses dois vão me matar de curiosidade! 💥 Se você tá roendo as unhas igual eu, deixa um coraçãozinho, vota e compartilha com as meninas do grupo. Quem sabe assim a gente força o Woo-Jin a ceder antes do altar? 😏
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