A manhã seguinte amanheceu cinzenta em Seul, com uma garoa fina que batia nas janelas altas da mansão como dedos impacientes.
Valentina acordou cedo — hábito de quem cresceu em território de guerra, onde dormir demais podia custar a vida. Ela tomou um banho rápido, vestiu uma calça jeans preta justa, uma blusa cropped branca que deixava a barriga bronzeada à mostra e uma jaqueta de couro preta por cima.
Nos pés, botas de cano curto com salto discreto, mas que podiam quebrar um nariz se necessário. O cabelo longo e escuro solto, ainda úmido, caía pelas costas em ondas rebeldes.
Ela desceu as escadas devagar, farejando o ar. Cheiro de café forte, pão fresco e algo picante — provavelmente kimchi sendo preparado.
A cozinha principal era enorme, moderna, com ilha de mármore preto e bancos altos. Lá estavam os três irmãos Kang: Woo-Jin sentado na cabeceira da ilha, lendo algo no tablet, camisa social preta com as mangas dobradas até os antebraços tatuados. Min-Joon fritando ovos com um sorriso safado. Soo-Min bebendo café preto, expressão neutra.
Valentina parou na entrada, cruzou os braços sob os s***s — o que fez o cropped subir um pouco mais.
— Bom dia, família do dragão — disse ela, voz rouca de sono. — Tem café pra mim ou só pra quem já jurou lealdade eterna ao chefe?
Min-Joon virou-se primeiro, os olhos brilhando de diversão.
— Claro que tem, princesa. — Ele serviu uma xícara grande e empurrou na direção dela.
— Com açúcar ou sem? Porque você parece do tipo que gosta de doce… ou de muito amargo.
Ela pegou a xícara, deu um gole longo sem desviar os olhos de Woo-Jin.
— Amargo. Como o ego de certos homens que acham que o mundo gira em torno deles.
Woo-Jin ergueu o olhar devagar. Aqueles olhos negros, penetrantes, magnéticos, fixaram-se nela como se pudessem atravessar a roupa. Ele não sorriu. Apenas observou.
— Dormiu bem? — perguntou ele, voz baixa e controlada.
Valentina sentou no banco à frente dele, bem na frente, pernas abertas de leve, apoiando os cotovelos na ilha.
— Dormi como uma rainha. Sonhei com um dragão que tentava me prender numa gaiola dourada… mas eu quebrei as barras com as unhas.
— Ela lambeu o lábio inferior devagar, intencional. — E você? Dormiu pensando em como vai me domar?
Min-Joon engasgou com o café e tossiu, rindo ao mesmo tempo. Soo-Min apenas arqueou uma sobrancelha, mas não disse nada.
Woo-Jin inclinou-se para frente, diminuindo a distância entre eles. O cheiro dele a invadiu de novo: colônia amadeirada, couro e algo perigoso.
— Eu não domino mulheres, Valentina. Eu as possuo. — Ele falou baixo, só para ela ouvir. — E quando eu possuo… elas imploram por mais.
Ela sentiu um calor traiçoeiro subir entre as pernas. Odiou isso. Odiou que o corpo reagisse antes da mente.
— Possuir? — Ela riu curta, provocante. — Você acha que uma aliança de papel me transforma em sua propriedade? Eu não sou um território que você conquista com um beijo na testa e um anel no dedo. Eu sou o território que explode na sua cara se você pisar errado.
Ele estendeu a mão devagar, pegou uma mecha do cabelo dela que caía sobre o ombro e enrolou no dedo indicador. O toque foi leve, mas elétrico. Valentina não recuou.
— Você fala muito, mexicana. — Ele puxou a mecha de leve, forçando-a a inclinar o rosto um pouco mais perto. — Mas aposto que quando eu te colocar de joelhos… essa boca vai ficar quietinha. Só gemendo meu nome.
O ar entre eles crepitava. Min-Joon fingiu tossir de novo.
— Ei, ei… tem criança aqui — brincou ele, apontando para si mesmo.
Valentina não desviou o olhar de Woo-Jin. Em vez disso, estendeu a mão e traçou com a unha vermelha o contorno da tatuagem que saía da gola da camisa dele, subindo pelo pescoço.
— E se eu te colocar de joelhos primeiro, coreano? — murmurou ela, voz baixa e rouca. — E se eu sentar na sua cara até você esquecer quem manda nessa p***a toda?
Os olhos dele escureceram. A pupila dilatou. Ele apertou a mecha de cabelo com mais força, mas não doeu — era controle, não violência.
— Cuidado com o que promete, princesa. Porque eu aceito desafios. E eu ganho todos.
Ela se inclinou ainda mais, os lábios a centímetros dos dele.
— Então prove. — O desafio saiu como um sussurro quente. — Porque eu não me contento com promessas. Eu quero ação.
Por um segundo, o mundo parou. Woo-Jin podia sentir o calor da respiração dela na boca. Podia ver as pupilas dela dilatadas também. O desejo estava ali, cru, animalesco. Ele quase cedeu. Quase a puxou pela nuca e a devorou ali mesmo, na frente dos irmãos.
Mas então Soo-Min pigarreou alto.
— Pai e mãe estão chegando. Reunião em dez minutos. Tentem não se matar… ou se f***r… antes disso.
Valentina recuou primeiro, sorrindo com malícia. Woo-Jin soltou o cabelo dela devagar, os dedos roçando a nuca dela de propósito.
— Isso não acabou — disse ele, voz rouca.
— Nem começou — rebateu ela, levantando-se e pegando a xícara. — Mas quando começar… prepare-se para perder o controle, Dragão.
Ela saiu da cozinha balançando os quadris, sabendo que os três pares de olhos estavam grudados nela.
Min-Joon soltou um assovio baixo.
— Mano… você tá fodido.
Woo-Jin não respondeu. Apenas pegou o celular e digitou uma mensagem rápida para o chefe de segurança:
“Reforçar a vigilância no quarto dela. E trazer o vibrador que ela deixou na mala. Quero ver o que ela usa quando pensa em mim.”
Ele guardou o celular, o p*u duro dentro da calça social. Tomou um gole de café frio.
Sete dias até o casamento.
Mas a guerra particular entre eles já tinha começado. E ninguém ali ia sair ileso.
Mais tarde, na sala de reuniões, Don Alejandro e Carlos Morales entraram via videoconferência. A tela mostrava os dois mexicanos em uma sala escura em Tijuana. Don Alejandro parecia cansado, mas firme.
— O acordo está de pé — disse ele. — Mas minha filha não é mercadoria. Se seu filho a machucar, Kim Woo-Jin, eu mesmo venho aí e corto sua garganta.
Woo-Jin olhou direto para a câmera.
— Eu não machuco o que é meu, Don Alejandro. Eu protejo. E possuo. — Ele desviou o olhar para Valentina, que estava sentada ao lado dele, pernas cruzadas, expressão desafiadora. — Pergunte a ela se já se sentiu ameaçada.
Valentina sorriu devagar.
— Ameaçada? Não. Irritada? Muito. — Ela olhou para Woo-Jin. — Mas excitada? Isso… sim.
Carlos riu do outro lado da tela.
— Val, comporta-te.
— Nunca — respondeu ela, sem desviar os olhos do coreano.
A reunião seguiu com detalhes logísticos: rotas seguras, divisão de lucros, alianças contra inimigos comuns. Mas entre Woo-Jin e Valentina, cada olhar era uma faísca. Cada palavra, uma provocação disfarçada.
Quando a chamada terminou, Woo-Jin se levantou primeiro. Passou por trás da cadeira dela, inclinou-se e sussurrou no ouvido:
— Hoje à noite, no meu escritório. Sozinha. Vamos ver se você aguenta o que promete.
Ela virou o rosto devagar, os lábios quase roçando a orelha dele.
— E se eu for… o que você me dá em troca, Dragão?
Ele sorriu pela primeira vez — um sorriso perigoso, predatório.
— Tudo o que você quiser… menos liberdade. Porque depois que eu te tocar… você não vai mais querer escapar.
Valentina sentiu o corpo inteiro arrepiar. Mas manteve o sorriso.
— Então venha me pegar… se for homem.
Ele se afastou, deixando-a ali, coração acelerado, coxas apertadas.
Seis dias até o casamento.
E a contagem regressiva parecia mais uma bomba-relógio do que um prazo.
“Aff, mais uma interrupção… esses dois vão me matar de curiosidade! 💥 Se você tá roendo as unhas igual eu, deixa um coraçãozinho, vota e compartilha com as meninas do grupo. Quem sabe assim a gente força o Woo-Jin a ceder antes do altar? 😏