A chuva caía em lençóis grossos e implacáveis, transformando as ruas periféricas de Seul em rios escuros e traiçoeiros.
O SUV blindado preto cortava a noite como uma lâmina afiada, faróis desligados para não denunciar a presença. Woo-Jin dirigia com precisão cirúrgica, mãos firmes no volante de couro, maxilar travado de raiva e frustração acumulada.
Ao lado dele, Valentina segurava a Glock com as duas mãos, dedos tensos no cabo, olhos fixos na estrada à frente como se pudesse ver através da cortina d’água.
No banco de trás, Min-Joon pressionava o ferimento no ombro com um pano improvisado, xingando baixo em coreano entre dentes cerrados, o sangue escorrendo devagar pela manga rasgada.
— Eles foram para o armazém abandonado na zona industrial leste — disse Min-Joon, voz rouca de dor e adrenalina.
— Dois carros. Armas pesadas. Um deles tem tatuagem de cobra vermelha no pescoço. Definitivamente Yakuza. Sabiam exatamente onde estávamos. Alguém vazou.
Woo-Jin não respondeu de imediato. Seus pensamentos giravam em torno da foto no celular descartável que Min-Joon havia mostrado: Valentina dormindo no quarto de hóspedes na noite anterior, tirada de dentro da mansão.
Alguém de confiança um segurança, um empregado, talvez até alguém mais próximo havia colocado uma câmera no quarto dela. A aliança m*l tinha começado e já estava sendo corroída por dentro, como veneno lento.
Valentina quebrou o silêncio pesado, voz baixa mas carregada de fúria contida.
— Se for alguém da minha família… eu cuido pessoalmente. Meu pai não trai. Meu irmão também não. Mas se for algum capanga ambicioso que acha que pode me usar como moeda de troca… ele morre devagar, Woo-Jin. Muito devagar.
Woo-Jin desviou o olhar da estrada por um segundo longo, encarando-a.
A luz fraca dos postes refletia nos olhos castanhos dela, fazendo-os parecer brasas vivas no escuro. Havia algo nele que se agitava ao vê-la assim: feroz, pronta para matar, sem medo. Era respeito misturado a um desejo que ele odiava admitir.
— Ninguém toca no que é meu — disse ele, voz grave e baixa, quase um rosnado. — Nem pra filmar. Nem pra ameaçar. Nem pra respirar perto.
Valentina ergueu uma sobrancelha, provocante mesmo no meio da tensão mortal.
— “O que é seu”? — repetiu ela, inclinando o corpo na direção dele, o cheiro dela invadindo o espaço confinado do carro: baunilha misturada a pólvora e chuva.
— Ainda não me fodeu, coreano. Ainda não me marcou com nada além de dedos e promessas. Então cuidado com o possessivo antes da hora.
Min-Joon bufou do banco de trás, tentando aliviar a dor com humor forçado.
— Vocês dois são insuportáveis. Tem gente sangrando aqui e vocês ainda brigam pra ver quem manda na cama. Foquem na p***a do traidor antes que eu desmaie.
Valentina virou-se para trás, sorrindo maliciosa apesar da situação.
— Relaxa, Min-Joon. Quando a gente terminar isso, eu cuido do seu ombro… e depois cuido do seu irmão. Ele vai precisar de cuidados intensivos depois que eu terminar com ele.
Woo-Jin apertou o volante com mais força, o p*u dando um pulso traiçoeiro só com a imagem mental. Ele ainda sentia o gosto da boca dela no escritório, o calor da garganta apertando ao redor dele, o gemido baixo que ela soltou quando ele empurrou mais fundo. A interrupção tinha sido uma tortura pior que qualquer facada que já levara.
😈😈😈😈
— Foco — murmurou ele, mais para si mesmo do que para eles. — O armazém tá logo ali.
O prédio surgiu à frente: uma estrutura velha de concreto rachado, janelas quebradas como olhos vazios, portas de metal enferrujadas rangendo com o vento. Woo-Jin estacionou a uns 200 metros de distância, desligou o motor. Silêncio absoluto, só a chuva batendo no teto como dedos impacientes.
— Plano simples — disse ele, voz baixa e controlada. — Eu entro pela frente.
Min-Joon cobre a lateral esquerda. Valentina, você fica atrás de mim. Não discute.
Ela riu baixo, som rouco e desafiador.
— Eu cubro sua retaguarda, Dragão. Literalmente. Gosto da ideia.
Ele a encarou, sério, olhos negros penetrantes.
— Se algo acontecer comigo… você corre. Volta pra mansão. Protege minha família.
Valentina segurou o olhar dele por longos segundos. Algo mudou na expressão dela — não era mais só provocação. Era uma faísca de algo mais profundo, algo que ela não queria nomear ainda.
— Se algo acontecer com você… eu mato todos eles e depois te arrasto de volta pra me f***r como prometeu. — Ela se inclinou e roçou os lábios no canto da boca dele, rápido, quente, deixando um rastro de fogo.
— Então não morre, cariño. Porque eu ainda quero sentir esse p*u grosso me abrindo inteira, devagar, até eu gritar seu nome.
Woo-Jin sentiu o corpo inteiro tensionar. Ele segurou a nuca dela por um segundo, apertando de leve, possessivo.
— Prometo.
Eles saíram do carro, armas em punho, chuva encharcando roupas e cabelos em segundos.
A infiltração foi rápida e silenciosa. Woo-Jin abriu a porta lateral com um chute controlado, pistola erguida com silenciador. O interior cheirava a mofo, óleo velho e pólvora recente. Vozes ecoavam no fundo — japonês misturado com coreano, risadas baixas de quem se achava seguro.
Dois homens armados patrulhavam o corredor central. Woo-Jin fez sinal para Valentina ficar abaixada atrás de uma pilha de caixas velhas. Ele avançou como sombra, derrubou o primeiro com um golpe preciso no pescoço, silenciador abafando o tiro no segundo.
O corpo caiu sem barulho.
Min-Joon apareceu pela lateral, acenando que o perímetro estava limpo. Valentina se moveu ao lado de Woo-Jin, costas coladas nas dele por um momento.
O contato foi elétrico, mesmo no meio do perigo — o calor do corpo dele contra o dela, a respiração pesada misturada.
— Gostei da vista de trás — sussurrou ela, voz rouca. — Mas prefiro quando você tá em cima de mim, me prendendo na parede.
Ele bufou baixo, quase um riso abafado.
— Depois. Agora cala a boca e atira.
Eles avançaram até o salão principal. Lá estavam os quatro restantes: três j*******s com tatuagens de cobra vermelha e um homem que Valentina reconheceu imediatamente — Ramon, ex-segurança do cartel do pai dela. O traidor mexicano.
Ramon viu os dois primeiro. Sorriu, c***l e confiante.
— Valentina… que surpresa. O coreano te trouxe como isca?
Ela sentiu o demônio interno acordar de vez. Os olhos escureceram, o corpo inteiro tremendo de raiva pura.
— Você… — murmurou ela, voz baixa e letal. — Foi você quem filmou meu quarto? Quem vazou tudo?
Ramon deu de ombros, como se não fosse nada.
— Ordens. O acordo com os coreanos não agrada todo mundo. Melhor te entregar pros j*******s… ou te matar antes que o Dragão te f**a e te transforme em rainha intocável.
Woo-Jin ergueu a pistola, dedo no gatilho.
— Última chance. Quem mandou você?
Ramon riu.
— Você acha que sou o único? Tem mais. Dentro da sua casa. Dentro da dela. A aliança morre antes do casamento.
Valentina não esperou mais. O demônio tomou conta. Ela avançou como uma fera, ignorando as armas apontadas. Ramon ergueu a pistola, mas ela foi mais rápida: chutou a mão dele, quebrou o pulso com um giro violento, pegou a arma no ar e atirou no joelho dele. Ramon caiu gritando, sangue espirrando no chão molhado.
Os j*******s abriram fogo. Woo-Jin puxou Valentina para trás de uma pilha de caixas, atirando de volta. Balas ricocheteavam no concreto, faíscas voando. Min-Joon entrou pela lateral, acertando um no peito com tiro preciso.
Valentina se arrastou até Ramon, que rastejava no chão, sangue escorrendo em poças.
— Quem mais? — perguntou ela, voz fria, ajoelhando no peito dele. Pressionou a pistola na testa suada.
Ramon cuspiu sangue, olhos arregalados de dor.
— Um dos seus… seguranças… e alguém da família Kang. Não sei quem. Mas eles querem o Dragão morto… e você como troféu.
Ela apertou o gatilho. O tiro ecoou alto no armazém vazio. Ramon parou de se mexer.
Woo-Jin surgiu ao lado dela, ofegante, pistola ainda quente na mão.
— Acabou?
Ela se levantou, mãos tremendo de adrenalina e raiva, sangue salpicado na legging.
— Por enquanto.
Eles saíram correndo do armazém enquanto sirenes distantes começavam a soar. No SUV, Min-Joon dirigia agora, Woo-Jin no banco do passageiro, Valentina no de trás.
O silêncio era pesado. A chuva batia forte no para-brisa.
Woo-Jin virou-se para trás, olhando para ela.
— Você matou sem hesitar.
Ela encontrou o olhar dele, olhos ainda escuros do demônio.
— Ele ameaçou o que é meu.
As palavras pairaram no ar. Woo-Jin sentiu algo se apertar no peito — não era só t***o. Era reconhecimento. Respeito.
Ele estendeu a mão para trás, entre os bancos. Valentina entrelaçou os dedos nos dele, apertando forte, unhas cravando de leve.
— Quando chegarmos em casa… — murmurou ele — …a gente termina o que começou no escritório. Sem interrupções.
Ela sorriu devagar, demoníaca e sexy ao mesmo tempo.
— E dessa vez… eu quero você inteiro dentro de mim. Quero sentir cada tatuagem roçando na minha pele enquanto você me fode até eu gritar seu nome.
Min-Joon resmungou do volante.
— Pelo amor de Deus… comprem um quarto.
Mas Woo-Jin não soltou a mão dela.
A caçada tinha acabado por aquela noite.
Mas a verdadeira guerra — interna, sangrenta, cheia de traições — estava só começando.
E o desejo entre eles? Esse fogo não apagava. Só crescia.
🔥🔥🔥🔥🔥🔥🔥🔥🔥🔥🔥🔥🔥🔥
Gente… que capítulo intenso! 🔥 Valentina mostrando o demônio dela e Woo-Jin ficando possessivo no meio do sangue… meu coração não aguenta!
E vocês, o que acharam? Acham que o traidor é alguém da família dele ou dela? Me contem nos comentários suas teorias (sem spoilers, hein!), curtam bastante, votem e compartilhem com aquela amiga que ama um romance de máfia cheio de tensão s****l e perigo. Quanto mais gente sofrer junto com esses dois, melhor! 😏
Amanhã tem mais: ciúmes, interrupções e talvez um quase que vai deixar todo mundo louco.
Beijos da Leiliane 😘🔥
😈