Cayle estava muito cansado das provocações de Lucas e por isso resolveu ir se deitar, ele estava exausto.
Ao se deitar e cobrir todo o corpo com a colcha, ele sentiu uma certa movimentação na cama.
Sem ao menos virar o rosto, ele levantou a perna e chutou aquele corpo para o chão.
-Ai! O que foi pequeno? _questionou confuso.
-Você já não teve o bastante? Porque está vindo dormir comigo? _Cayle rangeu os dentes tentando se cobrir ainda mais.
-Tudo bem... _Lucas falou cabisbaixo e saiu do quarto desanimado.
Na manhã do dia seguinte Cayle levantou-se em um pulo e foi tomar banho para a escola.
Ele não estava com um pingo de vontade de ir, já que teria que estar acompanhado daquele pervertido doentio.
Após se arrumar, ele desceu as escadas de forma silenciosa, só para encontrar Lucas sentado à mesa na cozinha, com muitas comidas gostosas nela.
-Waaa! _querendo ou não, Cayle foi movido pela quantidade e qualidade daquelas delícias.
Ele sentou-se animadamente na mesa e ficou encarando o maior que estava ignorando-o ao mexer no celular e tomar uma xícara de café.
Cayle pigarreou tentando chamar atenção, mas o maior nem sequer mexeu os olhos da tela.
Não querendo continuar com isso, ele levantou a mão e foi pegando uma fatia de torta de abacaxi, mas foi parado por uma palmada em sua mão.
-Eu deixei ou ordenei que você pegasse algo? _a voz fria de Lucas ecoou na cozinha silenciosa.
-O quê?! _confuso.
-Porque você está comendo a minha comida? _Lucas questionou finalmente olhando para o garoto e erguendo uma sobrancelha.
-Porque você está fazendo isso comigo? _questionou sentindo-se ofendido.
-Porque a casa é minha e as ordens quem dá sou eu, até porque meus pais me deixaram ela então não há nada que você possa fazer. _falou friamente.
-Eu não estaria comendo da sua comida se você não tivesse me trazido aqui a força. _retrucou rangendo os dentes.
-Mas você é meu bichinho de estimação, então eu faço o que quiser com você. _comentou se levantando e caminhando até Cayle, levantando seu queixo.
Depois de encará-lo, ele pegou uma maçã sobre a mesa e jogou-a no colo do menor.
-Podem tirar a mesa. _ordenou para as empregadas que estavam um pouco afastada.
As mulheres entraram e retiraram os pratos da mesa olhando penosamente para o pequeno garoto infeliz.
Suportando a humilhação, Cayle jogou a maçã na mesa e pegando a mochila que um dos servos lhe trouxe, ele se aproximou do carro de Lucas para ir para o colégio.
-O que você está fazendo? Eu te chamei para vir comigo? _o maior questionou ao trancar as portas e impedir que o menor as abrisse.
-Mas...
-Mas nada. Se vire! _falou arrancando com o carro, deixando Cayle com cara de i****a no meio da rua.
Os servos olharam para aquilo suspirando. Porquê seu mestre inteligente e erudito estava agindo tão infantil?
Engolindo a raiva em seu coração, o pequeno garoto começou a caminhar em direção a escola. Ia ser uma longa caminhada, já que o infeliz de certo modo morava um pouco afastado da escola.
Enquanto caminhava, ele sentiu a presença de um carro se aproximando e parando ao seu lado.
-Ei, quer carona? _um rapaz gritou dentro do carro.
-Eu conheço você? _questionou continuando a caminhar.
-Eu sou Anélion! _falou indignado. _Bem, não importa. Você quer carona para escola? Eu estou a sua disposição. _falou com um sorriso brilhante.
-Porquê? Vai me prender a você também e me fazer de bichinho de estimação e me tratar como bem entender? _desabafou furiosamente.
-Mas o quê?! Eu jamais faria uma coisa dessas com você! Você é um ser humano e eu sei que já passou por muitos problemas e precisa ser tratado da melhor forma possível. _falou seriamente.
Não conseguindo aguentar mais aquela tristeza escondida nas profundezas de sua alma, o menor derramou algumas lágrimas antes de entrar no carro.
-Você já comeu? _Anélion perguntou de forma preocupada ao colocar o cinto no garoto ao seu lado e passar o dedo em sua bochecha para colher as suas lágrimas.
O menor nada respondeu, apenas negou com a cabeça.
-Então vou lhe levar para comer uma deliciosa refeição. _falou sorrindo ainda mais ao manobrar o carro em direção a algumas ruas movimentadas pelo amanhecer.
Os dois sentaram na mesa e o maior pediu uma panqueca de morango para o menor com uma xícara de café forte.
-Você não vai comer nada? _Cayle perguntou olhando para o lado vazio da mesa na frente de Anélion.
-Bem, se você quiser que eu te acompanhe então farei, mas eu já comi em casa. _comentou sorrindo ao pedir um pequeno brownie de chocolate.
Os dois comeram e se conversaram animadamente.
Cayle até se sentiu um pouco constrangido com as ações atenciosas do maior para si.
-Agora que você já comeu, vamos pois estamos atrasados. _falou puxando o menor pela mão e afagando-lhe os cabelos.
-Hm. _corou.
-Não se preocupe, quando eu tiver a oportunidade e os mecanismos necessários eu vou lhe ajudar a tirar essa tornozeleira e ganhar sua liberdade de volta. Só espero que possamos continuar sendo amigos depois disso. _falou ao entrar no carro.
-Mas é claro que vamos! _Cayle assentiu com confiança fazendo o maior rir uma risada alegre e contagiante.
Movido por tal ação, Cayle também começou a gargalhar como há tempos não fazia.
Por mais que ele sofresse nas mãos do i****a Lucas, ele foi capaz de encontrar um bom amigo como Anélion, que lha tratava como uma pessoa e estava atento às suas necessidades e tristezas.
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