Problemas demais, soluções de menos

1592 Words
Capítulo 6 Problemas demais, soluções de menos Serkan Das coisas mais estúpidas que eu era capaz de fazer, aquela foi uma das piores: julgar todo o seu povo. Não podia ir atrás daquela linda garota que ia embora, eu estava errado. O que me restava era esperar o dia seguinte para poder me redimir de alguma forma. Olhei em volta, procurei meu carro com o olhar e me dirigi a ele. Ouvi o telefone tocar no bolso, quando olhei para o nome: Eda. Minha mãe? — Annem? — Serkan, quando você volta a Istambul, meu filho? — Mãe, eu estou trabalhando, a senhora já sabe disso. — Meu filho, nós marcamos o casamento com Asli. Será em cinco meses. Parei no meio da rua, em desespero. — O quê?! Mãe, a senhora não fez isso! — Fizemos, a mãe insuportável dela escolheu uma data, nós aceitamos. Você sabe o quanto são ricos. — Mãe, eu aceitei esse noivado, não significa que vou me casar com Asli. — Como assim, Serkan? Não brinque comigo, garoto! Você aceitou noivar e se não se casar, o que eu e seu pai fazemos? Como fica nossa reputação? Pensei, pensei... Voltei meu olhar a Juliana que já ia ao longe. De repente uma ideia absurda veio a minha mente. — Mãe, eu estou realmente noivo de outra garota, uma brasileira. Apoiei a mão na altura da cintura enquanto olhava em meu entorno esperando pelos gritos de minha mãe. — Brasileira?!! Allah, Allah, eu vou passar m*l, Serkan! É muçulmana pelo menos? — Como, minha mãe? Como uma brasileira pode ser muçulmana? — Então é o que? — É...é...eu não sei, mãe! Nunca conversei sobre isso com ela! Acho que é cristã, deve ser. — Meu Deus, eu juro que vou ter um ataque, Serkan! Meu filho, deixe de ser irresponsável, a família de Asli já está vendo vestido! — Pois então, minha mãe, diga para pararem o que estão fazendo, eu estou noivo de outra. — Diga você, Serkan Sadik! Você já tem 32 anos, não é nenhum moleque para brincar com a família da moça desse jeito! Por Allah, eu vou ter uma coisa! Metin!! Quando ela chamou meu pai, desliguei o telefone. Falar com meu pai era tudo que eu não precisava naquele momento. Ele poderia fugir ao seu padrão calmo de comportamento e brigar comigo igual um louco, dizer que desonrei a família Sadik perante a sociedade turca, que enganei a moça. Aquilo seria tudo verdade não fosse pelo fato de que não morávamos mais em cidadelas turcas e que o Império Otomano não existia mais há séculos. Costumes eram bem vindos em tempos de penúria, o que não era o caso no momento. Andei até meu Ford Mustang e entrei. Deixei meu corpo pender no banco do motorista, no ar condicionado tão apreciado do carro. Fiquei um tempo olhando para aquela cidade até que dei partida no carro. Eu sabia que eu precisava voltar e lidar com aquele noivado a qualquer momento. Eu sabia também que ia precisar apresentar aos meus pais e aos pais da ex-noiva, uma noiva atual. Não sabia porquê, mas o meu pensamento facilmente correu até Juliana. Ela me parecia alguém que aceitaria esse tipo de proposta. Se não fosse ela, eu teria que arrumar uma garota brasileira que aceitasse isso sem envolver dinheiro e que outra garota, de qualquer nacionalidade, aceitaria isso sem um namoro? Eu não tinha feito amigas no Brasil, não tinha namorada, não tinha ninguém com quem pudesse falar e me explicar a ponto de propor algo assim... Estava encrencado. Fui para casa, mas não para casa diretamente. Parei na academia e me troquei no vestiário para poder malhar. Eu tinha o costume de levar roupas numa pequena mochila para o caso de precisar malhar quando saísse do escritório, afinal sempre saía um tanto agitado e estressado. Malhar me fazia bem para dormir. Quando saía do vestiário, só de camiseta, bermuda e tênis, muitas mulheres me olhavam. Eu era um cara bonitão, eu sabia disso. Era mais alto que a média dos brasileiros também, tinha 1,84 de altura. Era fácil sair com uma mulher bonita da academia e ir direto para um motel, mas eu fazia isso raramente. As mulheres brasileiras eram muito atiradas e seguras. Não era fácil para um turco lidar com tamanho desprendimento. Juiana chamou minha atenção por isso, ela era tímida, não era invasiva e aguardava ser cortejada. Poucas mulheres atualmente eram assim. E o rosto dela me voltava a memória. Não era linda, mas não era f**a, tinha um rostinho angelical, um sorriso bonito e cabelos longos do jeito que eu gostava. Mas era uma garota difícil. Implicava com tudo. Como eu faria para que ela aceitasse a proposta? Não fazia ideia, mas talvez fosse atraente ir até Istambul. Quem não gosta de viajar? E quem não gosta da Turquia? Talvez se eu dissesse que era uma viagem a negócios ela fosse mais facilmente. Eu estaria mentindo, mas àquela altura, eu não sabia mais o que fazer para desfazer aquele noivado tão errado, em tantos sentidos. Era melhor que eu fosse até Istambul do que esperar meus pais virem até o Rio e eu tinha certeza de que eles poderiam aparecer a qualquer momento. Era só uma questão de tempo. No dia seguinte eu falaria com Juliana. Cheguei em casa, tomei um banho relaxante, como só os brasileiros sabem fazer e deitei em minha cama, buscando o celular. Procurei por Juliana Machado nas redes sociais e lá estava ela, com um i********: aberto. Havia centenas de fotos dela, de flores, paisagens, passeios, na praia. Finalmente eu consegui ver seu corpo. Era gostosa, como dizem os brasileiros. Deslizei o dedo indicador por seu rosto na tela e depois notei o que acabara de fazer. Serkan, ela está afetando você... Decidi largar o celular e dormir. "Eu estava em uma praia deserta. Juliana estava lá. Sozinhos. Mas ela resolveu entrar na água para nadar, sem saber. Logo estava se afogando e eu tive que retirá-la do mar. Saí correndo em sua direção e nadei um bocado até alcançá-la. Estava já cansado, mas feliz de conseguir tirar Juliana do mar com vida. Assim que a levei para a areia, deitei seu corpo ali e só então percebi que estava nua. Encarei seu corpo todo com desejo. — Está bem, askim? (meu amor) — Sim, — Ela tossia. — Porque está nua? Ela olhou meu corpo. — Você também está! Olhei para meu corpo e estava realmente nu. Senti uma vontade imensa de beijar a garota. Não esperei. Se estávamos nus era sinal de que ela me queria. Deitei sobre ela e comecei a beijá-la. Beijei todo o seu corpo bonito, retornando a boca. Juliana me olhava com paixão. Nós nos beijamos intensamente e estávamos prestes a f********r, quando um barulho muito alto começou a vir de todos os lados. O barulho incessante era estridente e contínuo. " Acordei. Foi um sonho? Logo de manhã? Olhei para minha calça, estava encrencado. Sonhei com Juliana e acordei de p*u duro. Não era possível que agora ia começar a sonhar com minha funcionária! Tive que me aliviar ali mesmo. Baixei a cueca e toquei a glande, já molhada do pré-g**o. Desci a mão por toda a extensão do meu m****o rígido de desejo e afundei a cabeça no travesseiro. Eu estava mesmo me masturbando por sonhar com ela. Passei a mão por meu peito e desci ao abdome para intensificar meu prazer, como uma mulher faria. Apertei os olhos quando senti que ia gozar. Que delícia matinal... O que a falta de s**o faz com os homens... Acordar louco de t***o por sonhar com uma garota com quem nunca transei! O rosto dela me veio a memória e o que eu estava prestes a fazer naquele dia era abominável, mas eu não tinha outra saída. Não queria ver meus pais no Brasil me perturbando por causa de Asli. E eu não duvidava que Eda fizesse isso. Minha mãe não poupava esforços para ser desagradável, com a desculpa de tradições familiares. O que ela esperava mesmo era ser ainda mais rica, com os acordos familiares. Tomei um banho para me limpar do o*****o e me arrumei para aquele dia difícil. Ao chegar ao escritório, esperei por ela na porta da minha sala. — Juliana, venha. Parei no meio da sala, tomando coragem de fazer o que pretendia. Ela entrou na sala com ar preocupado. Devia se perguntar o que eu queria logo de manhã. Vergonha era o que eu devia sentir. Mas já que precisava seguir o plano, respirei fundo. Assim que ela entrou, pedi que fechasse a porta e estava selado nosso destino. Allah tem caminhos tortuosos para nos ensinar a encarar os problemas. Nada acontece sem que ele saiba, nenhuma lição é aprendida sem sua intervenção. O que seria para Juliana apenas um passeio a Turquia, para mim seria salvação. Assim que ela entrou, eu já me sentia culpado e sabia que seria cobrado pela minha mentira. Talvez fosse melhor dizer a verdade, mas eu corria o risco de que ela não entendesse e corresse de mim. Se eu fosse ela, correria. Pedi que fechasse a porta. Não havia outra solução. Eu seria o canalha. Já estava acostumado a ser chamado assim pelas mulheres que não me compreendiam. Juliana seria somente mais uma. Mas, porque o julgamento dela me afetava tanto? Eu não sabia o que estava sentindo, mas depois do sonho, queria mesmo descobrir o que era aquele sentimento que jamais senti.
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