Vincenzo A neblina do cais rastejava como uma serpente cansada, colando sal na pele e ferrugem no paladar. Eu poderia estar numa mesa aquecida, assinando contratos, ouvindo campos, enumerar remessas, prazos e cifras. Em vez disso, calcava as tábuas úmidas do porto com a pressa de quem perdeu a paciência e achou o rumo no cheiro de graxa. Ficha 27. Guardei-a no bolso do paletó como se fosse um talismã maligno. O galpão B rangeu à minha direita — metal velho queixando-se do vento. Dois dos meus abriram caminho em silêncio; o terceiro ficou de guarda, costas na sombra, olhos no horizonte de guindastes. — Don — disse o da frente, voz baixa. — O guarda-volumes fica depois da banca fechada. Os passos ecoavam em poças de óleo. Um cachorro varava sacos de juta com indiferença; longe, um apito

