Elena Havia aprendido, desde o primeiro dia nesta mansão, que o silêncio é um idioma. Ele pode significar submissão, mas também resistência. Pode ser súplica ou ameaça. Eu o usei como muralha desde o nosso último confronto, acreditando que, se não desse espaço para Vincenzo, conseguiria preservar o que restava da minha sanidade. Mas os muros têm frestas. E ele sabia exatamente onde encontrar as minhas. Nos últimos dias, ele reduziu o número de ordens diretas, mas aumentou a presença. Passava pelo meu campo de visão com frequência: ao atravessar o corredor, ao aparecer de repente no jardim, ao simplesmente estar sentado, em silêncio, na mesma sala que eu. Não dizia muito, mas quando falava, suas palavras carregavam um peso que permanecia mesmo depois de ele sair. Era impossível ignorar.

