Capítulo 10 — Onde a Luz Consegue Entrar

565 Words
O silêncio após suas palavras não foi vazio. Foi quebrado. Vittorio Mancini manteve o olhar fixo em você por longos segundos. Pela primeira vez desde que entrou naquele jogo, ele não sorria. Não provocava. Não controlava. — Você aprendeu rápido — disse ele, por fim. — Rápido demais para alguém que passou a vida fugindo. — Eu não estava fugindo — você respondeu com calma. — Estava sobrevivendo. E isso você nunca entendeu. Vittorio inclinou-se levemente para trás na cadeira. — Você acha que me venceu? Você sustentou o olhar. — Não. — respirou fundo. — Acho que venci o papel que você me deu. Do lado de fora, Claudio sentiu algo que não sentia há anos: não medo, não culpa — esperança cautelosa. O acordo não foi feito com apertos de mão nem promessas vazias. Foi feito com exposição controlada. Documentos vieram à tona. Provas silenciosas, mas irrefutáveis. Rotas, contas, nomes que Vittorio acreditava enterrados. Não houve espetáculo. Houve encerramento. Vittorio saiu daquela sala menor do que entrou. Não derrotado por armas — mas por tempo, verdade e perda de controle. — O jogo acabou — ele disse antes de sair. — Não porque você venceu… mas porque ninguém mais quer jogar. Quando a porta se fechou, você soltou o ar que estava segurando havia anos. Do lado de fora, Claudio foi o primeiro a se aproximar. Não como chefe. Não como imperador. Mas como pai. — Você não devia ter carregado isso sozinha — ele disse. — Eu não carreguei sozinha — você respondeu, olhando para Alsean, que se mantinha alguns passos atrás. — Só precisei ser ouvida. Alsean assentiu lentamente. — Você nos obrigou a mudar — ele disse. — Isso é mais difícil do que destruir. Nos dias que se seguiram, o mundo reagiu. O império Feretti não caiu em chamas. Ele foi desmontado. Negócio por negócio. Aliança por aliança. Silêncio por silêncio. Claudio entregou o que restava do poder que não queria mais sustentar. — Não quero um trono construído em medo — ele disse a Alsean. — Quero algo que sobreviva sem sangue. Alsean aceitou. Mas do próprio jeito. Não como herdeiro de um império criminoso. Mas como arquiteto de algo novo. E você? Você escolheu não desaparecer de novo. Escolheu um nome — o seu. Escolheu uma vida que não fosse definida pelo passado. Escolheu ficar perto… mas não presa. Meses depois, vocês se encontraram longe de tudo que lembrava guerra. Um lugar simples. Luz natural entrando pelas janelas. Silêncio que não machucava. Claudio observou você rir — um riso leve, ainda cuidadoso, mas real. — Eu não posso apagar o que fiz — ele disse. — Eu não preciso que você apague — você respondeu. — Só que caminhe diferente daqui pra frente. Ele assentiu. Alsean levantou o copo. — Aos erros que não se repetem — disse. Você sorriu. — E às histórias que não terminam onde começaram. Ali, pela primeira vez, não havia medo do amanhã. Havia espaço. ⸻ Epílogo — O Que Resta Depois Algumas histórias não terminam com finais perfeitos. Elas terminam com escolhas melhores. O nome Feretti deixou de ser ameaça. Passou a ser passado. Você seguiu em frente — não esquecendo, mas vivendo apesar. E quando alguém perguntou quem você era, você respondeu sem hesitar: — Sou alguém que sobreviveu. — E escolheu ficar. E isso foi suficiente. ✨ Fim ✨
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