CAPÍTULO 106 EDUARDA NARRANDO Pegamos o carro na garagem e partimos. Eu no volante, ele ao meu lado, os olhos atentos na rua, como se cada esquina escondesse uma armadilha. O rádio dele tava ligado, volume baixo, só pra ouvir se algo surgisse. O Maconha na frente, na moto, pilotando com a frieza de sempre. Outro parceiro atrás, também de moto. E um carro preto seguindo firme logo depois, com mais dois seguranças que eu não conhecia direito. Descemos o morro devagar, respeitando o caminho. Cada curva era conhecida por ele. Cada beco, cada portão enferrujado, cada barraco com roupa no varal… ele sabia quem morava, quem saía e quem não devia nem estar ali. E mesmo calado, dava pra ver o peso da responsabilidade estampado no rosto dele. — Tá tensa? — ele perguntou de repente, me encarando.

