CAPÍTULO 159 SOMBRA NARRANDO Mano… eu nem sei explicar o que foi meter a mão naquela chave e saber que quem ia guiar aquele carro era eu. Eu. Depois de tudo que eu vivi… tudo que eu passei. Ficar de cama, ouvir que talvez nunca mais fosse andar… e agora ali. De frente pro volante, com a minha mulher linda do lado, o som batendo de leve e a quebrada inteira lá fora me esperando. Dei a partida com a mão firme, ajeitei o banco e coloquei o cinto com gosto. A Duda me olhava de canto, com aquele sorrisinho b***a, tipo “meu homem tá voando”. — Tá feliz, né? — ela perguntou, passando a mão na minha nuca. — Cê não tem noção, Duda… tá ligado o que é ficar meses dependendo de uma cadeira, de muletas? De alguém te empurrar numa cadeira? De ver os outros indo e vindo enquanto tu fica só assisti

