CAPÍTULO 119 KELVIN NARRANDO Tava sentado na laje do meu barraco, olhando o movimento do morro, quando comecei a notar uma agitação esquisita lá embaixo. Os rádios tinham ficado quietos demais. Ninguém falava nada, mas os olhares tavam falando alto. Levantei devagar, coçando a nuca, já com aquele peso estranho no peito. O tipo de sensação que a gente aprende a respeitar. Quando a paz fica silenciosa demais… é porque a guerra já saiu de casa. Vi o Digão passando com pressa no beco principal. Fuzil pendurado no ombro, boné aba reta, aquele jeito marrento que ele sempre tenta bancar. Mas hoje tava diferente. Ele não olhou pra ninguém. Só seguiu, e atrás dele… vinham mais de dez vapor. Todos armados. — Qual foi, Digão? — gritei lá de cima, mas ele nem respondeu. Fingiu que não ouviu. Des

