CAPÍTULO 54 EDUARDA NARRANDO Tinha alguma coisa naquele lugar. Naquela batida. Naquele olhar dele. Uma mistura que me deixava zonza sem precisar beber nada. Mas eu bebi. Um copo, dois… e o whisky queimando devagar, soltando o que ainda tava preso. E aí, quando o DJ mudou o ritmo, quando o grave bateu mais forte e o som preencheu meu corpo, eu parei de pensar. Só fui. Comecei a dançar. Primeiro de leve, só sentindo a música. Depois, mais solta, mais eu. Porque ali, pela primeira vez, eu não era só a fisioterapeuta dele. Nem a doutora da favela. Eu era mulher. Eu era desejo. Eu era o agora. E eu sentia os olhos dele em mim. me queimando. Cada movimento meu era respondido com o silêncio dele. Um silêncio que gritava. Um silêncio que dizia tudo. Girei devagar, o cabelo acompanhando, o

