CAPITULO 53 SOMBRA NARRANDO Cheguei no camarote no meu silêncio. Sem levantar a voz, sem precisar gritar. Só a presença. Só o olhar. E, como sempre, o baile sentiu. Era igual mudança no vento. O clima muda. As atenção viram. O som continua, mas os olhos… os olhos vêm pra cima da gente. Me ajeitei no canto do camarote, o corpo firme na cadeira, os dedos fechando e abrindo devagar nas rodas, como se fosse pra manter o controle. Mas, na real, era só pra disfarçar o tanto de coisa passando na minha cabeça. A doutora ficou de pé, do meu lado. Elegante. Séria. Mas os olhos… os olhos dela denunciavam tudo. Tava em choque com o que via. Com o respeito. Com a estrutura. Com a forma como o morro se curva sem um pedido. Sem um comando. Só porque eu apareci. — Tão olhando pra gente — ela murmurou

