CAPÍTULO 92 SOMBRA NARRANDO Depois de um tempo que pareceu uma eternidade, a maca voltou a sair devagar. A enfermeira me ajudou a sentar, perguntou se eu tava bem, e eu só fiz um sinal com a cabeça. Tava suando. Mas tava bem. — Agora vamos pro raio-X, tudo certo? — ela falou, com aquele tom de quem já tá no ritmo do dia. — Toca o bonde. A sala do raio-X era fria, meio escura. Tive que tirar a camisa, e Duda me ajudou a me posicionar do jeito certo. Tiraram várias imagens: da lombar, da coluna inteira, do quadril, das pernas. Eu via o esforço da equipe em ser cuidadosa, mas o que me dava segurança mesmo era o olhar dela. A Duda ficava do lado, firme, segurando minha mão sempre que podia, sorrindo com o canto dos olhos. Como se dissesse: eu tô aqui. Tu não tá sozinho. Por fim, fui le

