CAPÍTULO 157 SOMBRA NARRANDO Já tinha feito vários corres esses dias. Resolvi tudo pro baile, organizei cada detalhe. Até reunião com o Teixeira, chefe do comando, eu tive. Bati de frente, mostrei prova, falei tudo que o Digão e aquela quenga tavam tramando. E o aval veio. Tá autorizado. O morro do Digão vai cair. E vai ser por minha mão. Só que isso é pra outro dia. Hoje… hoje é dia de baile. E eu só quero curtir. Curtir minha mina, minha quebrada, o som, a vibe. Esquecer por algumas horas o peso de ser quem eu sou. Hoje eu vou viver. Amanhã… eu volto a ser sombra. A sombra que apaga quem pisa torto no meu caminho. A laje tava silenciosa, o céu começando a mudar de cor, aquele laranja escorrendo pelas nuvens como tinta fresca. Eu tava ali, sentado na cadeira de frente pro morro, com

