Capítulo 10 EDUARDA NARRANDO Milena me olhou com um pouco de tristeza nos olhos, como quem entende… mas não pode impedir. — Só não faz nada com pressa, tá? Tu acabou de chegar. Dá tempo das coisas se ajeitarem. Vai com calma — ela disse, dando mais uma lambida no sorvete. Assenti, sem responder. O gosto do chocolate já nem fazia mais diferença. Tinha um nó no meu peito que não descia com nada. E por mais que o sol aquecesse a pele e a brisa do fim de tarde aliviasse, por dentro… eu ainda tava toda travada. A gente ficou ali mais um tempinho, em silêncio. Vendo as crianças brincando, ouvindo o barulho dos chinelos batendo no chão, das conversas cruzadas, dos sonhos que se criam em cada esquina daquele lugar. — Que horas é tua conferência mesmo? — Milena perguntou. — Daqui a pouco… um

