CAPÍTULO 49 EDUARDA NARRANDO Eu passei a tarde toda na fisioterapia com ele, depois saí daquele quarto com o peito quente, as mãos ainda tremendo e o coração batendo tão alto que parecia que o morro inteiro conseguia ouvir. Formigamento. Não era só um sinal qualquer. Era uma luz. Uma fresta de possibilidade onde antes só tinha parede. Aquelas palavras dele “eu quero ficar de pé” ficaram ecoando na minha cabeça, me acompanhando até o banheiro, até o espelho, até o instante em que joguei água no rosto e encarei minha própria expressão no reflexo. Eu tava emocionada. Mas também tava assustada. Porque quando alguém como o Sombra acredita… ele acredita pra valer. E eu não podia, de jeito nenhum, decepcionar. Depois me joguei na cama e fiquei um tempo ali descansando e pensando na vida

