CAPÍTULO 48 SOMBRA NARRANDO Fiquei na garagem mais um tempo, olhando ela sumir pela porta do quarto com aquele jeito dela… leve, mas cheia de atitude. Eduarda tinha isso. Chegou quebrando meus esquemas, bagunçando meu silêncio. E agora? Agora tava ali dentro, montando armário, enchendo gaveta, me fazendo pensar coisa que eu nem gostava de pensar. Maconha encostou do lado, me entregou um cigarro, mas eu só balancei a cabeça. — Tá de boa — falei. Ele sacou. Não insistiu. Foi andando pra lateral da casa, dando espaço. Girei a cadeira devagar, entrei, manobrando no corredor já de cabeça cheia. Quando passei pela porta entreaberta do quarto dela, meu olho foi direto pra dentro. Ela tava lá. De costas. Cabelos soltos, mexendo nas sacolas, guardando tudo com uma calma que parecia até que el

