CAPÍTULO 99 PAULA NARRANDO A campainha da porta tocou de novo. — Bom dia! — falei no automático, ajeitando o expositor de película 5D que tava meio torto, com umas capinhas coloridas penduradas na lateral. A lojinha da minha madrinha era pequena, mas movimentada. Ficava logo na entrada do morro, daquelas que o povo já conhece e confia. Vendia de tudo: carregador, fone, caixinha de som, adaptador… e o atendimento era comigo. Madrinha confiava tanto em mim que às vezes nem parecia que era dela — parecia minha. Ela tinha saído cedo pra resolver um negócio com o fornecedor e me deixou cuidando de tudo. Eu tava ali desde as nove, com o rádio ligado baixinho e o pensamento… longe. Porque desde aquele churrasco ontem na casa do Sombra, no alto do morro… eu não consegui mais parar de pensar

