CAPÍTULO 116 MACONHA NARRANDO O celular vibrou no meu bolso e eu nem esperei tocar de novo. Atendi no impulso, com o coração acelerado. — Fala, Duda… Só de ouvir a voz dela engasgada, eu já senti que vinha bomba… mas dessa vez foi diferente. — A cirurgia terminou. Deu tudo certo. Fiquei mudo uns segundos. Sabe quando o mundo para? Foi isso. A cabeça girando, o corpo relaxando, a alma agradecendo. — Caralhø… que alívio, Duda… — falei baixo, com a mão na nuca e os olhos mirando o chão da laje. Desliguei devagar e fiquei ali, parado, encarando o céu que já tava começando a escurecer. O barulho do morro rolando normal, mas eu só ouvia o silêncio dentro de mim. Um silêncio bom, de missão cumprida. Sombra é meu irmão. Não de sangue, mas de guerra. De tiro, de luto, de vitória. Vi aquele

