CAPÍTULO 110 SOMBRA NARRANDO A porta ainda tava tremendo quando ela fechou. O silêncio que ficou depois da despedida foi pesado. Duro. Eu encostei a cabeça no encosto da cadeira e fiquei só ouvindo o barulho do carro descendo o morro com minha mãe e meu filho. O peito tava apertado, mas o foco era outro agora. A missão era maior. — Tudo certo? — ela perguntou, vindo até mim, colocando a mão no meu ombro. — Nada certo. Mas tudo pronto. Ela só assentiu, sem dizer mais nada. A gente tinha aprendido a se comunicar no silêncio. E era nesse silêncio que eu tava organizando as ideias. O tempo tava passando rápido demais. Daqui a pouco, a gente ia tá na estrada rumo a São Paulo. Eu ia meter a cara numa cirurgia que podia dar certo… ou não. Mas pela primeira vez em muito tempo, eu tava dispos

