CAPÍTULO 127 EDUARDA NARRANDO Uma semana. Sete dias desde aquela manhã em que ele abriu os olhos e disse que sentiu as pernas. Sete dias desde que o impossível começou a se tornar realidade diante dos meus olhos. Hoje… é o dia da alta. Olhei pra ele ali, sentado na beirada da cama com a fisionomia concentrada, o rosto suado, a mão apertando firme o andador na frente. Um dos enfermeiros tava do lado, só pra garantir, mas quem tava fazendo o esforço todo era ele. Meu guerreiro. — Vamo, Sombra… mais um pouquinho — incentivei, de pé ao lado dele, coração na boca a cada movimento. Ele resmungou um “tô indo, caralhø”, com aquela cara de bravo dele, mas eu sabia que no fundo… ele tava feliz. Determinado. Devagar, como quem carrega o mundo nas costas, ele levantou. Primeiro só os braços, d

