CAPÍTULO 138 SOMBRA NARRANDO A paisagem da estrada corria pela janela, mas minha cabeça… tava em outro lugar. No morro. No tempo que eu perdi. Na vida que eu quase deixei pra trás. Era estranho dizer isso, mas eu tava voltando. De verdade. Com o corpo marcado, cheio de cicatriz… mas inteiro. Do banco do passageiro, Duda segurava minha mão com força. E eu não soltava por nada nesse mundo. — Tu acredita que a gente tá voltando, Duda? — falei, virando o rosto pra ela. — Porque eu ainda tô tentando acreditar. Ela sorriu, os olhos cheios d’água. — Eu acredito desde o primeiro dia. Tu que demorou pra enxergar. Assenti, olhando pro horizonte de novo, engolindo seco. — Eu pensei que nunca mais ia ver o morro com os meus próprios olhos… e agora tô voltando. De pé. Vivo. Com tu do meu lado.

