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HERDEIROS DAS SOMBRAS LIVRO 2

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SINOPSE: HERDEIRO DAS SOMBRAS (LIVRO 2)

"Ouro compra silêncio. O sangue compra lealdade. Mas as sombras... elas guardam o verdadeiro poder."

Dezoito anos se passaram desde que Gabriel (GB) e Camila transformaram o Complexo do Alemão em um império inabalável. A paz foi comprada com chumbo e mantida com inteligência, mas o tempo dos reis está chegando ao fim e uma nova era surge no horizonte.

Gabriel Junior cresceu sob a tutela do pai e do tio MT. Ele não é apenas um herdeiro; ele é o perigo que todos sabem que devem evitar. Explosivo, impetuoso e dono de uma presença que faz o asfalto tremer, ele é o braço armado da família. Mas por trás dos músculos e das tatuagens, Junior carrega o peso de uma expectativa que pode ser sua ruína. Ele não quer apenas seguir os passos do pai; ele quer pavimentar seu próprio caminho, mesmo que precise incendiar o que resta do passado.

Vitória, por outro lado, é a calmaria que precede a tempestade. Com a mente tão afiada quanto o bisturi que sua mãe um dia empunhou, ela é a estrategista que move as peças antes mesmo do inimigo saber que o jogo começou. Enquanto o irmão é o fogo, ela é o gelo. Vitória sabe que no novo mundo, a guerra não se vence apenas com fuzis, mas com dados, influência e segredos.

Quando uma nova e misteriosa ameaça surge das sombras, desafiando a hegemonia da família e trazendo à tona segredos que o GB e o MT juraram levar para o túmulo, os irmãos precisarão decidir: o sangue que os une é forte o suficiente para mantê-los juntos, ou a sede pelo poder individual vai dividir o império?

Neste segundo livro da saga, os herdeiros provarão que o brilho do ouro pode ter ficado para trás, mas a escuridão das sombras é onde o verdadeiro destino é selado.

Prepare-se para conhecer o novo rosto do perigo. Ele é o Herdeiro das Sombras. E ela é a mente por trás do trono.

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CAPÍTULO 1
CAPÍTULO 1 — JUNIOR NARRANDO O aço frio do fuzil contra o meu peito era a única coisa que me mantinha ancorado à realidade enquanto o mundo lá embaixo explodia em cores e batidas graves. Dezoito anos. Oficialmente, eu era o herdeiro de um império que muitos consideravam uma lenda urbana, mas que para mim era o único lar que eu conhecia. O som do baile funk na quadra da Grota subia o morro como um organismo vivo, uma pulsação rítmica de graves que fazia o concreto da laje onde eu estava posicionado vibrar sob as minhas botas. Hoje, o Complexo do Alemão não estava apenas em festa pelo meu aniversário; ele estava em vigília. Metade do Rio de Janeiro acreditava que, a essa hora, o "Príncipe do Morro" estaria afogado em uísque de cinco mil reais e cercado por mulheres que m*l sabiam o meu nome. A outra metade, a que realmente importava — a que carregava radinhos na cintura e cicatrizes no corpo — sabia que eu estava na pista. No meu mundo, a maioridade não é celebrada com um bolo, mas com a prova de que você é capaz de manter a coroa que recebeu. — Junior, na escuta? Os pássaros estão no ar. Movimentação suspeita no setor 4, beco da Miséria. Três alvos confirmados. Eles estão se movendo como se conhecessem os pontos cegos das câmeras antigas. — A voz da Vitória no meu ponto eletrônico era um bisturi: fria, precisa e desprovida de qualquer emoção desnecessária. Ajustei o silenciador do meu armamento, sentindo o clique mecânico ressoar nos meus dedos. — Na escuta, estrategista. O bando já está na posição. Só esperando o seu comando para fechar o cerco. Eles acham que o baile é a cortina de fumaça, mas a fumaça são eles — respondi, minha voz saindo num sussurro rouco que o vento da madrugada quase levou. — Aguarde... o drone térmico pegou um quarto elemento escondido sob uma lona de zinco. Ele está com uma metralhadora .50 montada. Se você avançar agora pelo telhado, vai ser cortado ao meio antes de dizer seu sobrenome. Espera o flanco esquerdo ser suprimido. Eu sorri no escuro. Minha irmã tinha essa mania de ser a voz da razão enquanto eu era o braço do caos. Papai sempre dizia que eu era o fogo — impetuoso, destrutivo e brilhante — e que ela era o gelo — silenciosa, estrutural e letal. Mas o que ninguém percebia, além de mim, era que o gelo dela só existia para garantir que o meu fogo não queimasse a casa inteira. — Quem está no comando da supressão? — perguntei, sentindo a adrenalina começar a queimar nas minhas veias, um incêndio familiar que eu aprendi a amar. — O Tio MT mandou a Helena coordenar o cerco por baixo. Ela já está na base da escadaria. Ouvir aquele nome foi como levar um soco no estômago que nenhuma placa de colete blindado poderia proteger. Helena. Minha prima de consideração, a filha mais velha do MT. Nós crescemos correndo pelos mesmos corredores da mansão, mas nos últimos meses, algo mudou. O jeito que ela me olhava, o jeito que o ar parecia ficar mais denso quando ela entrava na mesma sala que eu... era um campo minado. O MT me mataria se soubesse que os meus pensamentos sobre a filha dele não tinham nada de familiares. E o meu pai? O GB provavelmente me ajudaria a cavar a cova. — Helena está na contenção? — tentei manter a voz neutra, mas falhei miseravelmente. — Foca no alvo, Junior. Deixa para resolver seus problemas de coração quando a pista estiver limpa. AGORA! Vai, vai, vai! — O comando da Vitória foi o gatilho. Pulei da laje, sentindo o impacto controlado nos joelhos, e deslizei por um telhado de zinco, fazendo o mínimo de barulho possível. A escuridão era minha aliada, um manto que eu aprendi a vestir desde que ganhei minha primeira arma de brinquedo. O grupo que tentava se infiltrar era da Baixada, financiados por algum político que achava que o Alemão estava vulnerável porque o "Rei" estava ficando velho. Coitados. Eles não entendiam que o GB nunca envelhece; ele apenas se multiplica. Aproximei-me do primeiro vigia por trás. Ele cheirava a cigarro barato e medo. Antes que ele pudesse girar o corpo, minha mão cobriu sua boca e o fio de aço fez o resto. Um abatimento silencioso. O segundo alvo tentou erguer o fuzil, mas minha Glock com silenciador cuspiu dois tiros rápidos. Centro da massa. Ele caiu como um saco de areia. — Alvo 1 e 2 no chão. Vitória, cadê o cara da .50? — Segundo andar da casa verde, janela da direita. Ele está tentando girar o cano para o beco. Se ele disparar, vai pegar os nossos homens na subida! Junior, a Helena está entrando pela cozinha agora! Corri. Meus pulmões ardiam, mas eu não parava. Atravessei o corredor estreito, pulando sobre destroços de uma obra inacabada. O som do baile lá embaixo agora era apenas um ruído de fundo, substituído pelo som da minha própria respiração e pelo estalar da madeira sob minhas botas. Explodi a porta do segundo andar com um chute lateral. O invasor estava de costas, suando sobre a metralhadora pesada, tentando destravar o cinto de munição. Eu ia atirar, mas uma sombra se moveu mais rápido do que eu. Helena saiu da penumbra da cozinha como um espectro. Ela não usou arma de fogo. Ela cravou uma faca de combate no ombro do homem e o girou, aplicando um mata-leão tão técnico que eu pude ouvir as vértebras dele clamando por misericórdia. Em segundos, ele estava no chão, apagado. Ela se virou para mim. O suor brilhava na testa dela, e alguns cachos teimosos escapavam do coque tático. Os olhos dela, escuros e desafiadores, brilhavam com a mesma luz de guerra que eu via no MT. — Atrasado, Junior — ela sibilou, com um sorriso de canto que era puro veneno. — Achei que o herdeiro tivesse aprendido a correr com o Samurai, não com as tartarugas da UPA. — Estava apenas dando uma chance para a visita não se sentir inútil — rebati, caminhando até ela. O espaço era pequeno, o calor do combate ainda emanava de nós dois e a proximidade era perigosa. Eu podia sentir o cheiro do perfume dela misturado ao odor metálico da pólvora. — Belo movimento, "prima". Ela arqueou uma sobrancelha, o desafio estampado na cara. — Não me chama de prima, Junior. Você sabe que o sangue não é o mesmo. E sabe que se o meu pai te ouvir, ele te fura antes de perguntar o motivo. — Acabou o momento 'Romeu e Julieta' do crime? — A voz da Vitória ecoou no ponto, carregada de sarcasmo. — A contenção do Samurai pegou os outros dois que tentaram fugir pela tubulação. O setor está limpo. Agora, tratem de descer. O papai e a mamãe estão esperando na área VIP para o brinde. E Junior... limpa esse sangue do rosto. Você está assustador, e a festa é supostamente para você. Helena deu uma risadinha, guardando a faca na bainha presa à coxa e passou por mim, fazendo questão de esbarrar o ombro no meu. — Vejo você no camarote, Junior. Tenta não se perder no caminho. Fiquei ali por alguns segundos, tentando recuperar o fôlego e o juízo. Olhei para a .50 abandonada na janela. Aquele era o mundo que me deram. Um mundo de sombras, de armas e de amores proibidos. Desci as escadas e fui em direção ao coração da Grota. Ao entrar na quadra do baile, o choque cultural foi imediato. De um lado, a escuridão silenciosa do combate; do outro, o brilho ofuscante dos neons, o cheiro de uísque caro e a massa humana se movendo ao som de um funk proibidão que narrava, ironicamente, a história do meu pai. Subi para a área VIP. O Samurai e o MT estavam na entrada, as posturas relaxadas mas os olhos sempre escaneando a multidão. O MT me deu um aceno de cabeça, o olhar de quem sabia exatamente o que tinha acontecido lá em cima. — Bom trabalho, moleque — ele disse, com a voz grossa. — Mas não deixa a Helena te dar muito baile. Ela puxou o gênio da mãe e a mão pesada do pai. — Pode deixar, tio — respondi, tentando não parecer culpado. Caminhei até a mesa principal. Meu pai, o lendário GB, estava sentado como um imperador, com o braço em volta dos ombros da minha mãe. Eles eram o retrato do que eu esperava um dia ter. O GB se levantou, a presença dele ainda silenciando parte da mesa sem que ele precisasse dizer uma palavra. — Dezoito anos, Gabriel Junior — ele disse, me entregando um copo de cristal com um líquido âmbar. — Hoje você provou que sabe usar as mãos para proteger o que é seu. Mas lembre-se: o ouro que eu conquistei não é mantido apenas com balas. É mantido com o respeito de quem está lá embaixo e o medo de quem está lá fora. — Eu sei, pai. — Sabe mesmo? — Ele se inclinou, o olhar de águia fixo no meu. — Porque eu vi o jeito que você olhou para a filha do MT. Você está jogando uma partida perigosa, Junior. E nessa partida, o tabuleiro pode quebrar. Bebi o uísque de uma vez, sentindo o líquido queimar a minha garganta. Eu sabia que ele estava certo. Mas, enquanto eu olhava para a Helena, que agora conversava com a Vitória no canto do camarote, eu sabia que algumas batalhas a gente não escolhe. Elas nos escolhem. Olhei para o lado e vi a Vitória. Ela não estava bebendo. Estava com o tablet aberto, mas seus olhos não estavam nos dados. Ela observava um vapor chamado Bento lá embaixo, na pista. O cara era o maior galinha do morro, um problema ambulante. — Vitória? — chamei. — Não agora, Junior — ela sussurrou, sem tirar os olhos do alvo. — Estou processando uma anomalia. — A anomalia tem nome e é o Bento? — provoquei. Ela me deu um olhar que teria congelado o Saara. — Foca na sua "prima", Junior. Eu cuido das minhas anomalias sozinha. A noite estava apenas começando. Os Herdeiros das Sombras tinha acabado de acordar, e o Rio de Janeiro não tinha a menor ideia do que estava por vir. Entre guerras de território e guerras de coração, o meu império estava prestes a ser testado da maneira mais brutal possível. E eu estava pronto para incendiar tudo, se fosse preciso, para manter a minha coroa intacta.

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