CAPÍTULO 51 — HELENA NARRANDO A casa estava silenciosa demais para um lugar que carregava tantas histórias, tantos gritos abafados e tantas decisões que podiam mudar destinos inteiros em questão de segundos, e ainda assim aquele silêncio não era paz, porque ele tinha peso, tinha cheiro de ausência, tinha o gosto amargo de uma espera que parecia não ter fim enquanto eu caminhava lentamente pelo corredor, passando a mão pela parede fria como se precisasse me lembrar que ainda estava ali, que ainda existia dentro de um mundo que continuava girando mesmo com o Junior desaparecido e com tudo desmoronando ao nosso redor. Eu levei a mão até o ventre quase por instinto, um gesto que já tinha se tornado automático, como se aquele pequeno sinal de vida dentro de mim fosse a única coisa que me mant

