— Graças a Deus! — Vanda exclamou, me abraçando apertado. — Eu sabia que uma hora ou outra daria certo. Preciso dar um abraço no Vinícius também, nem sei o que dizer. Se quiser posso te ajudar a encontrar uma casa — concordei com a cabeça, ainda um pouco aérea pelos últimos acontecimentos.
— Eu também ainda nem acredito, Vanda — declarei sorrindo. — Não quero te dar trabalho, aliás, acho que também não quero pedir ajuda ao Vinícius. Ele já tem tanta coisa para resolver.
— Vou ver com o Zé se ele pode ajudar, já disse que você não está sozinha — reforçou, pegando rapidamente minha mão. — Agora vou deixar você terminar seus afazeres, não quero atrapalhar. Mas se precisar de ajuda...
— Demos conta dos preparativos, acho que está quase tudo encaminhado — informei radiante. — Não vejo a hora do Vinícius chegar pra poder contar o que aconteceu.
— E tirar o atraso também, né? — provocou, fazendo meu rosto esquentar.
— Hmm, quem sabe — disparei rindo.
— Até mais, gatinha.
— Até.
Sabrina andava pela casa feito um furacão, ajeitando aqui e ali. Checando o forno, para ela tudo tinha que sair perfeito e para mim também. Porque eu veria Vinícius depois de semanas somente conversando por vídeo chamada ou telefone. Esperava do fundo do coração, a oportunidade de agradecer e quem sabe sair do zero a zero com ele em algum momento desta noite.
Eu queria muito agarrá-lo e beijar aquela boca até me faltar ar. Não ficaria mais fazendo joguinhos ou fingindo que não estava perdidamente apaixonada. Esperava que ele também não tentasse me repelir dessa vez, mesmo tendo questões a resolver. Eu não pretendia ser um peso para ele ou segurá-lo aqui. Só queria demonstrar meus sentimentos e finalmente beijá-lo por mais de dois segundos.
Não era uma coisa r**m, certo? Dar uns amassos...
Não ia fazer m*l algum, nem a mim nem a ele.
Luan também estava eufórico e animado para rever Vinícius. Eles se falaram algumas vezes ao telefone, como fiquei sabendo, mas Luan não gostava muito. Geralmente nas férias Luan ficava para baixo porque meu pai sempre jogava videogame com ele. Apesar de tentar fingir que não, eu sabia que meu irmão sentia muito a falta do nosso pai também. Luan era um garoto realmente maduro para a idade e isso me preocupava, eu queria que ele aproveitasse a infância. Mas às vezes sentia que antes sempre falhava ao tentar proporcionar um crescimento digno para ele.
Ainda bem que tinha os filhos da Vanda, porque meu irmão não era adepto a fazer amizades. Sua personalidade era igual a minha, para alguém ultrapassar seu escudo era necessário muita calma e insistência.
Enfim, Vinícius disse que chegaria em cima da hora, devido a uma reunião com o advogado para revogar a procuração do canalha do primo dele. Ao que parecia o tal de Diogo não era confiável e aproveitou a fragilidade e inocência do Vinícius para fazer o que bem entendia.
Ele comentou comigo ontem que um dos supervisores de lá encobria e ajudava Diogo, diferentemente do Arthur. Explicou que a transferência da Paloma também foi uma jogada estratégica, porque quando ele não estivesse presente, ela estaria.
Paloma era uma profissional e tanto, Vinícius confiava nela. Nos últimos dias, conversamos bastante, apesar de não ter sido pessoalmente. Eu descobri informações que até então não fazia a mínima ideia, já que antes ele também mantinha alguns detalhes da sua vida longe da superfície que eu podia ter acesso.
Ainda não era o suficiente, teríamos muito mais para conversar. Entretanto, eu já não me sentia no escuro em relação ao Vinícius. Ele ia se mostrando cada vez mais para mim e eu fazia questão de retribuir, não fiquei chateada por Luan ter contado o que aconteceu com nosso pai. Fiquei aliviada, não somente por Vinícius ter me ajudado, mas porque era exaustivo não me abrir com ninguém e não permitir que outras pessoas conhecesse meus problemas pessoais ou me oferecesse suporte.
Sabrina mesmo sabia tudo sobre a minha vida agora, porque eu mesma contei.
— Falta mais alguma coisa? — perguntou, sem aquietar o facho por um segundo.
— Está tudo perfeito, é só aguardar — informei, tentando acalmá-la.
Eu também estava ansiosa, mas tentei manter a calma para não enlouquecer uma Sabrina já louca o suficiente.
— Vou tomar um banho e me arrumar, você deveria fazer o mesmo — apontou, dando risada.
Eu não estava exatamente apresentável, mas ainda tinha um tempo para colocar a aparência em dia. Tomei um banho relaxante e quando arrumava o cabelo, comecei a ouvir vozes. Luan conversava animadamente com alguém, meu coração deu um salto ao identificar o timbre grave do Vinícius.
Era ele.
Caramba, eu nem estava pronta.
Mas, que se dane, eu morria de saudade.
Desci correndo as escadas sem nem me importar com o fato de estar somente de toalha.
— Vinícius!
Ele conversava de costas com o Luan, vestia uma camiseta azul e calça jeans razoavelmente justa.
Pelo amor de Deus, que pedaço de m*l caminho.
Vai ser gostoso assim lá na minha cama.
— Mari — seus olhos rapidamente analisaram meu traje e ele abriu um sorriso discreto — Tudo isso era saudades de mim?
— Era sim — confirmei, não bancaria a sonsa desentendida agora.
— Minha irmã só falava de você: Vinícius pra cá, VINÍCIUS pra lá! — Luan botou lenha na fogueira. — Tô fora, vocês vão fazer coisas de adultos. Beijar na boca, sei lá, eu não quero ver nada. — Ele correu para a casa da Vanda e nós dois caímos na gargalhada.
— Quantos anos seu irmão tem mesmo? — coçou a nuca, dando uma outra espiada em mim — Me receber enrolada numa toalha já é covardia.
Seu perfume me envolveu assim que ele deu mais um passo na minha direção, fazendo meu coração dar um pulo no peito. Naquele instante, eu cheguei à simples conclusão de que precisava beijar aquela boca novamente e mais nada.
Eu nunca quis tanto um homem.
Venci o restante da distância entre nós e finalmente fiz o que gostaria de ter feito desde que nos conhecemos praticamente.
Eu o beijei.
Na boca.
De língua.
Um beijo que começou lento e incerto, porque Vinícius parecia reticente no início. Talvez por eu estar envolta somente em uma toalha, ou por algum outro motivo que eu desconhecia. Mas não demorou muito para ele se entregar ao contato e suas mãos irem parar na minha cintura. Vinícius puxou meu corpo para si, sua língua tocou a minha, aprofundando o beijo. Ofeguei quando ele mordeu meu lábio inferior, me envolvendo em seus braços de forma possessiva.
— Pensei que fossemos nos resolver conversando — sussurrou na minha boca.
— Depois, já conversamos muito — argumentei entre suspiros. — Eu quero você — afirmei com todas as letras.
Vinícius abriu os olhos e suas pupilas estavam enormes, cobrindo quase todo o verde que eu gostava tanto.
— Mari — sussurrou hesitante — Tenho medo te magoar novamente.
— Não precisa ter medo, eu sou forte — brinquei, subindo uma das minhas mãos para a sua nuca.
Senti seus fios macios na minha palma.
Vinícius suspirou.
— Tem certeza? — perguntou, seu tom soou baixo e sua voz ligeiramente rouca — Não quero te perder outra vez...
— Vinícius, você não vai me perder — afirmei, ligeiramente exasperada — Agora pode, por favor, calar a boca e continuar me beijando?
— Pedindo com jeitinho assim, também não dá para resistir. — Ele segurou meu rosto e colou sua boca na minha com uma certa urgência que fez meu coração disparar.
Eu sentia que estava derretendo ou renascendo.
Não saberia dizer com precisão, mas de uma coisa eu tinha certeza: Eu gostava do Vinícius bem mais do que imaginei.