Capítulo 17

1266 Words
Acordei com Vinícius enroscado em mim, ele dormia profundamente. Soltei um suspiro apaixonado ao observar seu rosto sereno. Os traços harmônicos, a mandíbula marcada, os lábios cheios. Pena que não dava para ver seus olhos verdes, que eram meu ponto fraco. A respiração calma e tranquila indicava que ele provavelmente não acordaria tão logo. Vinícius vestia uma cueca boxer vermelha e continuava sem camisa, eu estava só com um lençol enrolado no corpo. Peguei o celular para tirar uma foto nossa juntos, o perfil dele no i********: era privado e Vinícius realmente não atualizava com frequência. A última foto era uma em que ele estava com os pais — ambos muito bonitos, por sinal, o que explicava seu charme. Os olhos verdes eram da mãe, mas o tom de pele bronzeado era do pai. Enfim, viva os genes privilegiados. Contudo, dava também para compreender o porquê do Vinícius não ter me permitido segui-lo anteriormente. Havia várias fotos dele na livraria em que eu trabalhava. Fotos antigas, que me fariam desconfiar imediatamente, mas agora não importava mais. Se eu fui lerda de não me tocar antes, talvez mesmo que alguém esfregasse na minha cara a verdade eu não aceitaria. Tirei uma selfie nossa e pensei em marcar sua conta. Depois voltei atrás, era íntimo demais. Melhor não expor nosso relacionamento daquele jeito sem consultá-lo. Vinícius se remexeu, me abraçando de lado e afundando o rosto na curva no meu pescoço. Sua barba fez cócegas na minha pele e sua respiração me deixou arrepiada. — Você estava certa, dormir de calça jeans é realmente horrível. Da próxima vez que eu passar a noite na sua casa, vou fazer questão de ter pelo menos uma bermuda — gracejou no meu pescoço. — Dormiu porque quis, poderia muito bem ter ficado só de cueca — comentei, alisando seu abdômen — Até pensei em tirar sua calça quando notei, mas poderia ser considerado assédio e você não permitiu nem que eu me livrasse da sua camiseta. Vinícius permanecia de olhos fechados, mas abriu um sorriso ao me ouvir. — Se soubesse o quanto foi difícil levantar daquela cama — dei risada. — E, bom, pensei que seria falta de respeito dormir só de cueca no quarto do seu irmão. Erro meu, vou me atentar da próxima vez. Ou você pode começar a dormir aqui comigo quando eu estiver na cidade, assim ambos não precisaremos de roupas. — Sabe que eu tenho o Luan — argumentei, apesar de desejar ficar a sós com Vinícius muito mais vezes. Com ou sem roupas. — Eu sei — confirmou, acariciando meu ombro com a barba. Arrepiando ainda mais a minha pele. — Também preciso voltar no mais tardar daqui há dois dias. Tenho outra reunião e tenho que estar presente quando o acordo com um dos funcionários da causa trabalhista for fechado. Conseguimos chegar em um consenso, agora só preciso do relatório que prova o desvio de dinheiro do Diogo. Revogar a procuração e… — O calei com o indicador em seus lábios. — Shii — sussurrei. — Calma, você precisa relaxar um pouco a cabeça. Vai dar tudo certo, não pense muito nisso. — Com você aqui é fácil não pensar. — Ele puxou meu corpo para si. Sorri fraco, sentindo o coração infinitamente leve. Vinícius deixou um beijo nos meus lábios. Em seguida pegou o celular para ver as horas, então me mostrou uma foto do Luan abraçado com uma menina em sua conta do i********:. — Você viu isso? Analisei a fotografia, recordando que meu irmão me contou há semanas que gostava de uma menina da escola. Mas não passou disso, com tanta coisa na cabeça, eu não me atentei. — Acho que meu irmão está crescendo — comentei, curtindo a foto pelo perfil do Vinícius. Ele riu. — Meu garoto! — exclamou divertido. Dei um tapa fraco em seu peito rígido. — Vê se não vai ensinar saliências pra ele! Vinícius riu. — Saliências? — É. — Tipo as que eu pretendo fazer novamente com você, dessa vez aqui na cama? — provocou, mordendo o lóbulo da minha orelha. — É. — Tornei a confirmar. Minha voz soou um pouco falhada. Vinícius riu no meu pescoço, antes de voltar a me beijar. E, bom… repetimos a dose, dessa vez na cama, exatamente como eu mencionei antes. (...) Vinícius voltou para Fortaleza, infelizmente. Mas tentei não focar na saudade que sentia dele, precisava encontrar uma casa dentro do orçamento da indenização. Tinha que me concentrar em coisas boas. Então comecei uma pesquisa em um site especializado para distrair a cabeça. Caramba, nunca andei de avião! Luan preferiu viajar para Minas com a Vanda e passar o Natal e o Ano-Novo com os amigos. Apesar de ficar reticente, entendia que era uma escolha dele. Meu irmão estava crescendo e poderia decidir o que queria. Até porque, não tinha dúvidas de que a Vanda cuidaria dele. Ou seja, seríamos apenas Vinícius e eu. Suspirando, nem percebi que alguém me ligava. Atendi rapidamente, após ler o apelido: amorzinho, na tela. — Oi, minha linda. — Sua voz soou cansada e distante — Oi, amor. O que aconteceu? Está tudo bem? — perguntei temerosa. — Sinto muito, não vou conseguir ir para São Paulo nos próximos dias. Será que você conseguiria vir pra cá antes? Meu primo alegou que o dinheiro retirado da conta foi para despesas da livraria. Eu e meu advogado estamos tentando refutá-lo… Mas vou entender se não puder. Você tem o seu trabalho e tudo o mais, também tem o Luan. — Queria poder ajudar — sussurrei preocupada. Odiava saber que o Vinícius estava passando por problemas sem que eu pudesse fazer nada. Eu ainda recebia o seguro desemprego da livraria, mesmo que eu cometesse uma loucura com meu trabalho na cafeteria, precisaria ver se a Vanda poderia ficar com o Luan por mais algum tempo. Eu não sabia o que fazer, meu coração se comprimiu ao ouvir o suspiro aflito do Vinícius ao telefone. — Desculpe, não precisa se preocupar comigo — acrescentou, vendo que eu não concordei imediatamente. — Vou para São Paulo assim que possível, talvez consiga ir te ver antes do Natal. Eu debatia comigo mesmo sobre o que fazer. — Eu quero ir, só preciso me organizar — expliquei, não querendo que Vinícius pensasse que eu não queria ir. Porque eu queria — Não posso deixar o Seu Raimundo na mão e tenho que conversar com o Luan. — Não se preocupe com isso, se não puder vir eu vou entender. Mas eu queria você perto de mim todos os dias — declarou, agitando meu coração. Suspirei. — Eu também quero — declarei sinceramente. — Estou com saudades, Mari. — Eu também, amor. — Finalizei a ligação. Ao vislumbrar meu irmão entrando em casa com as bochechas infladas de nervoso. Questionei em pensamento o que poderia ter acontecido. — O que houve? — perguntei, indo até ele. — Nada! — exclamou bravo. — Então por que está nervoso? — Você se importa? — revidou. — Luan, você não é assim — repreendi surpresa. Ele nunca falava dessa forma comigo. — Me fala agora o que aconteceu. — A Lívia disse que só gosta de mim como amigo, eu quero morrer! Suprimi a vontade de dar risada, porque Luan ficaria ainda mais bravo comigo. Entretanto, como explicar que ele ainda teria muitas desilusões amorosas, até finalmente encontrar alguém para amar? Como a verdade não era uma opção plausível, não quando se tinha doze anos e pensava ter encontrado o amor verdadeiro. Eu apenas o puxei para um abraço.
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