Eu não queria me limitar a ponto de não poder encontrar Vinícius e passar alguns dias namorando muito em um dos lugares mais bonitos do Brasil. Portanto, juntei coragem e decidi que iria. Luan iria com a Vanda para Minas Gerais e ficaria com eles até depois da virada do ano. Vanda sempre viajava para visitar a irmã nessa época e apesar de desejar que o Luan viajasse comigo, apoiei sua decisão.
Não entendi nada quando ouvi alguém batendo na porta, Vanda saiu com as crianças. Sabrina estava trabalhando, não tinha mais ninguém para surgir na minha casa dessa forma.
Abri a porta sem muita animação.
— Oi. — O sorriso do Vinícius me desestabilizou totalmente.
Não esperava vê-lo tão logo aqui.
Eu simplesmente pulei em seu pescoço, envolvendo as pernas em sua cintura como um polvo.
— Uau, não sabia que estava com tanta saudade de mim! — exclamou, meio cambaleante.
Pensei que fossemos ambos para o chão, devido ao meu ímpeto. Mas ele conseguiu dar conta do meu peso, me amparando pela b***a e afundando o rosto no meu pescoço.
— Senti muita saudade — confirmei, emocionada.
— Eu também senti — respondeu, alisando meus cabelos e beijando meus lábios. — Vim te buscar para dormir comigo, dessa vez com direito a piscina amanhã, que tal?
— Sério? Pensei que não conseguiria vir. E como estão as coisas na livraria? — indaguei, descendo do seu colo.
Vinícius manteve os braços em volta da minha cintura.
— Indo, meu primo é totalmente escorregadio e o advogado dele não vale nada — objetou. — Como tem plenos poderes, graças a mim, ele pode fazer o que quiser até eu conseguir provar suas falcatruas. Mas eu tenho que fazer isso dentro da lei, já ele…
Deitei a cabeça em seu peito.
— Não precisava ter vindo me ver se tem tantas coisas pra resolver — disparei.
Ele apoiou o queixo no topo da minha cabeça.
— Quando minha mãe me ouviu conversando com você todo jururu, praticamente me obrigou a vir. Disse que nunca me viu tão bobo assim por causa de uma garota e não queria que eu ficasse preso lá — suspirou — Ela já gosta de você, mesmo sem te conhecer e me incentivou a te levar comigo nos próximos dias, se possível. Na verdade, minha mãe ficou tão animada ao saber que eu estou namorando. Que gargalhou por uns cinco minutos, apertando minhas bochechas. Fazia tempos que não a via assim tão feliz. Acho que ficou aliviada de ver que eu finalmente estou superando a perda do meu pai. Espero que isso a incentive a superar também. Ela ainda sente muita falta dele — Vinícius me apertou contra si — Mas não posso ficar muito, só vou aproveitar para dar uma passada na livraria e ver como as coisas estão.
— Eu também já gosto dela. Afinal, colocar uma preciosidade dessa no mundo não é para qualquer uma. — Ele riu. — Agora entra, você deve estar cansado de passar tanto tempo dentro de um avião. Aliás, não está gastando uma fortuna com viagem, não?
Vinícius coçou a nuca.
— Dinheiro nunca foi problema pra minha família, eu só quero poder ficar perto de você. Mesmo que não seja todos os dias — pensou por um instante — por enquanto — acrescentou, deixando um beijo na minha testa.
Aquelas duas últimas palavras soaram tão promissoras.
O que Vinícius queria dizer?
— Se eu soubesse que era rico desde o começo — joguei, fingindo interesse.
— Teria ficado comigo se soubesse? — Sentou no sofá, me puxando para o seu colo.
— Acho que não existia a possibilidade de eu não me apaixonar por você de um jeito ou de outro — declarei, abraçando seu pescoço.
— Quer ir pra minha casa?
— Só se for agora.
Ele riu.
Ajeitei uma mochila e avisei a Vanda e o Luan que iria sair, chegamos à casa dele no início da tarde. Estava muito frio hoje, então não seria possível cair na piscina. Portanto, pedimos comida pelo Ifood e agora contávamos bobagens na cama. Eu já tinha confessado vários pequenos segredos para Vinícius. Ou nem tanto segredos, mais informações relevantes para nos conhecermos melhor. Como, por exemplo, o nome completo dos meus pais, onde estudei, minha cor favorita etc. Ele fazia o mesmo, explicando o que aconteceu com seu pai e como isso afetou toda a família a ponto de ele e a mãe praticamente desistirem das livrarias por quase três anos.
Também me contou como eram seus dias, quando morou com os avós. Eu ouvia tudo atentamente, para poder conhecer os detalhes da personalidade do meu namorado. Além de me abrir com ele sobre meus medos e anseios.
— Se eu te contar um último segredo, promete não rir? — Vinícius perguntou, rodeando em volta do meu umbigo com os dedos.
— Claro, por que eu faria isso? — franzi o cenho em confusão.
Ele hesitou por um instante, mordendo o lábio.
— Eu, hã... era virgem — contou, inflando as bochechas.
— Como assim, virgem? Antes da gente fazer amor? — Elevei o tom de voz sem querer pela surpresa.
— Sim? — respondeu em tom de indagação, soltando um riso nervoso.
— Por que não me falou nada! — exclamei em choque. — Eu teria, não sei, jogado pétalas de rosa em cima da cama. Abriria um champanhe e não teria te pressionado tanto. Seria mais romântica, qualquer coisa. Vinícius, eu praticamente te ataquei no quarto do Luan e… — balancei a cabeça, me sentindo uma péssima namorada.
— Tive vergonha — confessou, desviando os olhos. — Eu passei quase três anos trancado na casa dos meus avós, jogando videogame sem vontade de fazer nada. Antes disso eu também não era lá assim muito pegador. Sempre fui tranquilo, tive apenas uma namorada séria no ensino médio e ela queria esperar a hora certa. Então eu só podia esperar também, depois meu pai faleceu e acabei mergulhando em um limbo no qual ela não conseguiu esperar que eu saísse. Daí juntou meu coração despedaçado com a morte do meu pai. E bom, não deu pra f********o com ninguém nesse meio tempo — despejou, voltando a olhar para mim. — Assim que estava melhor e mais confiante, tive a ideia de aparecer na livraria. Eu não procurava ninguém e te encontrei, depois só queria fazer amor se fosse com você. No fim, estamos aqui — concluiu, como se tirasse um peso dos ombros.
— Vinícius, você deveria ter me contado — Tornei a repetir, derretida pelo que ele disse sobre só querer fazer amor se fosse comigo. — Eu teria sido mais compreensiva e menos atirada, não sei. Estou me sentindo péssima agora.
Baixei os olhos, me sentindo mortalmente culpada.
— Não fica assim — pediu, beijando meu ombro. — Eu queria muito ficar com você. Mas tinha medo de fazer alguma coisa errada e te decepcionar — Vinícius parecia meio agitado e constrangido. Era a coisa mais adorável do universo. — Também não queria que me visse como um bobo, sei lá. Só estou te contando agora porque provavelmente você deve ter percebido que não sou muito experiente — acrescentou, me fazendo sentir uma desvairada por ter praticamente o colocado contra a parede em diversas situações.
Soltei um suspiro, segurando seu rosto entre minhas mãos.
— Isso não importa, ser virgem ou inexperiente não é o fim do mundo. Você deveria ter me contado e então eu teria ido com mais calma e menos desespero — aleguei, beijando seus lábios. — Você não existe, eu gosto tanto de você — declarei apaixonada.
— Também gosto de você, Mari — sussurrou nos meus lábios. — Gosto muito.
— Me desculpe — soltei, abraçando sua cintura.
— Para, não precisa me pedir desculpas. Assim vou ficar ofendido e ainda mais envergonhado. O que tivemos foi a melhor coisa que me aconteceu. — Vinícius suspirou contra o meu pescoço. — Até porque, se não tivesse tomado a iniciativa, talvez eu ficaria mais um tempão com receio de fazer tudo errado e te decepcionar. Então, obrigado?
— Você fez muitas coisas, menos me decepcionar. — Mordi o lábio, lembrando da sua boca em tantos lugares que, nossa! — Não me agradeça também, é muito estranho — descontrai, divertida.
Ele riu.
— Fico aliviado em saber que dei para o gasto — respondeu, puxando meu corpo para cima do seu.
Aspirei seu cheiro, que era uma mistura de café e sabonete masculino. Eu amava, porque era obcecada por café e Vinícius. Funguei no seu cangote feito um animal farejador, arrancando uma gargalhada gostosa dele.
— Seu cheiro é tão gostoso, já cheguei a te falar isso? — mencionei, ainda deslizando meu nariz por sua pele. — Você é um grande gostoso, sinto vontade de te morder.
— Obrigado? — Riu, disfarçando o constrangimento.
Vinícius sempre ficava sem graça quando eu soltava algum elogio malicioso.
— Como pode você ser um combo de tudo o que eu amo em um homem e ainda por cima ser tão encantador? — perguntei, bancando a namorada babona.
Ele riu outra vez.
— Fui feito pra você e você foi feita na medida certa para mim — sussurrou, mordendo de leve meu ombro.
Me derreti.
— Então vou usufruir desse privilégio. — Voltei a beijá-lo. — Precisamos praticar, sabe?
— Sei — confirmou, entrando no clima. — Já disse que você manda e eu apenas obedeço.
Como não amar esse homem?